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quinta-feira, agosto 18, 2022

Uma nação fechada, contra tudo e contra todos

Em meio a um turbilhão de eventos que sacudiram os bastidores do futebol mineiro nos últimos dias, faltando pouco mais de uma semana para o maior compromisso da recente história celeste, o Cruzeiro vem firme e concentrado para que nada atrapalhe o clima na Toca da Raposa.

Embora não esbanjando futebol vistoso em seus últimos compromissos do Campeonato Brasileiro, as vitórias, mesmo magras, serviram para manter o time no topo da tabela e dar aquela tranquilidade necessária para enfrentar o Flamengo na grande final do dia 27. Sem o peso da cobrança da torcida, fica mais fácil desenvolver o jogo na cadência que o Mano considerar apropriada, mesmo que isso signifique gol aos 47 do segundo tempo.

No entanto, tenho a nítida impressão de que para o derradeiro jogo da Copa do Brasil o Cruzeiro esteja reservando uma motivação extra, uma atitude diferenciada, que será traduzida em transpiração e força de vontade fora do comum. Se por um lado o time sofre com algumas escolhas táticas exageradamente conservadoras, por outro compensa tal déficit mostrando raça e, por que não, estrela na hora de decidir.

E o caminho até aqui não foi nada fácil. Contra o São Paulo, o Cruzeiro teve que enfrentar o fantasma do Rogério Ceni e o nosso retrospecto altamente desfavorável contra ele. E passamos vencendo logo no Morumbi. Contra o time da moda, o Palmeiras, elenco com maior orçamento do futebol brasileiro, entramos com humildade e construímos uma vantagem que o Palestra de São Paulo não conseguiu mais reverter.

Daí veio o Grêmio, tido até então como o time que praticava o melhor futebol, graças aos talentos de Luan e Pedro Rocha, e adivinhe o que aconteceu? Empatamos a conta na nossa casa e fomos para o tudo ou nada da loteria dos pênaltis. E ali estava nítido que o destino nos reservaria grandes momentos ao ver incrédulos o último chute de Thiago Neves estufando as redes gaúchas e despachando Renato e sua trupe para Porto Alegre.

E lá no Rio? Faltando poucos minutos para o fim do jogo, em desvantagem por conta de um gol irregular, o uruguaio De Arrascaeta aproveita rebote do jovem goleiro flamenguista e empata um jogo que parecia perdido, contrariando mídia e arbitragem.

Sim, foi quando tudo parecia perdido, na transpiração, no poder de reação, no último espasmo de força. Mas foi também na energia positiva, no alento, na garganta, no orgulho que nunca morre de uma Nação que anseia por mais uma glória entre centenas que tornaram esse clube gigante e temido continente afora.

Nada mais adianta para derrubar esse espírito, nenhuma polêmica nem provocação de rival despeitado será forte o suficiente para nos tirar do caminho da glória. Na firme convicção de que nada está ganho ainda, vamos para nosso último compromisso, aquele que realmente conta, de peito aberto e confiantes até nosso o último fio de cabelo. A taça é logo ali, e com ela o passe livre para o torneio que é a nossa cara: a Libertadores da América.

E enquanto esse dia 27 nunca chega, numa jornada até aqui histórica pelos desafios vencidos, nossa alma não para de gritar: “Nós somos loucos, somos Cruzeiro!”

Da Redação

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