*Marcelo Teixeira
Na rua Pedro de Toledo, às sextas-feiras, na garagem ou na calçada da casa do Caetano nos reunimos. Vai jornalista, publicitário, advogado, empresário, servidor público (professor, policial e outros), assistente social, confeiteira, entregador, programador etc. Tomamos cerveja e falamos de política, economia, futebol, música, literatura – arte e cultura de forma geral –, e por aí vai. Os mais antigos começaram a se reunir para happy hour ainda quando a residência do anfitrião era na rua Brigadeiro Luiz Antonio – isso foi há mais de 35 anos.
Neste meio tempo*, uns somaram-se, outros apartaram-se, alguns partiram, como Marcelo Lujan (2016). Também perdemos a Dona Luíza (2010) e a Neide (2021), avó e mãe do Caetano. Fazem falta. Antes da passagem de Neide, sobre a ausência, Caetano havia escrito:
“da sua antípoda, já vi a dor
mas da sua referência, a pungência
que subtrai o que nos conforta
e desvela o vazio que nos ronda
a ausência da minha vó
de um velho amigo
de tudo que me cercou
e não está mais aqui”
Todas as circunstâncias destes anos de conversas, cafés, cervejas, risos e lágrimas me levam a refletir sobre a importância da amizade, um dos vínculos mais profundos e significativos que os seres humanos podem desenvolver.
Preciso dela para me conectar, dar e receber apoio. Leio que aqueles que desenvolvem relacionamentos mais fortes e confiáveis têm maior probabilidade de prosperar e transmitir o seu legado. Trata-se de mecanismo de sobrevivência, baseado na confiança mútua e na cooperação.
A amizade transcende raízes evolutivas e se torna pilar da cultura humana. Ela enriquece a minha vida com suporte emocional, conforto, compreensão e compartilhamento de experiências. Me dá senso de pertencimento e me ajuda a lidar com os desafios da vida.
Caetano, Ceará, Mari, Osvaldo, Neto, Ju, Luciano, dois Marcos Aurélios, Rita, Lino, Xexê, Paulinho e Camila são pessoas em quem confio para compartilhar as minhas alegrias e tristezas, meus sucessos e fracassos.
Eles influenciam os meus valores, interesses, entendimentos e crenças, me ensinam a respeitar as diferenças e a ser tolerante. É um alicerce. E, para além do “mau hábito” semanal da bebida alcoólica, também nos motivamos na prática de atividade física, sendo que parte do grupo frequentemente treina corrida da rua.
Criamos laços, sem saber quanto tempo vão durar – e isso não importa –, que fortalecem os nossos vínculos sociais e promovem a coesão, fazem bem para a saúde mental.
Aos poucos, as minhas amizades se transformaram em algo profundo e significativo na minha vida, portanto, cultivá-las e valorizá-las me fazem acreditar que posso contribuir para um mundo melhor.
*Em tempo: embora não fizesse parte da turma que começou a se reunir na Brigadeiro, a passagem do Marçal (José Marçal de Oliveira), em 2004, foi sentida e até hoje á lamentada.
*Marcelo Teixeira é jornalista e membro da Academia Araçatubense de Letras (AAL)

