A Justiça condenou mais dois réus que participaram do assalto e explosão da Protege em 16 de outubro de 2017, em Araçatuba. Agnaldo Francisco da Silva Pereira e Anderson Manoel de Souza foram condenados cada um a 82 anos, dez meses e 21 dias de prisão.
A sentença foi proferida pelo juiz de direito Roberto Soares Leite nessa quinta-feira (5). Os réus foram condenados pelo latrocínio do policial civil André Luís Ferro da Silva, pela tentativa de latrocínio de uma mulher que estava dentro de uma caminhonete e foi atingida por um tiro de raspão, mais uma tentativa de latrocínio contra 16 policiais militares que estavam na sede do CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior), crime de incêndio e de explosão.
“Os réus não poderão recorrer em liberdade, pois são reincidentes e portador de maus antecedentes. Além disso, é necessário manter a prisão preventiva para garantia da ordem pública, já que os crimes foram praticados com violência contra pessoas, e também a prisão preventiva é necessária para assegurar a aplicação da lei penal, haja vista a presente sentença condenatória, no regime inicial fechado”, afirmou o juiz na sentença.
Além do caso Protege, Agnaldo e Anderson foram condenados por envolvimento no assalto à Rodoban em Uberaba (MG), crime cometido em 6 de novembro de 2017.
CRIME
O assalto à Protege ocorreu em outubro de 2017. Os assaltantes agiram com sincronismo em diferentes frentes. Um grupo obrigou um motorista que estava em um posto às margens da Rodovia Marechal Rondon a atravessá-lo na pista. O bloqueio foi na altura do quilômetro 522. A manobra tinha como objetivo impedir a chegada de reforços de outras cidades. Caminhões em chamas foram colocados estrategicamente nas esquinas de acesso ao quartel da Polícia Militar, na Rua Capitão Alberto Mendes Júnior (sede do CPI 10 e do 2º Batalhão).
Além disso, bandidos ficaram escondidos na Escola Francisca Arruda (em frente ao quartel), atirando contra os policiais para impedir que saíssem. O objetivo foi sitiar a PM. Enquanto tudo isso ocorria, outros grupos aterrorizavam aquela região da cidade com centenas de tiros que atingiram veículos e estabelecimentos comerciais.
O objetivo era exatamente criar clima de terror. Já na Protege, a aproximadamente 700 metros do quartel, os bandidos usaram elevada carga de explosivos. A destruição foi total e atingiram casas próximas. Nas proximidades da Protege, os bandidos também fizeram muitos disparos. Rapidamente fugiram levando R$ 10 milhões. Segundo a Polícia Civil, naquele dia havia a quantia de R$ 50 milhões dentro da empresa.
Foram condenados oito envolvidos: Sérgio Manoel Ramos, Edimar Murilo da Silva Maximiano, André Luiz Pereira da França, Ramon Alves Ornelas, Edson Januário de Souza, Roni Alves de Oliveira, Marco Antônio Rodrigues Antonieto, Wílson Evaristo Franco. Foram absolvidos William Correa dos Santos Ferreira (colocado em liberdade) e Camila Pereira da Silva, que continua presa por outra condenação (assalto à empresa Rodoban, em Uberaba-MG).
Em relação aos réus Rogério Bezerra dos Santos, Roberto Bezerra dos Santos e Luken César Burghi Augusto houve desmembramento e aditamento à denúncia (para adequar a conduta de cada qual e para esclarecer o celular utilizado na época dos crimes). Foi proferida sentença condenatória em relação ao denunciado Roberto Bezerra dos Santos (que se encontra preso). Rogério Santos foi absolvido. Luken César teve desclassificação do crime e liberado, mas com cláusulas.
Os outros três envolvidos identificados inicialmente São Paulo César Assis, Edson Vieira da Silva e Cléber Andrade de Oliveira. O processo foi suspenso. Em 11 de junho de 2021, Cleber Andrade de Oliveira foi capturado em Votorantim-SP. Foi expedido mandado de citação pessoal. Com a citação pessoal, o processo voltará a ter andamento. Quanto aos denunciados Edson Vieira da Silva e Paulo César de Assis, o processo continua suspenso, aguardando o cumprimento do mandado de prisão preventiva.

