Home Cidades Andradina A menos de uma semana da eleição, decisão do TRE sacudiu os bastidores políticos da cidade

A menos de uma semana da eleição, decisão do TRE sacudiu os bastidores políticos da cidade

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ARNON GOMES – MIRANDÓPOLIS

Após um ano marcado por crise política, Mirandópolis vai às urnas neste domingo escolher o prefeito que terá a responsabilidade de governar a cidade pelos próximos 15 meses. E é em meio a um impasse judicial que a disputa se dará. Para a eleição suplementar, aquela que ocorre quando prefeito e vice-prefeito eleitos no último pleito municipal são cassados, dois nomes foram lançados: Everton Sodário (PSL) e Davi Boaventura (PSC).
Mas os acontecimentos da última semana, justamente a que antecedeu o pleito, “sacudiram” os bastidores políticos.
Na terça-feira passada, o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo) indeferiu a candidatura de Sodário porque foi constatada “dupla filiação” partidária no registro do seu vice, Ademiro Olegário dos Santos, o Mirão do Sisem (PSL). Mirão foi identificado nos quadros do PP, ou seja, diferentemente do partido pelo qual pretende concorrer. Sob o entendimento de que a chapa é “indivisível”, os desembargadores barraram as duas candidaturas. Na sexta, antevéspera da eleição, o TRE-SP rejeitou recurso apresentado por Sodário, pleiteando efeito suspensivo da decisão e para que seus votos sejam computados.
Dessa forma, o candidato do PSL não terá seus votos divulgados, ficando armazenados, podendo ser considerados válidos caso consiga reverter sua situação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Se vencer, Boaventura tomará posse no dia 4 de outubro. Caso contrário, o prefeito em exercício, Carlos Ortega (MDB), segue no governo até que haja uma decisão final sobre o indeferimento da candidatura de Sodário na instância máxima da Justiça Eleitoral.
Todo esse imbróglio veio à tona após o município, hoje com quase 30 mil habitantes, achar que já tinha visto os piores capítulos de sua crise política. A nova eleição no município só vai acontecer porque o TSE cassou, em maio, o então vice-prefeito José Antônio Rodrigues (SD). Para o órgão, ele não poderia ter disputado a eleição municipal de 2016 por ter contas rejeitadas quando governou a cidade. A decisão atingiu também a então prefeita Regina Mustafa (PV). Assim, em maio deste ano, ambos deixaram os cargos que ocupavam e, desde então, a cidade é governada, interinamente, por Ortega, que era o presidente da Câmara à época dos fatos.
QUEM É QUEM
Os 19.544 eleitores de Mirandópolis poderão escolher entre dois nomes que já possuem histórico político.
Boaventura é proprietário de um pesqueiro na cidade. Antes de se lançar candidato, ele teve participação em gestões passadas da Prefeitura. Foi chefe de gabinete e diretor de cultura durante o governo Chicão Momesso (PP), entre 2013 e 2016. Também chegou a ser vereador em Castilho.
Para Mirandópolis, dentre suas propostas, está a redução das taxas de violência entre jovens por meio da criação de espaços destinados a manifestações culturais, artísticas e educativas. Fala em implementar política municipal de resíduos sólidos, captando recursos federal e estadual para extinção do lixão e melhor projeto de reciclagem. Pretende também buscar maior envolvimento da população na tomada de decisões, com audiências públicas.
Sodário, por sua vez, é advogado e entrou na política como ativista, defendendo causas como a família, a vida e o mercado. Em 2018, foi candidato a deputado estadual pelo PSL do presidente Jair Bolsonaro. Obteve 12.609 votos, não conseguindo a eleição. Porém, foi o mais votado em Mirandópolis, o que lhe deu força para, agora, concorrer.
Seu plano mais extenso está no campo administrativo. Sodário fala em enxugar departamentos e cargos comissionados, aperfeiçoando plano de carreira, cargos e salários. Isso, além de criar uma espécie de “gabinete itinerante”, para despachar nos bairros.

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