Home Cidades Araçatuba Arroba do boi tem aumento de 10% em menos de um mês em Araçatuba e preço da carne bovina sobe novamente

Arroba do boi tem aumento de 10% em menos de um mês em Araçatuba e preço da carne bovina sobe novamente

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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

“Está aumentando e vai aumentar mais”. Estas foram as palavras de um pecuarista araçatubense em conversa com a reportagem sobre o preço da arroba do boi gordo e, consequentemente, da carne bovina para o consumidor final que vai aos supermercados e açougues da cidade.

Dados da Scot Consultoria desta quarta-feira, último dia do mês de setembro, mostram que a arroba do boi gordo está em R$ 250. No último dia 4 de setembro, o jornal O LIBERAL REGIONAL já havia publicado matéria que e

xplicava que este preço influi diretamente no valor da carne bovina comprada no supermercado, e na época a arroba do boi estava sendo vendida a R$ 240. O aumento foi, portanto, de 4,16% em menos de um mês. Pecuaristas de Araçatuba relatam, porém, aumento de mais de 10% em relação ao final de agosto em negociações diretas com frigoríficos da região.

Cada arroba representa 15 quilos da carcaça do bovino, que exclui o couro, o sangue, o sebo e os miúdos do animal no momento da pesagem.

Os números da Scot Consultoria ainda mostram que o preço da arroba do boi em Araçatuba é o quarto mais valorizado do país, ficando atrás até dos preços no Sul (R$ 253) e Oeste da Bahia (R$ 254) e em Alagoas (R$ 262).

O resultado desta valorização foi um novo aumento de preços da carne bovina ao consumidor final. A reportagem voltou ao mesmo supermercado de Araçatuba que havia sido consultado para a matéria publicada no último dia 4 de setembro e constatou novo crescimento nos valores.

O quilo de fraldinha, por exemplo, que em 4 de setembro era vendido a R$ 23,98, ontem estava sendo comercializado a R$ 26,58, alta de 10,8%. O patinho também subiu de R$ 29,88 no começo do mês passado para R$ 32,98 no final do mês, alta de 10,3%.

Outros cortes populares como paleta bovina, coxão mole e miolo do acém também registraram nova alta de preços. A paleta bovina e o miolo do acém tiveram alta idêntica à de fraldinha, de R$ 23,98 para R$ 26,58. Já o coxão mole registrou 4 reais de aumento em menos de um mês, passando de R$ 29,98 em 4 de setembro para R$ 33,98 no dia de 30 de setembro, valorização de 13,3%.

10% de valorização

Em conversa, por telefone, com a reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL, o pecuarista araçatubense Jorge Rezek Neto confirma que os negócios já estão sendo feitos com os novos preços, na faixa de R$ 250 a arroba do boi.

“Eu vendi no preço de R$ 227 no final de agosto e agora em R$ 250 no final de setembro”, afirmou Neto, confirmando que desde o final de agosto, o crescimento chegou a mais de 10% no preço.

Animal vivo

Para ele, um dos grandes fatores para o aumento de preço é a procura maior pelo animal vivo no mercado externo, o que está desequilibrando a dinâmica interna da criação de gado.

“O Brasil está exportando gado vivo, garrote e bezerro pra países da Ásia, da Europa, e com isso o preço do bezerro encareceu. Um bezerro hoje estão falando aí na faixa de R$ 2.300 a R$ 2.500. Com essa alta do bezerro, se você tiver uma novilha e abatê-la, mesmo com essa alta do preço, se ela der 10 ou 11 arrobas ela não dá nem R$ 2.500, aí você vai vender uma novilha gorda e não compra um bezerro”, explicou. Jorge Rezek Neto ainda segue. “Está tendo maior procura por touros de diversas raças, maior procura por sêmen, o pecuarista voltou a querer produzir o próprio bezerro, como o bezerro está caro. E essas fêmeas que iam para abate foram destinadas para procriação, então diminuiu a quantidade de animais a serem abatidos, porque as fêmeas estão sendo abatidas em bem menor número por causa do preço do bezerro”, concluiu.

Desequilíbrio

Para o pecuarista, deveria haver uma inferência do governo federal, através do Ministério da Agricultura, para que houvesse um equilíbrio maior na exportação e na venda interna de bovinos para não causar a falta do animal no mercado interno.

“(A exportação de) animal vivo acho que devia ser contida pelo Ministério da Agricultura, porque altera toda a dinâmica interna, você não tem o bezerro você tem que pagar caro no garrote, aí você pagando caro no garrote você não consegue soltar o seu boi, você fica fazendo cálculo até dar uma margem de lucro né. Então tem menos bois acessíveis ao frigorífico e com isso ele tem que subir o preço”, seguiu explicando. “Se não tivesse essa exportação do animal vivo e sim só a do animal abatido, seria mais interessante porque esse gado vivo estaria aqui. Alguém estaria vendendo e alguém estaria comprando. Então o mercado de reposição estaria em equilíbrio que hoje não está”, opinou.

Segundo o pecuarista, o fato complicou até o negócio entre os criadores no mercado interno, já que ficou mais difícil a venda dentro do país do animal, pelo motivo de a valorização estar maior na exportação. “Hoje se você ganhar na loteria e falar “vou comprar 10 mil cabeças de gado” você não acha pra comprar, antigamente você achava”, concluiu Rezek Neto.

Frango e porco mais caros

Rezek Neto ainda lembrou que não só a carne bovina, mas também a carne de frango e suína devem seguir aumentando de preço. No caso das duas últimas, o preço da ração ficou mais alto pelo aumento do milho e da soja, principais componentes da alimentação destes animais.

VIVOS – Animais vivos estão valorizados no mercado externo e estão causando falta de bovinos para o abate dentro do país

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