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Setembro Verde: Cresce número de transplantados em Mato Grosso do Sul

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MARIANE MARTINS – TRÊS LAGOAS

O mês de setembro é dedicado ao Dia Nacional de Doação de Órgãos, celebrado no dia 27. A cor verde que expressa esperança é uma referência ao laço verde, símbolo mundial da doação de órgãos e tecidos para transplantes.

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 45 mil pessoas ainda aguardam na fila de espera por um transplante.  A campanha acontece desde 2007, com objetivo de conscientizar sobre a importância de ser um doador de órgãos e tecidos, além de falar do impacto desse ato de amor que transforma e salva vidas.

Dados do Registro Brasileiro de Transplantes apontam que há uma década, o Brasil testemunhou um aumento significativo no número de procedimentos realizados. O país saltou de 6.426 cirurgias em 2010 para 9.212 transplantes de coração, fígado, intestino, pâncreas, pulmão e rim em 2019. Um incremento de 43%.

Esse número refletiu em Mato Grosso do Sul. A Central de Transplantes do Estado comemora a marca de 100 pacientes transplantados desde o início do ano. São pessoas que receberam uma nova chance de vida, sendo 80 que receberam transplante de córnea, 17 de rim e três de coração.

Renascimento

“Milagre” é a definição do três-lagoense, Sebastião da Silva (61), casado há 15 anos, pai de dois filhos, conta a história de seus dois renascimentos. “Percebi um inchaço na barriga, procurei um médico e o diagnóstico foi demorado até estourar a veia do esôfago. Perdi oito bolsas de sangue. Devido à gravidade, fiquei 30 dias em coma. Os médicos detectaram cirrose. Depois de três meses em tratamento cheguei a melhorar, mas novamente perdi sangue. Depois de seis meses novamente perdendo sangue. Foi quando os médicos encontraram um nódulo no fígado e diagnosticaram hepatite E. Fiz o tratamento em um ano e seis meses. Foi quando o tumor começou a crescer e complicou minha situação. Os especialistas me colocaram na fila de espera por um novo fígado, mas eles disseram que eu viveria apenas 90 dias. Depois dessa notícia eu me considerava morto”, recorda.

Após 30 dias, sem esperança, Sebastião recebeu uma ligação da Central de Transplantes de São José do Rio Preto (SP). Um novo fígado acabara de chegar. “Recebi com muita alegria a notícia do novo órgão, brotou novamente esperança no meu coração. Passei pelos exames e o fígado era compatível. Recebi o órgão de uma moça de 22 anos, moradora de Mirassol. A cirurgia durou 12 horas. Não tive complicações, o fígado aceitou bem o meu corpo. Renasci de novo graças à família dessa jovem que autorizou a doação do órgão”, destaca.

Em março deste ano, Sebastião completou cinco anos e seis meses que recebeu o novo fígado. Ele conta que apesar de ter que tomar diariamente onze medicamentos e ter contraído diabetes devido a complicações no pâncreas, mesmo assim não deixa de agradecer todos os dias por ter tido a oportunidade de viver novamente. Sebastião também foi abençoado com um novo filho. Rafael de três anos. O segredo, segundo ele, é jamais perder a fé. “Não se permita desanimar, não tenha medo. Todos nós temos uma segunda chance na vida. Eu tive a minha. Depois do meu transplante eu tenho sido usado como exemplo para encorajar outros pacientes que serão transplantados. Sou grato a jovem que me doou o fígado. Ela perdeu a vida em um acidente de trânsito, mas salvou a minha vida e de mais quatro pessoas”, desabafa.

Desejo de doar órgãos

Conversar com a família sobre o desejo de se tornar um doador de órgãos é fundamental para que essa corrente de solidariedade e amor não se quebre. “Entendemos que a maioria das negativas é porque as famílias desconhecem a vontade de doar órgãos do ente querido que morreu. Nesse sentido o Setembro Verde vem sensibilizar as pessoas para conversar sobre esse tema tão importante para quem espera”, explica a coordenadora da Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul, Claire Miozzo.

Além dos transplantes realizados, atualmente existem 339 sul-mato-grossenses na fila de espera. Desse total, 177 aguardam por um transplante de córnea, 159 por um rim, e outros três que esperam por um coração.


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