RUBENS BIZARRO ROMARIZ
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“ Se você não puder ser um pinheiro no topo da colina, seja um arbusto à margem do regato.” (Douglas Malloch)
Há cerca de 35 anos, me despedi do padre Favorino na cidade de Vinhedo, um pároco com alma de santo. Passei ali, na igreja da padroeira Sant’ana, a minha infância e parte de minha adolescência graças a minha mãe católica de muita fé. Era um Coroinha pertencente a um grupo de mais de quarenta. No lazer, o padre Favorino organizou um time de futebol infantil, onde pelejávamos com outras equipes infantis da cidade, cujas fotos estampadas no sorriso e a alegrias, com direito de um belo uniforme, com uma bola de capotão de tento amarrado, e um massagista coroinha que não jogava porque não tinha aptidão ao futebol, porém era um massagista nomeado pelo padre Favorino com direito de carregar uma caixa de madeira pintada de branco com uma cruz vermelha, onde ali tinha tudo para socorro: algodão, esparadrapo, gaze, álcool mercúrio- cromo e faixa para socorro em um acidente.
As missas aos domingos, o padre rezava em Latim, de costas par o público, mas de frente ao cálice de Deus presente. As missas eram repletas, a das oito horas era das crianças e jovens, onde depois, no salão paroquial todos se divertiam nas mesas de pingue-ponque, nos jogos de damas e de trilhas, dominó ou de palitos coloridos. Alguns preferiam ficar na biblioteca.
A das 10 horas era dos adultos, o padre Favorino fazia as belas pregações de fé e sempre de esperança. Foi um tempo em que os mais ricos se misturavam com os pobres e que as mensagens bíblicas nos faziam pensar e que a vida terrena sempre será muito breve.
Mas com a evolução do progresso, nas tantas reformas que cada novo Papa empregava, modificando as missas que conhecia e que guardei de minha infância, depois muitos padres perderam a fé, depois na igreja da Libertação, depois de tantas seitas surgidas, ou de um período em que as eleições e a política transpareceram nas paróquias, camufladas nas teorias de questionamento das classes sociais, fui percebendo que as igrejas começavam a ficar vazias, e os homens em famílias foram perdendo a tradição e os hábitos de conversarem com Deus aos domingos.
Ainda , nesse último domingo percebi a igreja muito vazia de poucos católicos jovens, onde os bancos vazios mostravam a desistência. Enquanto isso, lá fora, a juventude se aglomerava ao som de uma música, enquanto os homens com as televisões ligadas em” Faustão” em Futebol , em danças de tantas dançarinas esbeltas, demonstravam que esse mesmo homem quase não mais percebia a presença de Deus.
O dia de 24 horas ficou pequeno demais. Na escola não mais se fala em Deus, a valorização dos bens materiais passou a ter divulgação de poder, os vícios em forma de lazer, vão fazendo a cada dia o homem se esquecer da fé, da alma e por fim da esperança.
Somente com a chegada de um novo Natal, a Paixão de Cristo, ou uma outra comemoração, a igreja se reúne em multidões de católicos, para logo depois os fiéis desaparecerem.
Entretanto, não tenho mais minha infância, a voz de minha mãe, do padre Favorino, do tempo em que os homens não corriam tanto em busca do imediato. Mas, sempre esse homem cansado de tanta fragilidade de seus músculos atrofiados, sempre esse homem se volta por necessidade de voltar ainda com tempo de conversar com Deus antes de partir da última porta da vida terrena.
RUBENS BIZARRO ROMARIZ É PROFESSOR APOSENTADO, ESCRITOR E CRONISTA. ESCREVE SEMANALMENTE PARA O JORNAL O LIBERAL REGIONAL



