ARTIGO: Comemoração de todos os fiéis defuntos

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     PADRE EUGÊNIO ANTÔNIO BISINOTO, C.Ss.R.

Missionário Redentorista – Ara\raquara

 A comemoração de todos os fiéis defuntos é realizada todos os anos no dia 2 de novembro. É também conhecida como celebração de finados.

No Brasil, mesmo caindo num domingo, mantém-se a comemoração no mesmo dia. Durante a celebração a Igreja reza pelos falecidos, entregando-os na misericórdia divina.

Na data de finados a comunidade cristã costuma celebrar, ao longo do dia, diversas missas, quer nas igrejas, quer nas capelas dos cemitérios, com a participação de muitos fiéis. A comemoração tem missa e ofício próprios. A cor litúrgica é roxa ou preta.

          O clima do dia é de recolhimento e piedade. Nas igrejas não se ornamenta o altar com flores. O toque do órgão e de outros instrumentos musicais são permitidos para sustentar o canto da assembleia litúrgica.

          Com fé e confiança, nós que, estamos peregrinando na terra, intercedemos por aqueles que partiram para a eternidade. Nossa prece consciente é sinal de amor e amizade pelos nossos falecidos.

 

Breve histórico

O dia dos finados é uma comemoração antiga na Igreja. Apareceu no século IX, continuando a prática dos monges que, desde o século VII, costumavam consagrar um dia à oração pelos defuntos.

No século IX, Amalário colocou a memória pelos finados como logicamente seguindo a dos santos que já estavam no céu, muito embora ignorasse a festa de 1o. de novembro.

O abade Odilon de Cluny introduziu a comemoração de todos os fiéis defuntos no dia 02 de novembro para os mosteiros de sua ordem. No século XIV aconteceu a difusão deste costume em Roma. No século XV tal memória foi integrada pelos dominicanos de Valência.

Em 1915, a comemoração foi estendida pelo Papa Bento XV (1914-1922) a toda a Igreja, com um prefácio próprio, tirado do missal parisiense, proveniente de 1738. O Pontífice concedeu aos padres o privilégio de celebrar três missas nesse dia.

O Concílio Vaticano II (1962-1965) destacou que a liturgia dos defuntos “deve exprimir mais claramente o caráter pascal da morte cristã” (S. C., nº. 81). As orações pelos falecidos pateiam a esperança dos cristãos na bem-aventurança eterna.

Memória agradecida

A celebração do dia 2 de novembro é memória agradecida dos falecidos. Com saudades e carinho, rezamos ao Senhor pelos nossos antepassados.

Como cristãos, nós recordamos os nomes daqueles que nos antecederam na história: pais, avós, parentes e amigos. Foram pessoas que tiveram um significado especial em nossa existência.

Como pessoas de fé, nós agradecemos a Deus a vida dos antepassados. Estiveram na terra durante certo tempo e, ao completarem sua história entre nós, foram para o paraíso eterno.

Durante o dia 2 de novembro, nós paramos para um momento de reflexão e de oração. Acendemos uma vela em honra dos falecidos. Vamos às missas nos cemitérios e igrejas em sufrágios dos mortos. Proferimos orações em favor de uma multidão de pessoas queridas. Declinamos seus nomes, lembramos de fatos de suas vidas e os recomendamos a Deus, Senhor do mundo.

Com sentimentos de piedade e de nobreza, nós agradecemos a Deus a cadeia da vida, que começou com nossos antecedentes e nos tornou possíveis e viventes. Nós herdamos da família a vida que pulsa em nosso organismo.

A vida não começou em nós, mas nos antecedeu. Somos filhos do amor de Deus, transmitido por nossos pais, avós e antepassados. A vida é fruto da corrente de gerações que foi sendo passada, de pessoa a pessoa, como expressão de bondade e de fé.

Na celebração do dia 02 de novembro nós reconhecemos e exaltamos o valor, a dignidade e a espiritualidade dos antepassados. A luz, que nos iluminou através dos pais, parentes e amigos, não se apagou com suas mortes. Continua nos guiando passo a passo.

Acendemos as velas para lembrar da fé que nós recebemos deles.

Veneramos seus exemplos e imitamos sua fidelidade cristã (Hb 13,7). Enfeitamos as sepulturas com flores para simbolizar a ressurreição dos antepassados.

Nossos mortos são plantados como sementes, regadas com nossas lágrimas, e florescem no jardim do Senhor. Cada um de nós recebe de Deus dons especiais, como sementes do Reino de Deus.

Durante nossa existência, nós devemos cultivar os dons de Deus, deixa-los florescer e perfumar os irmãos. A Igreja é o jardim perfumado do Senhor.

Após a morte, somos lembrados pelos dons que repartimos com os parentes e amigos. Quando pensam em nós, eles recordam, agradecidos, nossa vida fecunda no jardim da Igreja.

Destino eterno

A comemoração dos fiéis defuntos esclarece e reafirma o destino eterno do ser humano. As pessoas vivem na terra, mas sua vocação fundamental é transcendente.

A vida atual do cristão é breve e limitada porque é passageira, fugaz e efêmera (Sb 2,5). Na terra nós existimos durante certo tempo, conforme nossas possibilidades e condições corporais e mentais(Tg 4,15).

A vida, enquanto perdura aqui, é importante e preciosa, tendo em vista a responsabilidade de cada um de nós perante Deus. Por isso, nós devemos valorizar e promover nossa vida com seriedade e aproveitá-la bem, praticando o amor, a fé, a virtude, a justiça e a solidariedade.

O envelhecimento do ser humano é um processo normal de desgaste do corpo, depois de atingida a idade adulta. Tal envelhecimento resulta do fato das células de nosso organismo irem se deteriorando uma após a outra. Elas não são substituídas por novas células, como acontece na juventude.

Nosso corpo vai sofrendo uma degradação neuroendócrina, pois os sistemas neurológico e hormonal vão falhando paulatinamente, ficando sujeitos às enfermidades. Nosso organismo se intoxica gradativamente, tendo em vista que produz ou recebe, lentamente, substâncias daninhas, nocivas, que se acumulam dentro das células e entorpecem sua função ou as extinguem de vez.

A morte faz marte da condição humana do cristão. Constitui uma realidade universal, que atinge todas as pessoas, de todas as categorias.

A morte constitui um fato natural. É fenômeno biofisiológico que consiste na cessação da vida física dos seres humanos.

Há um limite para a vida humana. Nós temos a certeza de que, um dia, mais cedo ou mais tarde, faleceremos, embora não sabemos quando e como a morte virá.

Biologicamente, a morte começa com a cessação do cérebro, das ações e locomoções voluntárias. Prossegue com a paralização simultânea do diafragma e dos órgãos intercostais (entre as costelas). Continua com a interrupção dos fenômenos químicos, do coração, da circulação em geral e da vida orgânica, a se verificar o fim do calor no corpo humano.

De acordo com os médicos, cientistas e pesquisadores, no processo de morte de uma pessoa os sentidos vão diminuindo passo a passo. Primeiro, desaparece o tato; depois a visão, o paladar e o olfato. Finalmente, a audição se extingue.

A morte é experiência única do ser humano. Ele não morre diversas vezes ao longo de sua existência. Fenece uma vez só e não retorna à vida terrestre (Hb 9,27).

Entretanto, a morte não é o fim da existência do ser humano. Mas é passagem para a vida sem fim. O nosso corpo mortal se desgasta e desfaz na vida terrestre. Todavia, através da ressurreição, Deus leva o nosso ser à vida plena com Ele, no paraíso celeste (2Cor 4,16-5,10).

O destino do ser humano é eterno. Depois da morte, vem a existência definitiva.

A morte é a última páscoa do cristão. Ou seja, é o momento de passagem da vida terrena para a vida eterna.

A primeira páscoa é o batismo. Pelo sacramento do batismo, o cristão passa do pecado e da morte para a graça e a vida nova. Ele inicia uma grande jornada de fé, que o levará para o encontro maravilhoso com o Criador.

Toda a existência dos cristãos é uma páscoa contínua. Os sacramentos, que eles receberam, teve como objetivo final prepara-los para superar o momento da morte e conduzi-los à vida total em Deus.

Na perspectiva cristã, o dia do falecimento do cristão é a consumação da vida nova, que foi iniciada no batismo e fortalecida pela crisma. Foi, continuamente, nutrida pela eucaristia, antecipação do banquete escatológico (Rm 6,4;Ef 2,6;Cl 3,1;2Tm 2,11).

Após nossa caminhada terrestre, nós participaremos da vida definitiva. Nós alcançaremos o projeto final da existência humana, que é viver com Deus para sempre. Faremos a experiência única do Pai, em Jesus, na força do Espírito Santo.

A vida definitiva é dom de Deus. É definitiva porque é nova, eterna e completa, fruto da salvação operada pelo Pai, com a graça de Jesus e na força do Espírito Santo. Transfigurado pelo amor divino, o ser humano continuará existindo para sempre no mundo transcendente.

A vida definitiva é meta de toda a humanidade, de todos os tempos e lugares. Todos os seres humanos desejam a união eterna com Deus.

Os cristãos creem em Deus, autor e fonte da vida definitiva. Confiam no amor infinito e nas promessas de Deus, que oferecerá para todos os que permanecerem fiéis ao projeto salvífico receberam a recompensa eterna.

 

Crer na ressurreição dos mortos

A comemoração do dia 2 é proclamação jubilosa da ressurreição dos mortos. Nós cremos na nossa ressurreição futura como dogma básico do cristianismo.

O cristão se define por ter fé segura e inabalável na ressurreição. “A confiança dos cristãos é a ressurreição dos mortos; crendo nela, somos cristãos” (Tertuliano, escritor eclesiástico).

Só é cristão quem realmente acredita na ressurreição futura. Um dos pilares do cristianismo é a fé na ressurreição. No Credo Apostólico nós professamos: “Creio na ressurreição da carne”.

Em seu sentido ativo, a ressurreição é a ação de ressurgir, ou seja, de dar a vida a um morto. A ressurreição é ato divino, pois só Deus é o Senhor da vida.

Em seu sentido passivo, a ressurreição é o regresso de um morto à vida. Ele estava falecido e voltou a viver. A pessoa, que estava morta, revive para a eternidade.

A ressurreição humana tem como fundamento a ressurreição de Jesus Cristo. De fato, Jesus ressuscitou dos mortos depois de três dias que permaneceu na sepultura (Mt 16,1-7).

Cristo está ressuscitado, vivo e glorioso no Reino definitivo do Pai. Jesus Cristo, nosso Salvador, venceu a morte na cruz e ressuscitou para a vida gloriosa.

A ressurreição de Cristo é a pedra angular da fé cristã. É o tema central da pregação apostólica (1Cor 15,13-14).

A ressurreição de Cristo é a garantia da ressurreição dos mortos (Rm 8,5-8). Jesus é o primogênito dos que renascem da morte (Cl 1,18;cf. 1Cor 15,20-28).

Jesus ressuscitado e glorioso é causa da ressurreição daqueles que feneceram na terra. Se Cristo ressuscitou e venceu a morte, nós ressuscitaremos com Ele, por Ele e nele, para estar com o Redentor na glória eterna.

O próprio Jesus liga a fé na ressurreição à sua própria pessoa: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre” (Jo 11,25-26).

Nós, que seguimos a Jesus, não teremos a vida interrompida pela morte, mas caminharemos para sua plenitude na ressurreição futura. Nós teremos a mesma sorte de Jesus Ressuscitado. Nós viveremos para sempre com Ele, na comunhão dos santos, no céu (Rm 6,9;8,2.19-22;1Cor 15,54-57;Jo 11,25-26).

No término de sua existência histórica, os cristãos participam da morte e ressurreição de Jesus. Isso porque eles morrem em Cristo para ressuscitar com o Redentor e morar para sempre com Ele na pátria divina (1Cor 15,42-44;2Cor 5,8).

Como cristãos nós admitimos real e firmemente que, assim como Cristo ressuscitou de verdade dentre os mortos e vive para sempre, assim também os justos, que fizeram a vontade de Deus, viverão também para sempre com o Salvador.

A certeza da ressurreição dos mortos é alicerçada na certeza da ressurreição do Cristo. O próprio São Paulo afirma: “Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos dará vida também aos vossos corpos mortais, mediante o seu espírito que habita em vós” (Rm 8,11).

Deus não nos quer mortos, mas vivos. Fomos criados pelo Senhor, não para uma existência passageira e transitória, mas para a imortalidade. A fé na ressurreição baseia-se na fé em Deus, que “não é um Deus dos mortos, mas dos vivos” (Mc 12,27).

Ao ressuscitar, os seres humanos não voltam à existência terrestre anterior. Não mais vão precisar ocupar um lugar no espaço. Nem vão precisar mais envelhecer. Não mais vão depender do tempo.

A ressurreição dos seres humanos significará sua total transformação e glorificação. Permanecerão com Deus como seres incorruptíveis e santificados.

Todos os seres humanos irão ressuscitar. O próprio São João afirma: “Aqueles que fizerem o bem, vão ressuscitar para a vida; aqueles que tiverem feito o mal, vão ressuscitar para a condenação” (Jo 5,29).

Jesus ressuscitou com seu próprio corpo: “Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu mesmo” (Lc 24,29). Da mesma forma em Cristo, todos “ressuscitarão com seu próprio corpo, que têm agora” (IV Concílio de Latrão de 1215). Toda vida o corpo humano será “transformado em corpo glorioso” (Fl 3,21), em “corpo espiritual” (1 Cor 15,44).

Se é verdade que Cristo nos ressuscitará no futuro, também é verdade que, de certo modo, já ressuscitamos com o Redentor. Isso porque, “graças ao Espírito Santo, a vida cristã é, já agora na terra, uma participação na morte e ressurreição de Cristo” (Catecismo da Igreja Católica, no. 1002).

Pelo batismo, nós nos tornamos unidos a Jesus, participantes da vida celeste de Cristo ressuscitado (Fl 3,20). São Paulo assevera:  Vós o “fostes sepultados com ele no batismo, também com ele ressuscitastes, pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. Se, pois, ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Cl 2,12;3,1).

Nós pertencemos à Igreja, o corpo de Cristo. Cada um de nós é membro do corpo de Cristo ressuscitado (1Cor 6,13-15.19-20).

 

Esperança do céu

A celebração do dia 2 traz o anúncio profético da esperança do céu. A ressureição dos mortos é porta de entrada no céu.

O céu é a finalidade última da vida dos seres humanos. Constitui a realização das aspirações mais profundadas de cada pessoa humana. Expressa o destino feliz dos seres humanos que orientaram a totalidade da vida para Deus.

O céu é o estado de felicidade perfeita e suprema e definitiva, alcançado após a morte e a ressurreição dos seres humanos. É a plenificação da vida cristã, recebida como dom de Deus no sacramento do batismo.

O céu é a realização completa da salvação e da santificação. É o paraíso transcendente. É o Reino definitivo e total de Deus.

Como cristãos, nós devemos desejar e buscar, toda a confiança, alegria e esperança, o céu. Em Deus nós encontramos nossa realização, nossa redenção e felicidade.

No paraíso eterno está a Santíssima Trindade: Pai Misericordioso, Jesus Cristo e Espírito Santo. No céu também habitam Nossa Senhora, os anjos, os santos e os mártires.

Os que morrem na graça e na amizade com Deus vivem para sempre com Cristo. São justos que fizeram e fazem a vontade de Deus em suas existências.

Assim, de acordo com a revelação cristã, estão no céu todas as pessoas santas que morreram antes da paixão de Jesus e foram beneficiadas, por antecipação, de sua salvação. Encontram-se também todos os fiéis falecidos, já batizados, que não precisaram de ulterior purificação.

Entram no céu as pessoas que, após a morte, já foram purificados de seus pecados e suas penas. Participam da glória eterna também as pessoas que, sem terem condições conhecer Jesus e seu projeto salvífico, viveram na retidão de sua consciência na prática do bem, do amor, da verdade e da justiça.

O céu é o acabamento da santidade que os cristãos começaram na terra, com seu batismo. Durante sua peregrinação histórica, eles procuraram colaborar com a graça de Deus no processo de sua santificação. O céu tornou a santidade dos cristãos completa e definitiva.

Jesus é o único caminho que nos leva para o céu (Jo 14,6). Morrendo e ressuscitando, Jesus nos salvou e nos abriu as portas do paraíso eterno.

A vida dos bem-aventurados, que estão no céu, consiste na conquista total dos frutos da redenção realizada por Jesus. O Cristo associou à sua glorificação aqueles que crerem nele e foram fiéis ao seu Evangelho.

O céu é a comunidade bem-aventurada de todos que estão perfeitamente incorporados ao Salvador. Viver no céu é viver com Cristo, como amigo que está com seu melhor amigo (Jo 14,3;Fl 1,23;Ap 2,17).

O céu consiste em amar e possuir definitivamente a Deus, desfrutando de seu infinito Bem e, com Ele, de todos os outros bens. No paraíso eterno não haverá possibilidade de maldade e de pecado de espécie alguma, pois Deus satisfará de tal modo cada justo que o pecado não terá atração alguma. No paraíso eterno todos serão definitivamente felizes na bondade de Deus, porque Ele é a fonte única da felicidade para o ser humano (1Cor 2,9;13,12;1Jo 3,2;Ap 22,4).

No céu os bem-aventurados viverão em plena comunhão de amor com a Santíssima Trindade. A maior alegria deles é a convivência intensa e efetiva com o Pai, que os criou, com o Filho de Deus, que os redimiu, e com o Espírito Santo, que os santificou. Os salvos participarão da vida da Trindade santa.

No céu reúnem os amigos para sempre. Isso porque veem a Deus tal como é, face a face (1Cor 13,12;;Ap 22,4). Os filhos de Deus alçarão a visão beatífica quando forem semelhantes ao Senhor na eternidade.

A visão beatífica é o conhecimento nítido, direto e pleno de Deus no céu. É a visão da glória de Deus, prometida aos justos (Jo 17,24). É a contemplação intuitiva e total de Deus como elemento essencial para os anjos e as pessoas humanas no paraíso eterno (Ap 22,4). No céu nós teremos condições de ve Deus imediatamente, sem intermediação (1Jo 3,2).

A visão beatifica depende de Deus. Em razão de sua transcendência, Deus só pode ser visto tal como é quando Ele mesmo se revela e revela seu mistério à contemplação dos seres humanos e os capacitar para tanto. “Qual não será sua glória e sua felicidade: ser admitido a ver Deus, ter a honra de participar das alegrias da salvação e da luz eterna na companhia de Cristo, o Senhor teu Deus, de desfrutar no Reino dos Céus, na companhia dos justos e dos amigos de Deus, as alegrias da imortalidade adquirida” (São Cipriano, bispo e mártir).

 

Comunhão dos santos

A comemoração do dia 2 ressalta a comunhão dos santos. Nós participamos da comunhão dos santos enquanto membros da Igreja.

A comunhão dos santos é a união íntima e o influxo mútuo dos cristãos da terra, das almas do purgatório e dos santos do céu. Formam uma comunidade amorosa e solidária.

A comunhão dos santos é traço essencial da Igreja de Jesus. É a próprio povo de Deus, onde o menor ato realizado na caridade, tem repercussões benéficas para todos, precisamente por causa da força fraterna da comunhão dos santos e em que qualquer pecado prejudica essa união.

O vínculo da comunhão dos santos compreende: a Igreja militante, composta de todos os fiéis peregrinos na terra, mesmo os pecadores, embora não participem nela plenamente; a Igreja padecente, formada pelas almas do purgatório que estão se purificando; e a Igreja triunfante, que abrange os bem-aventurados do céu. Na unidade em Cristo, eles podem se ajudar reciprocamente.

Os fiéis da terra estão em comunhão com os demais por participarem dos mesmos sacramentos e se ajudarem mutuante pelas orações e boas obras. Têm união com as almas do purgatório ao orarem por elas e com os santos do céu alcançando por sua prece graças e bênçãos.

Na Igreja a unidade dos fiéis da terra e os falecidos se mantem sempre. “A união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo de maneira alguma se interrompe; pelo contrário, segundo a fé perene da Igreja, vê-se fortalecida pela comunicação dos bens espirituais” (Concílio Vaticano II. LG, no. 49).

Na comunhão dos santos, os bem-aventurados do céu intercedem pelos fiéis da terra. “Pelo fato dos habitantes do céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade de toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Jesus Cristo. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (Concílio Vaticano II. LG, no. 49).

Em seu estado terminal, perto do falecimento, São Domingos disse aos seus confrades: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida”.

Na Igreja, nós devemos estreitar nossos vínculos de fé e de amor com os santos do céu. “Veneremos a memória dos habitantes do céu não somente a título de exemplo; fazemo-lo ainda mais para corroborar a união de toda a Igreja no Espírito, pelo exercício  da caridade fraterna. Pois, assim como a comunhão entre os cristãos da terra nos aproxima de Cristo, da mesma forma o consórcio com os santos nos une a Cristo, do qual, como de sua fonte e cabeça, promana toda a graça e a vida do próprio Povo de Deus” (Concílio Vaticano II. LG, no. 50).

Como povo de Deus, nós somos devemos estabelecer nossa ligação de oração com os falecidos. “Reconhecendo cabalmente esta comunhão de todo o corpo místico de Jesus, a Igreja terrestre, desde os tempos primitivos da religião cristã, venerou com grande piedade a memória dos defuntos e já que é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados (2Mc 12,46), também ofereceu sufrágio em favor deles (Concílio Vaticano II. LG, no. 50). A nossa oração por falecidos pode não somente ajuda-los, mas também tornar eficaz sua intercessão por nós.

Como corpo de Cristo, nós a única família de Deus. “Todos os que somos filhos de Deus e constituímos uma única família em Cristo, enquanto nos comunicamos uns com os outros em mútua caridade e num mesmo louvor à Santíssima Trindade, realizamos a vocação própria da Igreja” (Concílio Vaticano II. LG, no. 51).

Indulgência

O dia de finados possibilita a indulgência aos cristãos. A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do sacramento da reconciliação.

No dia 2 de novembro, os cristãos, que visitam os cemitérios e rezam pelos falecidos, têm a oportunidade de fazer a indulgência plenária, aplicável aos defuntos. Tal indulgência é válida diariamente, do dia primeiro ao oitavo de novembro. Lembrando que as condições de indulgência são: confissão sacramental, comunhão eucarística, profissão da fé e oração nas intenções do Papa. Nos restantes dos dias do ano a indulgência é parcial.

Outrossim, no dia 2 de novembro, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semipúblicos, lucra-se a indulgência plenária, também só aplicável aos defuntos. Prescreve-se que os cristãos façam a piedosa visitação à igreja, durante a qual devem realizar a confissão sacramental, a comunhão eucarística e a oração na intenção do Papa. Essa oração pode ser um Pai-nosso, uma Ave-Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção.

A indulgência é a remissão da pena temporal devido aos pecados já perdoados. “As indulgências são a remissão diante de Deus da pena temporal merecida pelos pecados, já perdoados quanto à culpa, que o fiel, em determinadas condições, adquire para si mesmo ou para os defuntos mediante o ministério da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui o tesouro dos méritos de Cristo e dos Santos (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, no. 312).

Em cada pecado cometido há um duplo mal cometido: o pecado é uma ofensa pessoal a Deus; e um desiquilíbrio da ordem da justiça. O pecador precisa do perdão de Deus e da restauração da justiça.

Podemos ilustrar a doutrina das indulgências com o exemplo dos pais e do filho. O filho que deliberadamente quebra uma vidraça em sua casa comete dois erros: ofende seus pais e pratica uma injustiça.

A atitude que, em geral, os pais tomam manifesta claramente que reconhecem o duplo mal da ação, pois de um lado perdoarão o filho que revela o arrependimento, mas, por outro lado, vão impor-lhe uma pena ou uma punição que poderá variar de acordo com as circunstâncias: privação de algum divertimento, fazer um ato corretivo ou mesmo providenciar o concerto da vidraça.

Em sua misericórdia, Deus também perdoará qualquer pecado se o pecador estiver arrependido. Todavia, exigirá que o pecador repare tanto a injustiça praticada como o distúrbio causado pelo pecado na ordem divina.

O distúrbio da ordem divina que o pecado causou pode ser expiado de diversas maneiras: pelo sacramento da reconciliação ou por sofrimentos e boas obras nesta vida, aceitos pelo pecador e oferecidos a Deus como expiação pelos males cometidos.

Os pecados não expiados nesta vida serão expiados pelo sofrimento no purgatório após a morte da pessoa. Este sofrimento devido aos pecados perdoados é conhecido como pena temporal, porque perdura somente algum tempo e não é eterno.

A indulgência é parcial ou plenária conforme livra parcial ou totalmente da pena temporal. Todos os fiéis podem lucrar para si mesmos ou aplicar aos defuntos, a modo de sufrágio, as indulgências tanto parciais como plenárias.

A indulgência é uma expressão da função de santificar própria da Igreja. Ao conceder uma indulgência ao fiel, a Igreja aplica os méritos de Cristo, de Maria e dos santos, para redimir a pena temporal.

A Igreja tem o poder de absolver seus membros da pena temporal. O próprio Jesus disse aos apóstolos: “Tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também no céu” (Mt 18,18).

Ao conceder uma indulgência às almas do purgatório, a Igreja não pode absolvê-las da pena temporal do mesmo modo que aos fiéis vivos, pois os falecidos não estão mais sujeitos à Igreja. A indulgência concedia a uma alma do purgatório é um feito pela Igreja a Deus para que Ele aplique os méritos de Cristo, de Maria e dos santos às almas dos mortos ou a uma alma em particular. Já que a Igreja é a esposa de Cristo espera-se com plena confiança que Deus ouvirá e responderá à suplica da Igreja.

Em geral, as exigências para ganhar indulgência são as seguintes: ser batizado; estar em estado de graça, ao menos no momento em que se termina a obra prescrita; ter a intenção, pelo menos geral, de lucrar a indulgência; cumprir exatamente as condições prescritas pela Igreja quanto ao tempo, lugar e a maneira. As orações estabelecidas (Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai, Credo Apostólico) devem ser vocais, ou seja, pronunciadas verbalmente.

Os requisitos para obter uma indulgência plenária são: confissão sacramental, comunhão eucarística, uma visita a uma igreja ou oratório público, e orações pelas intenções do Papa. Essas preces são: Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai, Credo Apostólico. A confissão sacramental pode ser feita dentro dos oito dias que precedem ou seguem o tempo marcado para lugar a indulgência. A comunhão eucarística pode ser feita no mesmo dia ou oito dias seguintes.

 


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