Diego Fernandes – Araçatuba
Parte dos comerciantes de Araçatuba defenderam a redução e padronização do horário do comércio da cidade em reunião realizada na sede da Associação Comercial de Araçatuba na manhã desta terça-feira (30). O argumento utilizado foi que os custos de abertura não compensam as vendas em horários alternativos e feriados, além de a abertura facultativa nestes dias estar confundindo os consumidores.
A reunião contou com representantes de entidades lojistas, como os presidentes do Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Araçatuba), Gener Silva; do Sincomerciários (Sindicato dos Comerciários de Araçatuba e Região); com o gerente executivo da Associação Comercial e Industrial, Osney Ferracioli, além de representantes do comércio local e de lojas de rede instaladas em Araçatuba.
A principal reivindicação dos donos de lojas foi pela padronização dos horários. Atualmente, a convenção coletiva de trabalho mantém a abertura facultativa para os lojistas em feriados, além de definir aberturas noturnas antes de datas especiais, como no Dia das Mães, e no mês de dezembro, devido às compras de Natal. A ideia colocada primeiramente pelo comerciante César Braga, dono de Óticas na cidade, e por Marcelo Benício, administrador do Multi Shop, é de que a abertura facultativa confunde os consumidores. Além disso, o pagamento de uma diária de feriado para o funcionário, além da alimentação e mais um dia de folga, determinados na convenção, inviabiliza os pequenos comerciantes a funcionarem nestes dias.
“Uma sugestão é que o feriado seja mesmo feriado, além disso, não há mais necessidade de o comércio ficar três semanas aberto até 22h, poderíamos abrir duas semanas apenas, sendo a primeira até às 20h e a segunda semana até 22h”, disse César Braga, que justifica o pedido pela descentralização do comércio. “Atualmente, o comércio do centro é sustentado pelo público das cidades vizinhas, o morador de Araçatuba está consumindo mais próximo de sua casa, nos bairros, eu sei porque tenho loja no centro e na zona leste, não adianta ficar muito tempo aberto para não vender”, afirmou durante a reunião.
O argumento foi endossado por Marcelo Benício, administrador do Multi Shop, e por Luciana Martiniano, presidente da Associação de Lojistas do Calçadão. Ambos defenderam que a abertura facultativa faz com que o consumidor não saiba se compensará ir no centro ou não, por não saber se a loja estará aberta.
“A abertura noturna no fim do ano tem gerado mais despesas do que lucros, porque são muitos encargos que não são refletidos no consumo”, afirmou Benício.
O pedido foi contestado por representantes de lojas de rede presentes no local. Segundo eles, as matrizes de grandes redes de varejo presentes em Araçatuba têm por determinação nacional o trabalho em horário estendido e as aberturas em alguns feriados.
Os presidentes de Sindicatos informaram aos comerciantes que a convenção coletiva de trabalho está definida para este ano juridicamente, e que uma possível mudança neste documento pode ser feita para o ano que vem após a convocação de uma assembleia.
O gerente executivo da ACIA, Osney Ferracioli, lembrou que os comerciantes estão livres para diminuir o horário de funcionamento previsto na convenção.
“Não se pode impor que as lojas de rede fechem, por exemplo, mas vocês do centro, por exemplo, podem se reunir e determinar um horário para vocês, aí vocês nos comunicam que eu repasso para a imprensa”, disse Ferracioli na reunião.
Questionário
Luciana Martiniano, presidente da Associação de Lojistas do Calçadão, afirma que soltará um questionário entre os donos de comércio do local para saber se a maioria concorda com um funcionamento em horário menor no final do ano e deverá estabelecer um período de funcionamento próprio para os feriados deste ano e para o mês de dezembro.
“Estaremos passando um questionário em todas as lojas e vamos sentir uma a uma, o que elas pensam em relação a isso, e a gente, juntos, vamos fazer um horário que ficará viável para o comércio central, aí vamos passar para os sindicatos, Associação Comercial e mídia”, informou Luciana.
Balanço
Para Gener Silva, do Sincomércio, a reunião desta terça é o que sempre o sindicato buscou em termos de aproximação com os lojistas.
“Foi exatamente um exemplo que o sindicato sempre pensou em obter com os empresários, uma reunião produtiva”, afirmou.
Já Osney Ferracioli acredita que o encontro foi produtivo.
“A reunião foi produtiva porque ela ouviu a voz dos comerciantes, é isso que a associação faz, ouvir o comerciante”, disse.
José Carlos dos Santos também avaliou bem a reunão realizada na ACIA.
“Foi bastante proveitosa, ouvimos vários reclames dos empresários do setor, eu como representante do sindicato tenho que zelar pelo direito do trabalhador e pela saúde das empresas”, disse.

