Plantão Policial

Ministério Público entra com recurso para anular julgamento do caso Belentani

O Ministério Público de Araçatuba entrou com pedido de interposição de recurso junto à Justiça pedindo a anulação do julgamento do caso Diogo Belentani, realizado no início de novembro deste ano na cidade. A promotoria suspeita de que um dos jurados participantes teria vínculo com a família do réu Vinicius Coradim. Belentani foi morto com um tiro no peito no ano passado disparado pelo ex-policial militar.

De acordo com informações apuradas pela reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL, o pedido de recurso já foi apresentado. Agora, a promotoria aguarda a resposta da Justiça para começar a juntar as provas e fazer o relato das razões que levaram a chegar a essa conclusão. A expectativa é de que o procedimento seja feito até a semana que vem.

Para o Ministério Público, um dos sete jurados que participou do julgamento é amigo de um tio do ex-policial militar que foi condenado a nove anos e seis meses de prisão, em regime semiaberto, por homicídio culposo, ou seja, sem a intenção de matar.

A família de Belentani disse que não irá se manifestar sobre o caso. Já o advogado de defesa de Coradim, Nilton Vivan Nunes, disse em entrevista à reportagem que o julgamento foi realizado de maneira digna e correta.

“O júri ocorreu de forma correta, com total imparcialidade. O Vinicius não conhece nenhum dos jurados, nunca teve contato, muito menos amizade. Vou fazer as contrarrazões. A única coisa errada do júri foi a pena, acredito que o juiz exagerou. Também já entrei com apelação e estou aguardando a apresentação das razões”.

O réu continua preso no presídio militar Romão Gomes, em São Paulo, mas poderá ganhar a liberdade nos próximos meses, por conta da progressão da pena.

CASO

O júri popular durou 13 horas e foi realizado no último dia sete de novembro. A Justiça de Araçatuba condenou o ex-policial militar, 22 anos, a nove anos e seis meses de prisão após o mesmo ter matado o estudante Diogo Belentani com um tiro no peito em julho de 2017 na cidade.

Na sentença, de acordo com a votação do tribunal de júri, composto por sete jurados, o réu irá responder por homicídio culposo, ou seja, aquele em que não há a intenção de mata, disparo de arma de fogo e fraude processual. Na votação, quatro jurados entenderam que não houve intenção e os outros três acreditaram que sim. Se fosse condenado pelos crimes apontados pela acusação, Coradim poderia pegar até 38 anos de prisão, já que a Promotoria de Justiça entendeu que houve a culpa de Alcântara.

Belentani era filho do ex-comandante do CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior) de Araçatuba. A vítima e o ex-policial militar participavam de um churrasco em uma chácara quando foi morta com um tiro no peito. Ao longo das investigações, a Polícia Civil descobriu que o acusado alterou a cena do crime, colocando a arma na mão do rapaz, alegando que o mesmo teria se matado. Em depoimento à Justiça, Coradim alegou que o tiro teria sido acidental.

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