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DA REDAÇÃO – TRÊS LAGOAS

Durante alguns anos, no período da construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN III), Três Lagoas viveu um ciclo de fortalecimento econômico e muita esperança no futuro. Porém, em dezembro de 2014, o sonho dourado se transformou em pesadelo, com a paralisação das obras e dezenas de empresas fechadas ou com as finanças comprometidas. A Petrobras, devido aos escândalos financeiros, passou a enfrentar sérios problemas. Durante cinco anos, a população de Três Lagoas aguardou o desfecho. Agora, quando tudo caminhava para a retomada das obras por meio do grupo russo Acron, em fase adiantada da negociação com a Petrobras, eclodiu a crise boliviana, com a renúncia de Evo Morales. A crise bolviana refletiu no Brasil e autoridades estão preocupadas com o abastecimento de gás natural.
O Secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, principal membro do governo de Mato Grosso do Sul no acompanhamento do processo de negociação entre a Acron e a Petrobras, admitiu que o atraso ficou evidente com a renúncia de Morales. “Esta questão da Bolívia atrasa o cronograma de fechamento dos contratos entre a Petrobrás e Acron. Isso é evidente”, disse o secretário à imprensa de Campo Grande.
O início das operações da UFN III, previsto para 2023, tem capacidade para triplicar a consumo de gás em Mato Grosso do Sul. Devido à importância estratégica do gás boliviano para a operação da unidade, em outubro, representantes da Acron Grup estiveram na Bolívia para assinar contrato com a YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), estatal boliviana de combustíveis, para compra de gás e criação de empresa (joint venture) para comercialização de ureia. A estatal boliviana poderia até mesmo ampliar sua participação no gasoduto Brasil-Bolívia.
Até o momento há um pré-contrato para fornecimento de gás a partir de 2023 com preço fixado. Porém, questões burocráticas comprometeram as negociações. De acordo com Verruck, ainda não é possível saber de quanto será o adiamento.
O documento assinado previa a compra de 2,2 milhões de metros cúbicos diários de gás natural no prazo de 20 anos. Além disso, a YPFB teria 12% da fábrica sul-mato-grossense.
Com a crise na Bolívia e mudança no governo, todo o processo de negociação está paralisado. Ainda não é possível saber quando as negociações serão retomadas e concluídas, para reinício das obras em Três Lagoas.

EMPENHO OFICIAL
Autoridades de Mato Grosso do Sul estão empenhadas na negociação da UFN III. Estima-se que a retomada das obras impacta aproximadamente 5 mil pessoas de Três Lagoas. O governador Reinaldo Azambuja liderou força-tarefa para cobrar a negociação, atuando junto ao Congresso Nacional e à direção da Petrobras. A senadora Simone Tebet, o deputado estadual Eduardo Rocha e o prefeito Angelo Guerreiro também se empenharam para viabilizar a negociação da unidade. As negociações entre a Acron e a Petrobras estão praticamente definidas, mas agora vai depender do encaminhamento das autoridades bolivianas.

PANTANAL
A crise na Bolívia também pode afetar os trâmites para por em operação de termoelétrica na região do Pantanal, entre os municípios de Corumbá e Ladário, com capacidade de consumir 2 milhões de m³ de gás por dia.

OFERTA DE GÁS
O governo brasileiro está preocupado com a possibilidade de interrupção no fornecimento de gás natural. Aproximadamente 30% de todo gás natural consumido no Brasil são fornecidos pela Bolívia. O temor brasileiro é de que o agravamento da crise na Bolívia possa comprometer o fornecimento de gás.
Na semana passada, a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), enviou carta ao governo da Argentina notificando que o fornecimento de gás pode ser afetado em razão das “limitações” atuais da usina de Carrasco. Por enquanto não há qualquer impacto no Brasil. Os campos operados pela Petrobrás, no sul da Bolívia, ficam em uma região relativamente tranquila. No entanto, existe o temor de que uma instabilidade política prolongada leve a ações de extremistas em outros campos, o que poderia afetar o fornecimento para o Brasil.
Quase todo o gás que o Brasil importa da Bolívia é destino a indústrias e usinas termoelétricas. Existem outras opções de fornecimento, como o Gás Natural Liquefeito (GNL), exportado principalmente dos EUA. No entanto, a substituição pode levar algum tempo e ter impacto nos preços da energia.

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ESPERA – Obras da UFN III estão paradas desde dezembro de 2014 e não há prazo para retomada
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