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quinta-feira, maio 19, 2022

CANDIDATOS A DEPUTADO FEDERAL TÊM DESAFIO DE QUEBRAR ‘JEJUM’ DE 20 ANOS

Os candidatos a deputado federal pela região de Araçatuba entram na campanha deste ano com um desafio: quebrar um “jejum” de 20 anos em que esta fatia do Estado de São Paulo não elege um representante para a Câmara. O último eleito foi o ex-prefeito de Araçatuba Jorge Maluly Netto, já falecido, em 1998. Na ocasião, ele chegava ao seu quinto mandato consecutivo em Brasília – depois dele, seu filho Jorginho Maluly (SD), exerceu o mandato de deputado federal entre 2007 e 2010, mas havia entrado na condição de suplente.

Jorginho ensaiou candidatura, mas, há duas semanas, o político abriu mão, alegando motivos pessoais e profissionais.

De qualquer forma, para acabar com o “tabu”, os partidos apostam em postulantes que, em geral, têm como principal característica a experiência política. Entre os concorrentes com domicílio eleitoral nos 43 municípios do território, estão nomes conhecidos no meio político.

De Araçatuba, figura como candidato o ex-prefeito Cido Sério, que trocou o PT pelo PRB do “puxador” de votos Celso Russumanno. Cido, no entanto, aguarda julgamento, no TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo), de pedido de impugnação de sua candidatura feito pela Procuradoria Regional Eleitoral. Com a saída de Cido da legenda, ganhou terreno livre no Partido dos Trabalhadores na região outro nome de Araçatuba: o ex-ministro da Previdência Carlos Gabas. Pela cidade, ainda concorrem o presidente da Câmara Municipal, Rivael Papinha (PSB), e o vereador Arlindo Araújo (PPS), o mais longevo de todos, atualmente, no sétimo mandato.

ANDRADINA
Um dos maiores partidos do País, o PSDB escolheu um nome de Andradina como seu único representante em toda a região: o ex-vereador e ex-diretor do Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) Marco Pilla. Outro partido tradicional, o MDB, para federal, tem apenas um representante na região: o vereador Roberto Delfino, de Penápolis.

Entretanto, vem de partidos políticos que, há até pouco tempo, eram considerados pouco expressivos, o maior número de candidaturas regionais. Além de Cido Sério, o PRB também lançou, na região de Araçatuba, o vereador biriguiense Leandro Moreira e Vilma Aparecida de Almeida, de Penápolis. Já o PSL, do candidato a presidente Jair Bolsonaro, líder nas pesquisas de intenções de votos em cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entra com o ex-vereador Elias Antônio Neto, que chegou a ser presidente da Câmara de Birigui.

O Partido Novo, por sua vez que participa de sua primeira eleição neste ano, lançou para deputado federal o produtor agropecuário Eduardo Lunardelli.

Para ampliar eleitorado, candidatos vão além dos limites da região
Cientes de que a região de Araçatuba, apesar de numerosa em municípios, é um dos menores colégios eleitorais do Estado, vários candidatos têm apostado suas fichas em campanhas por cidades de diferentes regiões paulistas, a fim de se tornarem mais conhecidos, ampliando, assim, seus eleitorados.

Outra estratégia também tem sido acompanhar os “figurões” de seus respectivos partidos em visitas aos municípios da região. Assim aconteceu, por exemplo, na recente visita de Bolsonaro. Por fim, está a divulgação maciça nas redes sociais, mostrando um histórico dos seus trabalhos.

Independentemente de partido, um discurso dá o tom na fala dos postulantes: a necessidade de a região ter representatividade em Brasília. O entendimento é de que, com deputados domiciliados na região, o caminho para a obtenção de recursos federais para as prefeituras seria mais estreito, especialmente em um momento como o atual, de baixa arrecadação nos cofres públicos.

‘FORASTEIROS’
Não bastasse o indigesto período de duas décadas sem eleger um deputado, os candidatos da região enfrentam o desafio de concorrer com os “forasteiros”, como são chamados, nos bastidores, os políticos de outras localidades do Estado que vêm pedir voto por aqui. Muitos, aliás, recebem apoio das principais lideranças políticas locais. Em Araçatuba, por exemplo, alguns deles têm apoio dos vereadores por questões de compromisso partidário.

Região esteve representada em momentos cruciais
Levantamento feito pela reportagem de O LIBERAL pode sugerir que, ao longo do tempo, a região esteve bem representada não só em Brasília, como em São Paulo, onde a presença regional também é baixa.

Nos últimos 50 anos, pelo menos cinco ex-prefeitos de Araçatuba foram deputados federal ou estadual. Além de Maluly, também ocupou cadeira em Brasília o ex-prefeito Sylvio Venturolli. Já na Assembleia Legislativa do Estado, estiveram presentes João Batista Botelho, Sydnei Cinti e Cido Sério. O atual prefeito, Dilador Borges (PSDB), também foi deputado estadual, por um ano e meio, como suplente, entre 2013 e 2014.
Ainda em Brasília, outra curiosidade. Um dos períodos em que a região mais esteve com representantes na Câmara ocorreu justamente na segunda metade da década de 1980, época da Assembleia Constituinte. Lá estavam Maluly e ainda João Rezek, de Araçatuba, e José Egreja, de Penápolis.

SANGUE
Apesar da pouca presença em Brasília, vários políticos que ali estão ou estiveram ao longo dos últimos anos, seja no Executivo ou no Legislativo, tinham a região de Araçatuba no sangue. O ex-senador Expedito Júnior (PSDB), por exemplo, cassado em 2009, é nascido em Guararapes. O presidenciável Bolsonaro, deputado federal em sete mandatos, nasceu em Glicério. A ex-presidente Dilma Rousseff contou com dois nomes da região em seu ministério: o araçatubense Carlos Gabas na Previdência e Valdir Moysés Simão, que constituiu família em Birigui.

Arnon Gomes

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