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PREFEITURA SOLICITA E IBAMA APROVA A REMOÇÃO DE ANIMAIS DA LAGOA MAIOR

A Lagoa Maior, um dos principais cartões postais de Três Lagoas, há muito tempo está no centro das discussões e de polêmicas devido à presença de jacarés do papo amarelo e capivaras. O local foi transformado em importante polo de recreação e passeio da população. Porém, a proximidade com animais gera apreensão e preocupação. O ataque de jacarés a cães e os constantes acidentes envolvendo capivaras já causaram ações na Justiça e muita discussão entre favoráveis e contrários à permanência dos animais. Agora está saindo uma decisão. A Prefeitura encaminhou ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), pedido para remoção dos animais. A remoção foi aprovada. A autorização para transferência dos jacarés pode sair ainda nesta semana e das capivaras, falta apenas algumas informações complementares.
Na manhã desta segunda-feira, em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL, analista ambiental Anna Cristina Mendo, do Ibama em Campo Grande, disse que a Prefeitura, que detém o domínio da área, pediu autorização para remoção dos animais. A analista afirmou que a Prefeitura tem cumprido o seu papel e admitiu que os jacarés “estão no lugar errado”. Segundo Anna Mendo, o projeto de remoção dos jacarés está completo e estavam definindo apenas para onde devem ser levados.
O fiscal ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio de Três Lagoas, Flávio Fardin, disse que o monitoramento aponta a existência de três jacarés adultos e sete juvenis. Porém, admite que pode haver mais de 10 animais no local. A proposta da secretaria é transferir os jacarés para a Reserva Particular do Patrimônio Natural Cisalpina, em Brasilândia. Trata-se de uma área de 22 mil hectares próximo ao Rio Paraná, onde há ocorrência de jacarés da mesma espécie.
De acordo com o fiscal, há trabalho evitando o aumento da população de jacarés na Lagoa Maior. No final de 2016 foram recolhidos mais de 40 ovos, levados para o zoológico de Ilha Solteira. Já em fevereiro do ano passado, foram recolhidos 62 ovos e levados para a Universidade Dom Bosco, em Campo Grande. Destes 62 ovos houve nascimento de cinco animais. “Após a remoção, vamos manter o monitoramento”, disse Fardin.
Sobre a retirada dos jacarés, Anna Mendo disse que a Prefeitura tem estrutura e profissionais capacitados para o trabalho. “A preocupação do Ibama é com o bem estar do animal”, disse a analista ambiental, frisando que a remoção deve ocorrer nas próximas semanas.

RETIRADA
A Prefeitura encaminhou ao Ibama projeto para a retirada de capivaras. Devido à superpopulação e a longa estiagem, animais estão passando forme. Embora também aprove a remoção, o Ibama pediu informações complementares à Secretaria de Meio Ambiente de Três Lagoas para emitir a autorização. Flávio Fardin disse que já encaminhou as informações solicitadas.
O monitoramento indica que há aproximadamente 180 capivaras, divididas em cinco grupos familiares. A proposta da Prefeitura é manter um grupo familiar na Lagoa Maior e remover os demais para o Parque Natural Municipal do Pombo, que tem 8 mil hectares e para a Reserva Biológica das Capivaras, com 70 hectares. O parque natural fica mais distante da sede do município, já a reserva biológica fica próximo aos rios Sucuriu e Paraná (atrás da usina termelétrica).

MANEJO
Embora a Prefeitura tenha equipe e profissionais para fazer a remoção dos animais, não está descartada a contratação de um especialista para acompanhar o trabalho, que deve demandar algum tempo. A transferência de jacarés e capivaras exige manejo diferente.
O Ibama é criterioso na avaliação dos projetos apresentados para transferência de animais. São avaliados vários aspectos, desde a necessidade como o local para onde serão destinados.
Segundo Flávio Fardin, a Prefeitura de Três Lagoas tem atuado em total respeito à legislação e às orientações dos órgãos oficiais.

ANTÔNIO CRISPIM
Três Lagoas

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