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quarta-feira, maio 25, 2022

O poder do “não” em nossas vidas

FERNANDA COLLI
E nossa vida vai passando bem como o tempo, e a nossa coleção de “nãos” só parece aumentar. É o não que você recebe num emprego, o não de um projeto, um não no relacionamento… o fato é que essa coleção, que venhamos, não é nada agradável, é o que nos torna mais forte e mais resilientes durante nossa jornada.
Dói. Sabemos que dói. Quando o não é relacionado à sua essência, à sua vida e à sua história. Saímos na maioria dos “nãos” destruídos, como se acabássemos de tomar um pontapé rumo a um imenso buraco, escuro e fundo. O não pode fazer mal.
Mas por outro lado, temos a escolha de fazer com que esse não seja um acréscimo ou uma nova oportunidade de repensarmos sobre nossas atitudes. Se renovar. Por que recebi um não daquela pessoa? Será que agora é a hora de mudar ou simplesmente não era pra mim aquele lugar?
Esse poder de escolha é único e exclusivo de nós mesmos. Costumo sempre utilizar o exemplo do ovo e da cenoura: os dois quando envolvidos em água fervente tem reações diferentes: o ovo quando mais cozido, mas duro se torna ao contrário da cenoura, que se torna macia e saborosa. Cabe a nós escolher se nessa quentura de “nãos” seremos o ovo ou a cenoura.
O mais importante é sabermos que demos o nosso melhor. Isso ninguém poderá mudar, nem com um não. E saia da situação se amando; amando que deu o seu melhor; que foi uma boa pessoa; que tem a consciência tranquila. Siga com a noção de que você respeitou seus valores, sua educação e sua essência.
Que tenhamos a fé verdadeira sobre todas as coisas, inclusive pelo nosso não. E quando falo em fé verdadeira, significa que não é sobre Deus nos dar tudo o que pedimos, mas sim Ele nos providenciar o que há de melhor em nossas vidas.
Precisamos acreditar. E para começar a acreditar em algo, precisamos urgentemente acreditarmos em nós mesmos em primeiro lugar. Esse não é um convite ao conformismo ou a entrada permanente a uma zona eterna de conforto; é um convite de transformar os nãos em tijolos responsáveis em por construir a escada de nossa ascensão.
Que a gente chegue, permaneça e vá embora de todos os lugares, sob todos os “nãos” sabendo que fomos fiéis a quem somos. Sempre.
Porque o preço de ser verdadeiro muitas vezes é alto demais, mas a sensação da consciência sempre tranquila, é incomparável.
Fernanda Colli pedagoga, psicopedagoga, Arte Educadora, presidente do Conselho Municipal de Cultura.

 

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