Diego Fernandes – Araçatuba
Os ânimos ficaram exaltados durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Araçatuba na noite da última segunda-feira (14). O vereador Arlindo Araújo (MDB) se irritou durante a justificativa do colega parlamentar Nelsinho Bombeiro (PV), atirou um objeto contra o colega, e iniciou uma discussão ríspida, precisando ser contido por pessoas que estavam no plenário.
Arlindo já havia se irritado com a não aprovação do projeto de lei de sua autoria que estendia os benefícios das pessoas com deficiência para pessoas com problema renal ou em tratamento oncológico, dando direito a eles dos mesmos benefícios de PCDs.
Apenas os vereadores de oposição ao prefeito Dilador Borges (PSDB) votaram a favor do projeto. Além de Arlindo, Lucas Zanatta (PL) e Luis Boatto (MDB) foram favoráveis, contra 10 votos contrários, sendo que a presidente Cristina Munhoz (União Brasil) não vota e o vereador Coronel Guimarães (União Brasil) segue ausente por problema de saúde.
Após a votação, Arlindo demonstrou irritação, criticou os colegas e chamou os vereadores que não gostaram do seu discurso para “conversar lá fora” dizendo que “terá o maior prazer em sentar a mão na lata de todo mundo”.
“Se tiver algum que está nervoso por dentro, vai lá conversar comigo lá fora, pode ir um por um, que eu vou ter o maior prazer de sentar a mão na lata de todo mundo. Se depois quiser caçar o meu mandato, falar que eu estou ameaçando, eu não estou ameaçando, estou falando que eu converso com qualquer um lá fora”, afirmou.
Arlindo criticou os vereadores da base governista e chamou de “ditador” o atual prefeito, sugerindo que o chefe do executivo impõe suas vontades aos seus aliados na Casa Legislativa.
“Isso aqui não tem cabimento, eu sei que foi ordem do prefeito, do ditador. E não me venham com desculpas esfarrapadas, não tem lógica isso. Vocês se assemelham realmente a seres mitológico que moram no tártaro, na natureza dos quintos dos infernos”, vociferou o vereador.
O vereador Lucas Zanatta (PL), favorável ao projeto, também criticou o atual prefeito e pediu explicações a ele sobre a não aprovação do projeto de benefício a pessoas com problemas renais e com câncer.
“É nítido que isso foi uma decisão do prefeito, agora justifica esse fato específico. Por que esse projeto que os três que ele sempre diz que votam contra a cidade, no que prejudica a cidade? É de ficar nervoso, eu já passei por isso aqui, um projeto desse, tem que ser explicado, e é o senhor prefeito mesmo que tem ser explicado”, endossou Zanatta.
O vereador Nelsinho Bombeiro (PL) pediu a palavra e foi o único dos que votou contrário a justificar o voto. Segundo ele, já há benefícios previstos em lei federal para este público e ele não era obrigado a votar favorável. Enquanto ele falava, Arlindo, que se posiciona atrás dele no plenário, ficou criticando o colega, mas perdeu mesmo a paciência quando Nelsinho afirmou que ele havia copiado e colado o texto do projeto.
“Primeiro que o próprio vereador falou para mim ‘eu nem vi porque eu copiei e colei isso aí’”, momento no qual foi interrompido por Arlindo, que atirou um objeto não identificado contra Nelsinho e ameaçou partir para cima dele.
“Levanta, eu não falei nada, não copiei nada, está rindo do que? Não mente”, foram algumas das palavras gritadas por Arlindo enquanto levantou-se e ficou mais próximo de Nelsinho, que permaneceu sentado. “Vassalo do prefeito”, proferiu Arlindo que precisou ser contido por uma pessoa que estava no plenário. Enquanto isso, a presidente Cristina Munhoz tentou apaziguar a situação.
Após o momento de fúria de Arlindo, o som da transmissão oficial da sessão foi cortado e logo a discussão sobre o projeto foi encerrada e a ordem do dia seguiu normalmente.
Nelsinho Bombeiro afirmou ao final da discussão que vai procurar os meios jurídicos para tratar do que aconteceu.

