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    Home»Cidades»Araçatuba»A Importância da fé
    Araçatuba

    A Importância da fé

    By dfernandesmr15 de setembro de 20251 comentário4 Mins Read
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    *Marcelo Teixeira

    Fé é uma palavra curta carregada de séculos de debates, esperanças e contradições. É sobretudo, um modo de se relacionar com a incerteza, não se tratando apenas de um conceito religioso. A fé nasce no mesmo lugar em que florescem as dúvidas, porque o ser humano, ao perceber a fragilidade da própria existência, cria narrativas que oferecem sentido. É nesse espaço, entre a limitação do que se pode controlar e a imensidão do que escapa ao domínio humano, que a fé se torna necessária.

    Desde as primeiras civilizações, ela funciona como cimento social. Povos que acreditavam nos deuses do sol, da chuva ou da colheita encontravam explicação para o imprevisível e, assim, construíam ordem diante do caos. Mais tarde, as grandes religiões estruturaram códigos morais que deram coesão às comunidades, regulando desde a vida familiar até a política. Nesse aspecto, a fé ultrapassa o plano individual. Ela organiza sociedades, inspira obras de arte e conduz revoluções silenciosas ou grandiosas.

    Dentro da tradição cristã, a fé ocupa ainda um lugar de destaque, sendo reconhecida como uma das virtudes teologais, ao lado da esperança e da caridade. Virtudes não são talentos inatos, mas disposições que orientam a vida para algo maior. Nesse sentido, a fé é mais do que crença, é um ato de confiança que alimenta a esperança e prepara o terreno para a caridade. Trata-se, portanto, de uma atitude que ultrapassa o mero acreditar. É viver como se o invisível fosse concreto e o intangível fosse norte.

    No entanto, é preciso reconhecer que a fé não é sinônimo de ausência de razão. Um dos erros mais comuns é colocá-la como oposição ao pensamento crítico. A história mostra que mentes brilhantes, como Santo Agostinho, Tomás de Aquino ou até contemporâneos como o papa Francisco, refletiram de maneira sofisticada sobre ela. A fé pode, sim, dialogar com a ciência, a filosofia e a política, desde que não se torne instrumento de intolerância. E aqui cabe uma observação essencial: possuir fé não torna ninguém melhor do que aquele que não a possui. O valor de uma pessoa não se mede pela crença que carrega, mas pela ética de seus atos e pela forma como se relaciona com os outros. A fé pode ser fonte de bondade, mas também a ausência dela não significa ausência de virtudes.

    No plano íntimo, a fé cumpre outra função essencial: ela consola. Quem enfrenta a dor, a doença ou o luto sabe que a racionalidade tem limites. É nesse momento que a fé surge como uma ponte invisível, permitindo acreditar que a vida é maior do que a morte, que a esperança é mais duradoura do que o desespero. Não por acaso, hospitais, campos de refugiados e até prisões são lugares onde a fé encontra terreno fértil. Ela não elimina o sofrimento, mas oferece um horizonte para atravessá-lo.

    O risco, evidentemente, é quando a fé degenera em fanatismo. A mesma força que consola pode também dividir. Quando se transforma em arma política ou instrumento de ódio, perde a sua essência e se torna caricatura de si mesma. Por isso, a fé precisa ser acompanhada da humildade: admitir que o outro, diferente de mim, também tem direito à crença – ou até à descrença.

    Em última instância, a importância da fé reside no fato de que todos nós precisamos de um fio de esperança que sustente os dias. Mesmo os que se declaram ateus praticam, em alguma medida, uma fé secular: acreditam na ciência, no progresso, no amor ou na força da justiça.

    A fé, então, é menos sobre templos e mais sobre humanidade. É a capacidade de olhar para o incerto e, ainda assim, caminhar. Não porque tenhamos provas, mas porque precisamos de esperança. E sem esperança, como já disse Rubem Alves, a vida se tornaria apenas sobrevivência.

    *Marcelo Teixeira é jornalista profissional diplomado e integrante da Academia Araçatubense de Letras, onde ocupa a Cadeira 11

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    View 1 Comment

    1 comentário

    1. Hélio Consolaro on 15 de setembro de 2025 09:57h

      “A fé, então, é menos sobre templos e mais sobre humanidade.” Parabéns, Marcelo.

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