Rubens Bizarro Romariz
“Se você não puder ser um pinheiro no topo da colina, seja então um arbusto no vale, mas seja o melhor arbusto à margem do regato.” ( Douglas Malloch.)
As árvores gemem de dor na Terra,
No gritar de todas as serras.
Caem uma a uma em choro,
Seiva escorrida pelo tronco mortalmente ferido.
Árvore, amada árvore,
Que treme e se agita na presença do homem,
… um construtor de deserto, nenhuma sombra depois,
… apenas, um fazedor de carvão.
No verde leito das florestas,
No perfume de todas as flores,
No tapete de todas as folhas adormecidas,
Nasce a água em pequenas fontes.
Doce anjo da natureza dos vegetais,
Desperta no agitar de todas as folhas,
Na absorção do Sol em fotossíntese…
Brota e rebrota, expirando oxigênio no sopro do ar.
O homem, após servir-se de todos os alimentos,
Apodera-se da árvore, fazendo da morte um prazer,
Devasta e polui, trazendo o vento em fumaças,
… e nem percebe a dor da natureza que o criou.
Há, contudo, sempre uma nova esperança,
Em cada semente caída, carregada pela chuva,
No cair de cada folha amarelada,
Perceber germinar a nova vida no nascer da Primavera.
Ainda ontem, nesse inverno inquieto de calor e frio, de vento sempre em agosto, olhando as folhas caídas do Ipê rolando pelo chão, às vezes para lá, outras para cá, deixei-me levar pela memória de todas as folhas de minha vida, e fiz minha oração em versos. Sim, porque as árvores possuem a paciência de Deus, afinal sempre dependeremos de todas as folhas novas que germinam na primavera, fazendo a vida da Terra renascer.
Escrevi hoje para o nosso “O Liberal” nesse Dia da Árvore, com a minha oração de minha origem do meu aniversário de 21 de setembro, o prenúncio da nossa Primavera.
RUBENS BIZARRO ROMARIZ É PROFESSOR, CRONISTA E ESCRITOR. ESCREVE PARA O LIBERAL REGIONAL
rb.romariz@gmail.com
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