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MP denuncia 48 investigados e pede a prisão preventiva de 25 relacionados à Operação Raio-X

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O Ministério Público de Araçatuba, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), ofereceu denúncia à Justiça contra 48 pessoas investigadas no âmbito da ‘Operação Raio-X’, deflagrada na última terça-feira (29) contra uma organização criminosa suspeita de desviar milhões de reais da saúde por meio de Organizações Sociais. Além disso, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva de 25 pessoas, 20 já estão presas e outras cinco não foram encontradas.

A denúncia, oferecida pelos promotores do Gaeco João Paulo Serra Dantas e Flávia de Lima e Marques, aponta como líder da quadrilha o médico Cleudson Garcia Montali. Segundo o MP, por meio das organizações sociais Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui e Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu, o investigado celebrou contratos de gestão mediante licitações fraudulentas com o poder público para administrar o setor da saúde de diversos municípios.

“Desviou, em proveito de seus integrantes, grande parte das quantias repassadas às OSS, ora por meio de superfaturamentos, ora por meio de serviços não executados, sempre mediante da emissão de notas frias”, destacaram os promotores.

Embora Cleudson já estivesse sendo investigado e alegado que iria se afastar das Organizações Sociais, o mesmo não ocorreu. Valendo-se do auxílio de comparsas, todos instituíram novas OSS para desviar mais dinheiro da saúde dos municípios.

“A organização criminosa tem visto o atual período de pandemia como uma oportunidade única para que possam se locupletar ainda mais de verbas públicas”, afirmou o MP.

A denúncia também aponta que Cleudson até então agia por meio das OSS de Birigui e Pacaembu. Mas, nos últimos meses, também agia em outros Estados por meio do Instituto Panamericano de Gestão (IPG) e do Instituto Nacional de Assistência Integral (INAI). A estratégia adotada pelo investigado era de tirar o foco das duas primeiras organizações sociais.

Por meio do INAI, o grupo comandado por Cleudson assumiu a administração do Hospital de Campanha do Pará e teria desviado milhões de reais em plena época de pandemia de coronavírus.

INTERFERÊNCIA

Ao longo das investigações, os integrantes do grupo criminoso demonstraram alto potencial de interferência dentro de cada núcleo constituído, além da ocultação e destruição de provas. Esse foi um dos motivos para o Ministério Público requerer a prisão preventiva da maioria dos detidos durante a deflagração da operação Raio-X.

Além de destruírem provas, os suspeitos chegaram a apresentar imagens editadas de agências bancárias e ameaçaram de morte, por meio de ligação telefônica, o delegado responsável pelo inquérito na Delegacia Seccional de Polícia de Araçatuba. Já na cidade de Agudos, região de Bauru, os integrantes do grupo enviaram uma carta intimidando e ofendendo o juiz de direito do município pelo fato de ter reconduzido o prefeito ao cargo de Chefe do Executivo.

As ramificações da organização também chegaram até a uma facção criminosa paulista. Isso ficou comprovado depois que um integrante foi contratado para prestar serviços de segurança a alguns membros. Por fim, verificou-se uma aproximação com policiais militares da Rota de São Paulo, suspeitos de realizarem o transporte de valores desviados.

NÚCLEOS

Os investigados faziam parte de vários núcleos, um dos mais importantes seria o empresarial. Um deles, identificado como Olavo de Freitas, apareceu nas investigações à frente de três empresas, ‘Locaz’, ‘Sag’ e ‘Atendhoosp’, que possuíam contratos fraudulentos com a OSS de Cleudson. Olavo também é acusado de falsificar documentos para dificultar as apurações.

Já o denunciado Fernando Rodrigues de Carvalho é relacionado ao núcleo administrativo. Ele foi um dos principais responsáveis e administradores dos desvios ocorridos por meio do Instituto Santa Cruz de Saúde, Tecnologia, Ensino e Pesquisa, atuando ao lado de Lucirene do Rócio Guandeline, esta proprietária de duas empresas de equipamentos hospitalares as quais eram desviados recursos em prol da organização.

Os dois, de acordo com a denúncia, demonstraram grande conforto, principalmente no período da pandemia, a fim de expandir os negócios fraudulentos e aumentar ainda mais seus lucros.

Já Márcio Takashi Alexandre, Márcio Tizura e Osvaldo Ramiro, eram considerados de grande valia à quadrilha por apresentarem um perfil agressivo. Ademais, no caso de Osvaldo, por exemplo, ele também teria intermediado negociações para aquisição de uma fazenda por Cleudson, a fim de lavar o dinheiro ilícito. A comissão pela ‘ajuda’ foi de R$ 80 mil.

Outro personagem bastante importante no núcleo empresarial era o médico Lauro Henrique Fusco Marinho. Ele aparece em imagens gravadas por celular durante uma viagem ao México. Na ocasião, o indiciado ostentava luxo e até disse que iria comprar um apartamento naquela localidade.

Para o MP, o médico está envolvido em diversos crime de peculato e lavagem de dinheiro. Ele teria colocado um ‘testa de ferro’ para comandar uma empresa de serviços médicos para conseguir angariar valores desviados por meio de um contrato celebrado pelo Instituto de Desenvolvimento Social (IDS).

INTERFERÊNCIA POLÍTICA

Em Agudos, o grupo também interferiu diretamente na política do município. O vereador Glaucio Luis Costa Ton, conhecido como ‘Batata’, mantinha contato frequente com Cleudson. O parlamentar teria recebido vantagens indevidas para agir a favor da cassação do prefeito do município. Além disso, Batata pretendia abrir empresas com o cunhado a fim de serem fornecedores das organizações sociais de Cleudson.

Em Birigui, o vereador José Roberto Merino Garcia (Paquinha) era uma importante peça do núcleo político, já que também recebia pagamentos indevidos para fazer vistas grossas, como vereador, diante de supostas irregularidades.

Ainda na mesma cidade, a polícia prendeu Cláudio Castelão Lopes, presidente da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui. De acordo com o Gaeco, ele seguia as ordens de Cleudson para atender aos interesses da organização. Além disso, estaria envolvido em diversos crimes de peculato, por meio de contratos superfaturados pela OS de que formalmente é presidente.

AVIÕES À DISPOSIÇÃO

O alto escalão do grupo tinha até mesmo pilotos e aeronaves em caso de eventual fuga. É o que demonstram as investigações No fim do ano passado, Cleudson tomou conhecimento a respeito do cumprimento de mandados de buscas nas residências e escritórios de alguns alvos e acionou seu piloto e na companhia de outro denunciado foram passar a virada do ano no estado do Pará, às escondidas, por temer uma eventual prisão. Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu três aeronaves.

OUTRO LADO
Por meio de nota, a Organização Social da Santa Casa de Misericórdia de Birigui informou que todos os serviços públicos continuarão sendo prestados normalmente, com a mesma eficiência e sem qualquer prejuízo à população. Ressaltou ter se colado à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento de quaisquer fatos em investigação.
A defesa de Cleudson Montali preferiu não se manifestar.
A Polícia Militar disse que a Corregedoria acompanhou o trabalho do Gaeco e que apura as denúncias envolvendo policiais.
“José Roberto Merino (Paquinha) é inocente, e a verdade dos fatos será demonstrado durante a instrução criminal, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa a todos assegurados no Estado Democrático de Direito. Paquinha nunca recebeu qualquer quantia em dinheiro ou obteve qualquer vantagem desta suposta organização criminosa, ele é o maior interessado em esclarecer tudo isso e trazer a luz a verdade dos fatos”, disse por nota a defesa do vereador.
Foram feitos contatos, ainda, com o advogado de Cláudio Castelão Lopes, mas não houve resposta. O LIBERAL não conseguiu contato com os demais citados.

 

*TABELA 1*

DENUNCIADOS PELO GAECO

 

– ADRIANA MICHELS FERREIRA

– ANDERSON OLIVEIRA DO NASCIMENTO

– ARTHUR LEAL NETO

– CARLOS AUGUSTO CANDEO FONTANINI

-FERNANDA D’ANGELO CONTARDI

– FERNANDO RODRIGUES DE CARVALHO

– GENILSON JOSÉ DUARTE AMORIM

– GLAUCO LUÍS COSTA TON

– HUGO CEZAR FÉLIX TRINDADE

– JOÍLSON CORREA FAUSTINO

– JOSÉ ROBERTO MERINO GARCIA (PAQUINHA)

– JÚLIO CÉSAR ARRUDA RODRIGUES

– KLEBER SONAGERE

– LAURO HENRIQUE FUSCO MARINHO

– LIDIANE DA SILVA CÂNDIDO FORNOS

– LUCIANO COLICCHIO FERNANDES

– LUCIRENE DO RÓCIO GUANDELINE

– MARIA PAULA LOUREIRO DE OLIVEIRA

– MATHEUS DONÁ FREDERICO

– MESSIAS MARQUES RODRIGUES

– MOIZÉS CONSTANTINO FERREIRA NETO

– MONIZE CHAGAS DOS SANTOS

– NILTON PEREIRA DE SOUZA

– ODAIR LOPES DA SILVEIRA

– RAFAEL CORREIA OLIVA

– REGIS SOARES PAULETTI

– RODRIGO MAGALHÃES BORGES

– THALLES HENRIQUE VICENTINI

– WAGNER PERFETO FORNOS

– WILSON PEREIRA DA SILVA

– CLEUDSON GARCIA MONTALI

– RAPHAEL VALLE COCA MORALIS

– OSVALDO COCA MORALIS

– MARCIO TAKASHI ALEXANDRE

– CLAUDIO CASTELÃO LOPES

– OLAVO SILVA DE FREITAS

– GUILHERME APARECIDO DE JESUS PARACATU

– DANIELA BOTIZZINI

– DANIELA ARAÚJO GARCIA

– MARCIO TOSHIHARU TIZURA

– CLEUER JACOB MORETTO

– ALINE BARBOSA DE OLIVEIRA

– MUNIR DJABAK

– FABIANO BEARARE

– PAULO WESLEY MOTERANI

– JOSÉ WILSON MONTERANI

– EVERALDO LEONEL HOSTALACIO

– OSVALDO RAMIRO ALEXANDRE

 

*TABELA 2*

 

PEDIDOS DE PRISÃO PREVENTIVA

 

– ADRIANA MICHELS FERREIRA

– ANDERSON OLIVEIRA DO NASCIMENTO

– FERNANDA D’ANGELO CONTARDI

– FERNANDO RODRIGUES DE CARVALHO

– GENILSON JOSÉ DUARTE AMORIM

– GLAUCO LUÍS COSTA TON

– JOSÉ ROBERTO MERINO GARCIA (PAQUINHA)

– JÚLIO CÉSAR ARRUDA RODRIGUES

– LAURO HENRIQUE FUSCO MARINHO

– LUCIRENE DO RÓCIO GUANDELINE

– MOIZÉS CONSTANTINO FERREIRA NETO

– MONIZE CHAGAS DOS SANTOS

– CLEUDSON GARCIA MONTALI

– CLAUDIO CASTELÃO LOPES

– MARCIO TAKASHI ALEXANDRE

– MARCIO TOSHIHARU TIZURA

– CLEUER JACOB MORETTO

– OSVALDO RAMIRO ALEXANDRE

– OLAVO SILVA DE FREITAS

– RAPHAEL VALLE COCA MORALIS

– OSVALDO COCA MORALIS

– LUCIANO COLICCHIO FERNANDES

– REGIS SOARES PAULETTI

– WAGNER PERFETO FORNOS

– RODRIGO MAGALHÃES BORGES

– JÚLIO CÉSAR ARRUDA RODRIGUES


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