Da Redação – Araçatuba
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Araçatuba foi impedida por um grupo de militantes de fazer a transferência, na manhã desta terça-feira (16), de 85 animais do antigo “Zoológico Municipal Dr. Flávio Leite Ribeiro” para um parque do Rio de Janeiro.
A medida, que tinha o objetivo de abrigar os animais de forma correta, sempre pensando em seu bem-estar, atendia solicitação da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, que gerenciou as tratativas com a empresa carioca. Uma equipe da Polícia Militar Ambiental acompanhava todo o trâmite.
Um caminhão adaptado para o transporte dos animais – aves, emas, jabutis e uma anta – estacionou em uma área fechada ao público por volta de 7h. Um biólogo e funcionários da empresa HS Ambiental, que atende zoológicos de todo o Brasil, com mais de dez anos no mercado, começaram o trabalho, quando o grupo entrou no local, questionando os métodos de manejo, os tamanhos das caixas onde seriam colocados, a forma como os animais maiores eram capturados e fazendo filmagens para suas redes sociais.
Agilidade
O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Marques, que acompanhava a equipe, explicou que o pedido de transferência dos animais para o Parque das Aves Arara Azul, localizado na cidade de Miguel Pereira (RJ), foi feito pelo Governo do Estado e que precisou agir rapidamente, porque a Autorização de Manejo da Fauna Silvestre tem a duração de apenas sete dias.
Marques explicou ainda que não havia necessidade de informar o Comdema (Conselho Municipal de Meio Ambiente) porque, além de estarem cientes dos trabalhos de transferência, cujas tratativas começaram em julho, esse tipo de ação envolve apenas os órgãos estadual e municipal.
Conhecimento técnico
Sobre a forma como os animais seriam transportados, Marques explicou que a empresa contratada tem conhecimento técnico e vem prestando serviços ao governo do Estado há um bom tempo, sempre seguindo todos os trâmites exigidos.
“Entre os vídeos que circulam pela internet está o de vários jabutis em uma mesma caixa. Pode parecer cruel, mas isso é preciso para que não haja folgas, fazendo com que os animais se movimentem e até fiquem feridos durante a viagem”, explicou o secretário. “Além disso, a equipe não faz o trajeto direto, mas estaciona a cada hora para dar água, alimentá-los e verificar se está tudo bem”, destacou.
Marques também explicou que não estava errada a forma que uma ema foi capturada por um dos funcionários, gerando críticas por ele ter que agarrá-la para evitar que fuja. Essa foi outra imagem que repercutiu nas redes sociais. “Para capturar um animal como esse, que é muito ágil, existem duas formas: ou sedá-lo ou agarrá-lo, como foi feito. Evitamos o uso de medicamentos, pois podem prejudicar os animais”, completou.
Estresse
Após conversar com os militantes, que várias vezes se exaltaram, Marques decidiu cancelar a transferência, porque chovia e os animais já estavam ficando estressados com a movimentação.
“Nossa intenção é transformar este espaço em um parque. Nosso antigo zoológico não é mais adequado. E em pleno 2025 as pessoas não querem mais ver animais presos. Os militantes sabem disso. Decidimos cancelar o manejo para ouvi-los novamente. Depois disso, iniciaremos outra vez as tratativas com o Estado”, disse.
Boletim de ocorrência
Os vereadores Edna Flor (Podemos), Luís Boatto (PSD), Gilberto Batata Mantovani (PSD) e Ícaro Morales (Cidadania), junto com a presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos dos Animais, a advogada Dra. Mariana Oliveira, além de outros apoiadores da causa animal, fizeram um boletim de ocorrência na Central de Polícia Judiciária por conta do transporte que, na visão deles, seria inadequado para os animais.
Ao longo da manhã, o caso ganhou repercussão após os parlamentares publicarem vídeos nas redes sociais com imagens do transporte de animais que seria realizado.



