De Andradina para a terra do sol nascente

O interior paulista tem exportado corajosos para o mundo. A segunda matéria sobre pessoas que deixaram o Brasil para experimentar a vida em outros países, apresenta a história de Wilson Takanashi.

Andradinense, ele está no Japão desde março de 1990, há mais de 27 anos.

“Sai de Andradina pela baixa expectativa de arrumar um bom trabalho e ter uma vida tranquila. A curiosidade de viver em outro país e conhecer outra cultura também me motivou a vir embora”, relembra.

A ideia era retornar ao Brasil após três anos, porém os planos mudaram e ele continua até hoje no Japão. “Eu acreditava que nosso país melhoraria, mas, infelizmente, de lá para cá as coisas só pioraram”, conta.

MENTALIDADE
A preparação dos documentos de Wilson para deixar o Brasil durou quatro meses. Ele conta que foi um dos primeiros brasileiros a chegarem na região onde mora.

“Na época, o governo japonês decidiu conceder visto especial de trabalho para filhos e netos de japoneses, nisseis e sanseis (segunda e terceira geração). Nesse momento se iniciou o movimento dekassegui”, explica.

Apesar da rapidez na documentação, a adaptação dele no país foi lenta e gradativa.

“Minha principal dificuldade foi mudar a mentalidade. Cheguei aqui muito ‘brasileiro’, querendo levar vantagem em quase tudo. Mas aos poucos eu entendi que o respeito mútuo e a obediência às regras são fundamentais para viver aqui”.

A saudade da família e dos amigos também doeu. “Chorei muito nas vésperas de natal e sofri bastante com a saudade dos meus familiares e amigos. Aqui no Japão dia 25 de dezembro não é feriado, é dia comum. Mas eu sobrevivi”, comemora Takanashi.

CONSTRUÇÃO
Estabilidade e muito trabalho resumem, para Wilson, a vida no Japão. “As jornadas de trabalho são muito longas. Com o passar do tempo você acaba entendendo que troca sua juventude pelo trabalho, porém a vida aqui é muito estável e tranquila”.

Como fruto de toda essa dedicação, ele construiu sua família no país e hoje tem condições de manter a filha de 20 anos fazendo faculdade nos Estados Unidos. “É algo que seria quase impossível no Brasil”, ressalta.

BAGAGEM
Quando perguntado sobre o desejo de retornar para o Brasil, Wilson não esconde que sente muita falta da família e dos amigos que deixou. Mas prefere continuar no Japão.

“Alguns amigos que deixei já partiram e jamais irei revê-los. É um preço alto que se paga, mas eu sei que a minha bagagem já não caberia no quarto que eu deixei vazio aqui”.

SONHO ANTIGO
Além de fazer a vida no Japão, Wilson tinha um sonho de criança que conseguiu realizar.

“Desde criança ouvia a minha avó falar do Monte Fuji, vi algumas fotos antigas e desenhos do monte, vim pra cá com o objetivo de conhecê-lo e eu conheci”, comemora.

O andradinense está escrevendo um livro sobre o caminho de volta realizado pelos dekasseguis no Kasato Maru, que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil.

Karen Mendes

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