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Senadora pede ao presidente que assuma o comando do país

ANTÔNIO CRISPIM – TRÊS LAGOAS

O presidente Jair Bolsonaro, desde o início do mandato, vem sofrendo por problemas criados por aliados e pelos próprios filhos. A disputa por espaço ou importância dentro do governo causa sérios desgastes ao presidente. No fim de semana passado, o guru do presidente, o filósofo Olavo Carvalho, que mora nos Estados Unidos, atacou o general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exercício e que integra o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. O ataque teve repercussão imediata, levando o presidente a almoçar com os militares na segunda-feira. Porém, no Senado, houve manifestações de desagravo ao general Villas Bôas. A senador Simone Tebet (MDB-MS), que é de Três Lagoas, fez um discurso histórico e recomendou ao presidente que assuma o comando do país.
Carvalho disse em um microblog, que a pior coisa que ele já viu foi altos oficiais militares buscarem proteção ao se esconderem atrás de um “doente preso a uma cadeira de rodas”. O general Villas Bôas sofre de uma doença neuromotora degenerativa. Ele apresenta perda de mobilidade e usa uma cadeira de rodas para se locomover, além de ter problemas respiratórios. O ataque foi condenado até mesmo por aliados de Bolsonaro, que estranharam o fato dele não defender o general. Olavo de Carvalho desde o início do mandato abriu frente de luta contra os militares, fragilizando o governo.
“O silêncio é a única resposta a se dar aos tolos. Essa frase não é minha. Quando a ignorância fala, a inteligência não dá palpites. Essa frase eu não sei de quem é. Mas é mais do que oportuna. Aqui todos os colegas se adiantaram: vamos nos agigantar diante da crise, e a crise está lá fora”, disse a senadora Simone Tebet em meio a várias manifestações de outros senadores, como o presidente do Senado, David Alcolumbre, frisando que esteve pessoalmente no Palácio do Planalto para dar um abraço ao general e levar a solidariedade da Casa.
“Nós temos uma pauta prioritária do país. Nós temos 13 milhões de desempregados e 5 milhões de desalentados. O Programa “Minha Casa Minha Vida” paralisado por falta de recurso. A reforma da Previdência sendo discutida como necessária para o ajuste fiscal para que possamos alavancar a indústria, e nós estamos discutindo a fala de uma pessoa que está paralisando não o país, mas está paralisando o mais alto parlamento do Brasil. Nós estamos deixando uma única pessoa desestabilizar o governo, e consequentemente o Brasil”, afirmou Simone Tebet.
“E ai, com toda consideração que eu tenho pelo cargo máximo do chefe do Poder Executivo, eu quero nesse momento me dirigir ao presidente Jair Bolsonaro. Eu quero dizer a ele: nos ajude senhor presidente, a ajudá-lo a construir um outro país, mas dessa forma não dá. Nós estamos aqui paralisados porque vossa excelência não diz quem é que manda no Executivo”, acrescentou, reafirmando. “É obvio que nós temos vários núcleos, é importante que se tenha o núcleo militar, núcleo político, núcleo econômico. Todos são fundamentais. Mas aqui eu quero dizer com toda tranquilidade novamente de quem quer apoiar esse governo, e quer que o país dê certo: o pátrio poder é do pai e da mãe, não é nunca dos filhos”. Simone fez a abordagem em alusão à interferência dos filhos do presidente no governo, principalmente Carlos Bolsonaro, que é vereador no Rio de Janeiro.
“Capitão, no imaginário da população brasileira, vale mais do que general. Capitão é quem manda. É preciso que o capitão Jair Bolsonaro determine, imponha, coloque o seu pensamento junto à sua equipe e, democraticamente, decida o que é melhor para o país. Mande os projetos prioritários. Não só a reforma da Previdência. Ela não é a solução única pra esse país. Nós precisamos que esta casa tenha protagonismo. Que o presidente coloque para que nós possamos discutir. Afinal, estamos recebendo altos salários, o pacto federativo, as 50 medidas de desburocratização, e uma reforma tributária”, reafirmou Simone Tebet.
“E é esta mensagem que eu gostaria de deixar depois de nesses cinco dias angustiada ver na imprensa, os dados econômicos, e ver que pela primeira vez na história do Brasil em muito tempo, o país deixou de ser um local dentre os 25 melhores países para investimentos, o que significa: vai faltar dinheiro vindo do estrangeiro. Vai faltar dinheiro público. Vai faltar dinheiro privado. E a economia vai continuar desacelerando se nós não tomarmos providencia, se o presidente da República não usar o seu quepe de capitão, nós estaremos ladeira a baixo. É preciso que o capitão tome as rédeas e, que o Senado Federal possa dar a sua parcela de contribuição”, finalizou a senadora Simone Tebet.

CONFLITOS
Já no início do governo, os filhos do presidente começaram a gerar problemas. Primeiro, Flávio Bolsonaro com as denúncias na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Depois, o filho Carlos bateu de frente Gustavo Bebiano, secretário-geral da Presidência da República. Bebiano caiu e os filhos passaram a ter mais força por diversas vezes criaram embaraços ao pai-presidente. Vários líderes políticos já recomendaram ao presidente para evitar a interferência dos filhos. No entanto, acabam atuando como filhos mimados ou “pimpolhos”, impondo vontades e aumentando o desgaste do presidente. Foi contra a interferência externa na administração que os senadores se manifestaram.

 

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