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    Home»Cidades»Andradina»De Andradina para a terra do sol nascente
    Andradina

    De Andradina para a terra do sol nascente

    By marcio123rocha27 de agosto de 2017Nenhum comentário3 Mins Read
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    O interior paulista tem exportado corajosos para o mundo. A segunda matéria sobre pessoas que deixaram o Brasil para experimentar a vida em outros países, apresenta a história de Wilson Takanashi.

    Andradinense, ele está no Japão desde março de 1990, há mais de 27 anos.

    “Sai de Andradina pela baixa expectativa de arrumar um bom trabalho e ter uma vida tranquila. A curiosidade de viver em outro país e conhecer outra cultura também me motivou a vir embora”, relembra.

    A ideia era retornar ao Brasil após três anos, porém os planos mudaram e ele continua até hoje no Japão. “Eu acreditava que nosso país melhoraria, mas, infelizmente, de lá para cá as coisas só pioraram”, conta.

    MENTALIDADE
    A preparação dos documentos de Wilson para deixar o Brasil durou quatro meses. Ele conta que foi um dos primeiros brasileiros a chegarem na região onde mora.

    “Na época, o governo japonês decidiu conceder visto especial de trabalho para filhos e netos de japoneses, nisseis e sanseis (segunda e terceira geração). Nesse momento se iniciou o movimento dekassegui”, explica.

    Apesar da rapidez na documentação, a adaptação dele no país foi lenta e gradativa.

    “Minha principal dificuldade foi mudar a mentalidade. Cheguei aqui muito ‘brasileiro’, querendo levar vantagem em quase tudo. Mas aos poucos eu entendi que o respeito mútuo e a obediência às regras são fundamentais para viver aqui”.

    A saudade da família e dos amigos também doeu. “Chorei muito nas vésperas de natal e sofri bastante com a saudade dos meus familiares e amigos. Aqui no Japão dia 25 de dezembro não é feriado, é dia comum. Mas eu sobrevivi”, comemora Takanashi.

    CONSTRUÇÃO
    Estabilidade e muito trabalho resumem, para Wilson, a vida no Japão. “As jornadas de trabalho são muito longas. Com o passar do tempo você acaba entendendo que troca sua juventude pelo trabalho, porém a vida aqui é muito estável e tranquila”.

    Como fruto de toda essa dedicação, ele construiu sua família no país e hoje tem condições de manter a filha de 20 anos fazendo faculdade nos Estados Unidos. “É algo que seria quase impossível no Brasil”, ressalta.

    BAGAGEM
    Quando perguntado sobre o desejo de retornar para o Brasil, Wilson não esconde que sente muita falta da família e dos amigos que deixou. Mas prefere continuar no Japão.

    “Alguns amigos que deixei já partiram e jamais irei revê-los. É um preço alto que se paga, mas eu sei que a minha bagagem já não caberia no quarto que eu deixei vazio aqui”.

    SONHO ANTIGO
    Além de fazer a vida no Japão, Wilson tinha um sonho de criança que conseguiu realizar.

    “Desde criança ouvia a minha avó falar do Monte Fuji, vi algumas fotos antigas e desenhos do monte, vim pra cá com o objetivo de conhecê-lo e eu conheci”, comemora.

    O andradinense está escrevendo um livro sobre o caminho de volta realizado pelos dekasseguis no Kasato Maru, que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil.

    Karen Mendes

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