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Os caminhos até Três Lagoas

Quinze de junho é o dia em que o município de Três Lagoas (MS) completa 104 anos de emancipação político e administrativo. Sua história é marcada por um grande processo de desenvolvimento de lutas, conquistas e progresso.
Ainda no começo do desbravamento de terras no Brasil, a serviço da coroa espanhola, desde o século XVI com a vinda dos portugueses e a incursão dentro do interior do país é que a região onde se encontra Três Lagoas já recebia a mobilização humana. A vinda dos portugueses e espanhóis era oriunda dos principais rios da região, rio Tietê, rio Pardo, rio Sucuriú e rio Paraná.
A navegabilidade era efetiva antes do caminho pelo sertão. Essa região foi muito importante no início da colonização do Brasil com extensões de terras incalculáveis e que desde o século XVI o homem se anexava a essas terras ao resto do país.
No século XVII nos anos de 1.600 veio à incursão das bandeiras que era a necessidade do reino de Portugal em efetivar a colonização dessas terras num território de tamanho continental que era o Brasil. Nesse período também houve as imigrações de pessoas em grandes canoas rumo ao ocidente para povoar e criar novos arraiais.
Diante da situação inóspita, o trato que se tinha naquela época para efetivar essa colonização e criar novas cidades, algo que não era algo tão fácil. A guerra do Paraguai vem dessa grande problemática de saber o que era um mundo espanhol ou mundo português, isso tudo nos anos 60 de século XIX. Logo após a guerra do Paraguai ficou evidente que teria que ter um grande projeto de integração para as margens ocidentais, que era o Mato Grosso.
Ainda no império em 1875, buscaram-se alternativas de criar uma ferrovia que pudesse mobilizar as pessoas e também efetivar a demografia do Mato Grosso por meio da ferrovia.
Em 1905 com a participação do governo e o clube de engenharia do Rio de Janeiro que se decide fazer uma ferrovia que partisse de Bauru (SP), que ainda não era uma cidade e pertencia a São Paulo dos Agudos, hoje atual cidade de Agudos.
Nesse período, o país que já avia recebido os trilhos da Sorocabana para escoamento do café, a Noroeste do Brasil seria então à única ferrovia brasileira que trabalhava com a integração territorial em direção à cidade de Cuiabá (MT).
A extensão dos trilhos começa a partir daí com o processo de fortalecimento de integração e povoamento. “O projeto da Noroeste na época foi um dos maiores projetos ferroviários do mundo, com uma abrangência de 1.242 quilômetros, passando a ser depois de 1.622 quilômetros com os ramais. A Noroeste foi à principal ferrovia que trabalhou com a integração de pessoas do sertão paulista e todo Mato Grosso.
“Se nós não tivéssemos a Noroeste, talvez hoje o estado de Mato Grosso como um todo, não apenas o Mato Grosso do Sul, seriam grandes extensões de pastos e gado e não teríamos o desenvolvimento das cidades”, relata o Diretor Municipal de Cultura e Historiador, Rodrigo Pedroso Fernandes.

Estação de Jupiá
Criada, sobretudo para descobrir novas fronteiras como forma de integração e desenvolvimento, a construção de ferrovias também teve o seu lado ruim na história.
Conforme relatos escritos em documentos da Noroeste Paulista, foi grande a quantidade de trabalhadores que morreram no desfecho da linha, ou seja, no ponto final de chegada do trem na margem paulista do rio Paraná. As mortes eram oriundas de ataques de índios Caingangues e índios Coroados e por doenças acometidas por vetores que matou milhares de pessoas.
Foi então que em 1910 foram assentados os últimos pedaços de trilhos as margens do rio Paraná. A estação de Jupiá foi inaugurada em 4 de novembro, do lado paulista às margens do rio. Em 31 de dezembro do mesmo ano foi inaugurada a estação de Três Lagoas que foi uma das primeiras estações a serem finalizadas no então estado de Mato Grosso. Três Lagoas nascia com o trem.

Formação econômica e emancipação
Nos anos 20 do século XIX começa a expansão do café no território mineiro. Naquela época a pecuária chamava-se vacaria e não havia técnicas de rotatividade de pasto e nem de plantio de pastagens. A pecuária era feita de maneira expansiva, de forma nômade, buscando novas pastagens para o gado.
Buscando novas terras, foi então que as famílias do triangulo mineiro decidem partir rumo ao Mato Grosso, usando o rio Grande um dos afluentes do rio Paraná. Essas embarcações traziam escravos, gados, famílias e mantimentos, assentando-se as margens dos rios.
Em 1857 foi fundada a cidade de Santana do Paranaíba. A região onde hoje é Três Lagoas pertencia à região de Santana do Paranaíba, atual município de Paranaíba (MS).
Os primeiros moradores de Três Lagoas moravam em fazendas. Eram famílias que vinham de Minas Gerais. Nessa época, foi fundada a Fazenda Alagoas, cuja posse foi dada ao coronel Antônio Trajano dos Santos, que deu início a criação de gado na propriedade.
Trajano doou parte de suas terras para a formação do “Patrimônio de Santo Antônio das Alagoas”, por conta do padroeiro da cidade (Santo Antônio). Com a expansão da cidade, em 1914 o povoado recebeu o nome de Três Lagoas, que já contava com aproximadamente 1,2 mil moradores. Seu nome origina-se as três lagoas que existem na região. A emancipação político e administrativo se deu um ano depois no dia 15 de junho de 1915.

Planejamento e Imigração
Três Lagoas foi uma cidade planejada com a vinda dos imigrantes pela ferrovia. Nesse período, trabalhadores brasileiros não tinham mais interesse em trabalhar na ferrovia, visto que a insalubridade era muito grande e pessoas morriam frequentemente.
Porém, os imigrantes que chegavam ao Brasil buscavam na ferrovia emprego e comércio. O município recebeu italianos, espanhóis, portugueses, árabes, japoneses, poloneses e russos que buscavam empreendimento na ferrovia.
Em 1911, a construtora Machado de Melo e Cia decide deslocar para o município três engenheiros; Oscar Teixeira Guimarães, Justino Rangel França e Antônio Moreira de Queiroz, para desenvolver um projeto de uma cidade com características modernas. Foram cerca de quarenta alqueires, instalando-se uma praça, onde foi construída uma igreja em homenagem a Santo Antônio, proclamado padroeiro do local.
Seguindo o plano Haussman, referência urbanística de Paris, que Oscar Guimarães desenha urbanisticamente a infante Três Lagoas e Justino Rangel demarca o sítio urbano.
Em 1912 todo plano urbanístico fica pronto e a chegada de centenas de famílias se anexa à cidade. Em 1914 Três Lagoas já agregava duas escolas públicas, teatro, clube social, hotéis e panificadoras.
Começa então um amplo escoamento de mercadorias oriundas do Rio de Janeiro e São Paulo. Já havia inclusive, lojas com filiais que se instalaram. Nos anos 20, Três Lagoas teve sua efervescência de desenvolvimento com concessionárias de carros, panificadoras maiores, confeitarias, serviços administrativos e mobilidade econômica crescente.

Ponte Ferroviária e Usina Hidrelétrica de Jupiá
Se a chegada dos trilhos da Ferrovia Noroeste do Brasil marcou o desenvolvimento de Três Lagoas, a Ponte Ferroviária Francisco de Sá e a Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias (Jupiá), assinalaram outro importante processo de progressão do município.
A companhia Machado de Melo solicita a uma empresa belga Dyle ET Bacalan, que fabricava pontes no Brasil, para que um projeto fosse feito as margens do rio Paraná no estado de São Paulo.
Nesse período não existiam pontes na região. O processo de deslocamento era feito por meio de balsas motorizadas com máquinas a vapor. Essas balsas tinham dentro delas uma composição de trilhos que se acoplavam aos trilhos as margens do rio e, atravessavam os vagões para outra margem mato-grossense. Esse processo foi feito até 1926.
Em 1918 começa os novos estudos para uma Ponte Ferroviária. O erguer da ponte, no entanto, atrasou-se por motivos tecnológicos e financeiros. A estruturação da Ponte Francisco de Sá tal começou em 1921.
Durante a construção da montagem das pilastras metálicas da ponte, grande parte da mão de obra foi feita por imigrantes, que se instalaram na região onde hoje é o Jupiá. Os primeiros moradores foram os russos, árabes e espanhóis. A obra, executada por uma empresa americana, foi concluída em 1926.
As obras da Usina Hidrelétrica de Jupiá tiveram início em 1921, pela empresa Centrais Elétricas de Urubupungá S.A (Celusa), controlada pelo governo de São Paulo e, que posteriormente se transformou na Companhia Energética de São Paulo (Cesp).
Em 1959 começa as obras de terraplanagem, 1960 inicia a construção civil e em 1969 a obra é inaugurada. Durante a década na construção, diversos operários, vindos de toda parte do país, passaram por Três Lagoas. Muitos deles fixaram residência após o término da obra. A última máquina geradora de energia entra em funcionamento em 1974.

Nova Ponte sobre o rio Paraná
De fundamental importância no auxilio ao escoamento de produção, Três Lagoas inaugurou em 29 de setembro de 2016 uma ponte rodoviária interligada ao vizinho município de Castilho (SP). A ponte sobre o rio Paraná melhora essa logística, pois se integra aos modais ferroviários e hidroviários.

Desenvolvimento da Industrialização
Espalhando-se a passos largos na expansão territorial e econômica, Três Lagoas passa por novos avanços e transformações. Localizada em uma região privilegiada, por suas planícies, caudalosidade dos rios e seu potencial hídrico e hidroviário, contribuíram para que a cidade tornasse então a “Capital Mundial da Celulose”.
Desde os anos 70, o governo brasileiro, subsidiou grandes projetos de desenvolvimento. Entre eles, estavam programas de incentivo ao reflorestamento, que contribuíram para o avanço de todo Mato Grosso do Sul, principalmente nas regiões de Três Lagoas, Água Clara e Ribas do Rio Pardo. Com os incentivos, muitas empresas vieram para Três Lagoas e região.
Na década de 80, a Champion- hoje a International Paper-, se instala no município e emplaca no plantio de eucalipto.
A industrialização efetiva de Três Lagoas dá seus primeiros sinais em meados dos anos 90. A partir daí, nos anos 2000 o eucalipto ganha força e expande seu potencial com a vinda das duas gigantes fábricas de celulose do país; Suzano e Eldorado Brasil.
Em pouco tempo, Três Lagoas passa a ser a “menina dos olhos” de todo Mato Grosso do Sul por seu forte polo industrial. Seu fortalecimento também está atrelado a outras fábricas de pequeno e médio porte que começaram a se espalhar pelos Distritos Industriais I e II.
Com o avanço no crescimento econômico e industrial, Três Lagoas passa a ser a terra das oportunidades: vagas de emprego, salários em alta, rede hoteleira triplicada, lojas, supermercados, farmácias, imóveis e aluguéis supervalorizados, são reflexos do momento de prosperidade que o município atravessa.
Esse desenvolvimento também trouxe fortalecimento para o Comércio local. Atualmente, a cidade engloba 50% do volume de exportação industrial de Mato Grosso do Sul, sendo os principais itens a celulose e o farelo de soja.

COMEMORAÇÃO
A Prefeitura de Três Lagoas, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), presenteará os moradores com a Alvorada Festiva, que acontecerá simultaneamente na manhã de sábado (15), a partir das 6h, em diversos bairros.
A Alvorada Festiva, que acontecia há muitos anos em Três Lagoas, voltou a ser realizada no ano passado e encantou moradores que saíram de suas casas para apreciarem as bandas de diversas cidades de MS que passam em marcha pelas ruas dos bairros convidando para a festividades do Aniversário de Três Lagoas. Vários eventos estão programados.

Mariane Martins
Três Lagoas

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