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DIEGO FERNANDES – TRÊS LAGOAS

O estado de Mato Grosso do Sul é destaque nacional no combate à pandemia do novo coronavírus. Segundo dados divulgados ontem pela secretaria de estado da saúde, são 405 casos confirmados de covid-19 no estado, com apenas 12 mortes confirmadas, sendo a última confirmada ontem, de uma paciente de Vicentina, no sul do estado, cidade a 55km de Dourados.

Ainda segundo o boletim, dos 405 casos confirmados, praticamente a metade, 207, já estão curados da doença. São 19 pacientes internados, sendo 11 na rede pública e 8 na rede privada.

Estes números colocam o Mato Grosso do Sul como o estado com o menor número de casos e mortes por coronavírus em todo o Brasil, a frente do Mato Grosso, que vem em segundo lugar com 546 casos e 19 mortes registradas.

Apenas 30 dos 79 municípios tiveram casos confirmados até o momento.

Campo Grande é a cidade com o maior número de casos no estado, com 160 confirmados e 4 mortes, seguida por Três Lagoas, que tem 80 casos e 3 mortes.

Governador afirma que prevenção antecipada evitou crescimento maior de casos

Sobre o dado positivo relacionado ao combate à covid-19, o governador do estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), falou em entrevista no programa “Os Pingos Nos Is”, da Jovem Pan, na edição da última segunda-feira, dia 11. A emissora pode ser sintonizada em Três Lagoas no FM 88,5 MHz, em Araçatuba no FM 104,3 MHz, e em Andradina através da Jovem Pan News no AM 760 kHz. Azambuja atribui à antecipação das ações de combate o sucesso do estado no combate à pandemia até aqui. “Acho que foi muito do planejamento, dia 31 de janeiro nós montamos o centro de operações especiais, dividimos as responsabilidades por todas as secretarias, saúde, segurança pública, educação, assistência social, e planejamos algumas ações importantes, como paralisação de aulas, paralisação de algumas atividades, mantivemos alguns serviços essenciais, criamos o teletrabalho pro servidor, achamos praticamente 70 aplicativos a nível de governo do estado para evitar a vinda das pessoas nas repartições pública e conversamos com 79 municípios, prefeitos, lideranças dos municípios, para coordenar essas ações dentro desse centro de operações especiais”, afirmou o chefe do executivo estadual durante a entrevista.

Menos de 2% de ocupação nos leitos de UTI

De acordo com o governador, o estado já tinha mais de 500 leitos de UTI e outros mais de 200 foram criados apenas para receber pacientes com covid-19 e, no momento, apenas 4 destes novos leitos estão sendo utilizados no estado. “Nós temos uma tranquilidade. Tínhamos 502 leitos de UTI entre público e privado. Em 31 de janeiro nós buscamos a ampliação dos leitos e criamos 214 novos leitos de UTI específicos para tratamento de covid-19. Hoje nós temos só 4 leitos disponíveis dos 214 que estão sendo utilizados. Estamos 210 leitos disponíveis para as pessoas que vierem”, explicou o governador, apresentando números que remetem a apenas 1,86% de ocupação nos leitos de UTI do estado.

Azambuja destacou também algumas ações que estão sendo feitas no estado, como as barreiras sanitárias, que controlam a entrada das pessoas no estado e os exames em drive thru, que detectaram alguns dos casos positivos de forma precoce. “Nós temos as barreiras sanitárias, são 17 com todos os estados, e com a Bolívia e com o Paraguai, as barreiras fazem o monitoramento de entrada no MS, medem as temperaturas, nós temos os drive thru na capital, em Três Lagoas e em Dourados, nesses lugares há a coleta dos exames via drive thru. Só pra ter uma ideia, desses 385 casos confirmados (Eram 385 no momento da entrevista, dada antes do último boletim divulgado pelo estado), muitos deles são originários do drive thru. Acho que manter a vigilância e o isolamento, pra evitar um grande volume, é o grande remédio”, explicou o governador.

Atividades produtivas seguem funcionando no estado durante a pandemia

O governador de Mato Grosso do Sul ressaltou o fato de que não precisou parar por completo o que ele chamou de “atividade produtiva” durante a pandemia, o que causou problemas em menor escala para a economia do estado. “Aqui nós não vetamos por decreto as atividades produtivas, mas nós montamos alguns protocolos de segurança com as atividades produtivas. MS ainda tem um baixo número de contaminados e mantém muitas das atividades produtivas, os frigoríficos, a agroindústria, fechou alguns comércios, agora flexibilizou. Acho que a gente conseguiu dosar um pouco através do diálogo com setores produtivos e principalmente com os municípios”, explicou.

Azambuja evita críticas a demais governadores

Reinaldo Azambuja evitou criticar os seus colegas governadores por conta do aumento rápido no número de casos de covid-19 em outros estados e afirmou que a densidade populacional mais baixa do Mato Grosso do Sul facilitou para que as medidas de prevenção fossem tomadas com antecipação. “Eu não culpo outros que não fizeram, acho que aqui nós temos uma extensão territorial grande, muito espaço entre um município e outro, uma baixa densidade populacional e isso facilita um pouco a tomada das ações”, disse.

Governador crê em produção nacional de equipamentos de proteção e saúde após a pandemia

Ao ser perguntado sobre como ele imagina que será o pós-pandemia, Azambuja afirmou que crê que teremos uma nova realidade.

Ele destacou que o país precisa pensar em uma produção própria de respiradores e equipamentos de proteção, além de melhorar as relações de trabalho entre empregadores e empregados. “O Brasil e o mundo vão repensar algumas questões, essa questão do atendimento não presencial, teletrabalho, aplicativos para evitar a presença, que facilita a vida, é um novo modelo que vamos vivenciar pós-pandemia. É olhar mais o mercado interno para que a gente possa ter os equipamentos disponíveis e não depender das importações. Relações de trabalho entre patrão, empregado, teremos uma grande mudança”, concluiu.


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