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MARIANE MARTINS – TRÊS LAGOAS

O Setembro amarelo é uma campanha nacional criada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), desde 2015.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio em algum lugar do planeta. Ou seja, em doze meses, mais de 800 mil pessoas perdem a vida dessa maneira. Os dados revelam ainda que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idades entre 15 e 29 anos.

Embora o suicídio seja um assunto delicado, ele não pode ser tratado como tabu. É preciso falar e acolher para conseguir prevenir.  Diante desse cenário, fica clara a necessidade de dar mais atenção ao tema com campanhas de conscientização e debates sobre o problema ajudando a identificar sinais de depressão e incentivar a prevenção com informações e opções de tratamento para o público, visando reduzir um problema de saúde pública.

Serviço na Rede Pública

Em Três Lagoas, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio das equipes de Atenção Psicossocial (RAPS) atende pessoas com transtornos mentais por meio de práticas intersetoriais. Neste mês, o serviço promove ações relacionadas à valorização da vida.

O RAPS compreende duas unidades de Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) e CAPS AD (Álcool e Drogas), além da Unidade de Residência Terapêutica e do Ambulatório Especializado de Saúde Mental, totalmente gratuito.

O acompanhamento nos atendimentos é periódico. No entanto, durante a pandemia, o suporte ao público é feito de forma remota. “Nosso objeto é tornar o tema conhecido por todos e levar a importância do valor da vida e da prevenção ao suicídio. Temos usado ferramentas da web como vídeo conferência, eventos e até cursos com especialistas para que a população esteja informada sobre o tema. Não teremos as tradicionais caminhadas com faixas e cartazes, mas a mensagem de prevenção está sendo intensificada nesse período. É muito importante também que as pessoas compartilhem o máximo os nossos materiais”, destaca o coordenador do CAPS AD, Igor Queiroz.

Conforme o coordenador, a mesma capacitação também deverá ser levada às equipes da UPA – 24 horas (Unidade de Pronto Atendimento), “para que os profissionais da Saúde identifiquem a tempo os sinais de tendência ao suicídio e sejam feitas as devidas prevenções e adequado atendimento”, garante.

Papel da igreja no Setembro Amarelo

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 95% dos casos de suicídio estão relacionados à depressão, transtorno bipolar e abuso de drogas entre jovens e adultos.

A depressão é considerada pela Organização Mundial da Saúde como o “mal do século XXI”. Doença silenciosa, ela ainda é incompreendida inclusive por quem sofre do problema.

Esse esgotamento vem atingindo muitas pessoas por diversas causas sociais e isso pode gerar sérios problemas para o individuo. É preciso que haja uma forte corrente, um mutirão de apoio à pessoa que se encontra nesse estado psicológico e espiritual.

Para o bispo da Diocese de Três Lagoas, Dom Luiz Knnup, a depressão está relacionada a um desiquilíbrio entre várias dimensões da pessoa, como somática, psíquica e espiritual. “É a desarmonia de todas essas dimensões fazendo com que a pessoa imploda porque estão em conflito dentro de si esgotando todas as forças. Por isso, é preciso ajuda-los porque sozinhas eles não veem saída e só assim poderão harmonizar as coisas dentro de si com bem estar e alegria”, destaca.

Dom Luiz atribui o sentido da vida na convicção e práticas religiosas que podem ajudar as pessoas a fomentar um sentimento de esperança. “Encontramos equilíbrio e sentido de nossa existência à medida que enxergarmos que toda situação que passamos tem algo a mais e que a vida não se reduz apenas a esse plano material. É preciso perceber que diante da dificuldade que vivemos no presente é preciso olhar além dela e ter expectativa de dias melhores, pois Deus é fonte de vida e realização”, reforça.

Ainda conforme a igreja católica, a orientação é de que cada um de nós devemos nos responsabilizar por nossa vida diante de Deus. O cristão tem, além do dever de cuidar da própria vida, a obrigação de propiciar ajuda solidária a quem precisa. “Jesus nos disse, “você que está de pé cuide para que não caia”, portanto, depressão não é só para alguns, ela pode atingir qualquer um de nós. Precisamos ter essa consciência que em algum momento caíremos nesse desiquilíbrio e às vezes podemos sair sozinhos no sentido de buscar Deus e confiar nele, mas se isso não acontecer que possamos ter alguém que nos ajude e que diga que não estamos na solidão. O plano de Deus é que todos tenham vida e que tenham em abundância. Que o Setembro Amarelo possa ser um momento de profunda reflexão, mas que não fique só neste mês. Que essa reflexão nos leve a mudar comportamentos e hábitos fazendo-nos mais humanos e filhos de Deus e sempre ajudando o próximo”, conclui.

Porque Setembro Amarelo?

O mês de setembro foi escolhido porque no dia 10 de setembro é o Dia Internacional de Prevenção do Suicídio, então no Brasil aproveitaram a data para fazer o mês de campanhas de conscientização. Muitas pessoas se perguntam o motivo de terem escolhido a cor amarela para representar a causa, mas poucos sabem da resposta.

Em 1994, um jovem de 17 anos chamado Mike Emme, que morava com os seus pais em Westminster, cidade no Colorado, nos Estados Unidos, se matou dentro de seu Ford Mustang 1968. O Mustang Amarelo era seu principal passatempo.

O adolescente cometeu suicídio por não saber pedir ajuda. No dia de sua morte ele deixou um recado pedindo para que seus pais não se culpassem pelo o que ela havia feito, e quando encontraram o bilhete, infelizmente já era tarde. Depois de sua morte foi descoberto que Mike tinha sinais de depressão e não estava sabendo lidar com um término de um namoro.

Por isso, durante o enterro, os pais de Mike distribuíram cartões com fitas amarelas para todos os que estavam presentes. No cartão estava escrito a frase “se você está pensando em suicídio, entregue este cartão a alguém e peça ajuda!”.

Uma pessoa que estava no funeral espalhou os cartões pela cidade, e em semanas os pais de Mike começaram a receber ligações pessoas de todo o estado pedindo ajuda. Pouco tempo depois a iniciativa ganhou repercussão nacional.

Desde então começaram várias campanhas de prevenção pelo mundo, e, em todas, a cor amarela é usada para representar a campanha a fim de homenagear o jovem apaixonado pelo Mustang 1968 amarelo.

Serviço

Se você precisa de apoio emocional, ligue para o CVV- Centro de Valorização da Vida pelo telefone 188 ou pelo chat http://www.cvv.org.br


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