Após rebelião, detentos de Mirandópolis são transferidos para outras unidades prisionais

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VITOR MORETTI – MIRANDÓPOLIS

Após uma noite tensa na unidade do regime semiaberto da penitenciária Nestor Canoa, em Mirandópolis, a terça-feira (17) foi marcada por novas tentativas de fuga e a transferência de mais de cem presos para outras penitenciárias da região.
A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL esteve no local durante a manhã de ontem. O clima ainda era de muita tensão, já que o barulho de bombas podia ser ouvido do lado de dentro da unidade.
Lá fora, familiares dos detentos se desesperaram a casa estampido e pediam notícias dos parentes. A esposa de um homem que cumpre pena há cinco meses no local por tráfico de drogas chegou por volta das 22h de segunda (16) e até às 8h de terça ainda não tinha notícias concretas.
“A gente fica sem saber o que fazer, porque eu não sei se ele ainda continua aqui ou se está na lista de feridos”, contou.
A movimentação de viaturas da Polícia Militar e veículos da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), além do helicóptero Águia, foi intensa durante todo o dia no local.
O Subcomandante da 3ª Cia da PM de Mirandópolis, Tenente Ilton Dias de Freitas Junior, concedeu entrevista coletiva a respeito da situação na penitenciária após a rebelião. Apesar de novas bombas terem sido jogadas, a situação foi controlada por volta das 20h de segunda.
“Cerca de 900 presos iniciaram o motim por conta da suspensão da saída temporária programa para essa terça. O GIR (Grupo de Intervenção Rápida) conseguiu conter a rebelião com o apoio da Polícia Militar. Agora cedo, mais bombas tiveram que ser lançadas, pois alguns aproveitavam da situação e tentavam fugir ou por alguma janela ou porta, que ficaram danificadas durante as ações”.

DANOS E TRANSFERÊNCIAS
Durante a rebelião, os detentos incendiaram colchões e móveis das celas. Muitas delas ficaram totalmente queimadas, sem condições de receber os presos.
Por conta disso, a SAP determinou a transferência de 200 sentenciados para outras unidades, conforme apurado pela reportagem. No início da tarde, cem deles foram transferidos para o regime fechado da penitenciária de Andradina. Até o fechamento dessa edição havia a expectativa da transferência dos outros cem para a penitenciária de Presidente Prudente.
O jornal O LIBERAL questionou a Secretaria a respeito das transferências, mas sobre o assunto, a passa não se manifestou até o fechamento dessa edição. Em relação ao motim informou que todas as medidas seriam tomadas e que não houve registro de fuga em Mirandópolis.

FERIDOS
Durante a rebelião na unidade foi necessária a ajuda de diversas equipes da Polícia Militar de toda a região, como as da Força Tática de Andradina e Araçatuba, o Canil, uma Companhia do Baep (Batalhão de Operações Especiais) de Presidente Prudente e do policiamento de todas as cidades que compõem o Batalhão de Andradina.
No total, 11 presos ficaram feridos por objetos cortantes. Quatro deles permaneceram internados no Hospital Estadual de Mirandópolis e o estado de saúde de um deles era considerado grave.

TENSÃO NO ESTADO
Ainda de acordo com a SAP, houve rebelião com fugas nos Centros de Progressão Penitenciária de Mongaguá, Tremembé e Porto Feliz. A última atualização trouxe a recaptura de 184 detentos em Mongaguá, 82 em Tremembé e 251 em Porto Feliz.
“A suspensão da saída temporária foi necessária, pois o benefício contemplaria mais de 34 mil sentenciados do regime semiaberto que, retornando ao cárcere, teriam elevado potencial para instalar e propagar o coronavírus em uma população vulnerável, gerando riscos à saúde de servidores e de custodiados”.

CPP de Valparaíso registra fugas

Enquanto as autoridades tentavam controlar a situação na penitenciária de Mirandópolis, presos do CPP (Centro de Progressão Penitenciária) iniciaram uma tentativa de motim, mas foi rapidamente controlada pelo GIR. Mesmo assim, dois sentenciados conseguiram fugir por meio de um canavial.
A confusão se deu no momento da tranca da noite. Detentos de dois pavilhões da unidade quebraram os cadeados e tiveram acesso a área de convívio comum.
Os dois fugitivos pularam os alambrados e conseguiram fugir, enquanto os outros rebelados foram contidos pela ação do Grupo de Intervenção Rápida e da Polícia Militar.
Um boletim de ocorrência foi registrado pelos policiais civis da cidade por volta das 22h30. Até aquele horário ainda não se sabia a identidade da dupla. O caso também seria investigado.


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