REDUÇÃO - Para operar, empresas reduziram o volume de carga e admitem nova redução

Sob ameaça de paralisação, operadores da hidrovia reduzem volume de carga para operar

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ANTONIO CRISPIM

A Hidrovia Tietê-Paraná, um dos principais corredores logísticos de escoamento da produção do Centro-Oeste para o porto de Santos chegou a ter data marcada para suspender as operações: 2 de julho (sexta-feira). No entanto, representantes do setor, como o Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial do Estado de São Paulo (Sindasp) e da Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária (Fenavega), conseguiram protelar a suspensão da operação pelo menos até o dia 6 de agosto. “Até lá vamos intensificar as negociações para estender o funcionamento”, disse Luízio Rizzo Rocha, presidente do Sindasp, vice-presidente da Fenavega e diretor da Confederação Nacional de Transportes (CNT). Na quinta-feira, Luízio participou de reunião com o ministro da Infraestrutura, Tarciso de Freitas. Segundo ele o ministro foi sensível à causa dos operadores da hidrovia.

Segundo o presidente do Sindasp, as empresas que operam na hidrovia já estão trabalhando com calado reduzido. Ou seja, o normal é 3 metros, mas estão com 2,70 metros. Isso reduz a capacidade de transporte das barcadas em aproximadamente 10%. Isso significa que já estão operando com apenas 90% da capacidade. Normalmente a barcaça navega com 6 mil toneladas e agora está com 5,4 mil toneladas.

De acordo com Luizio Rocha, o setor está disposto a trabalhar até mesmo com calado menor reduzindo o volume de carga em até 20% somente para a hidrovia não parar. Rocha disse que em na suspensão de 2014/2016, o prejuízo foi superior a R$ 1 bilhão e muito desemprego. “No entanto, outro problema grave a a falta de confiança no modal”, disse ele. Segundo o presidente do Sindasp, o gargalo é a jusante da Usina de Nova Anhandava, devido à cota dos reservatórios de Três Irmãos e de Ilha Solteira – 325 metros. Para operar, foi apresentada proposta de redução de calado para passar em Avanhandava entre 18 e 22 horas, aproveitando a “onda de vazão”, ou seja, o aproveitamento da água liberada pelas usinas de Barra Bonita e Promissão. “Não consumimos um litro de água para operar, apenas usamos o reservatório”, enfatizou o presidente do Sindasp.

Embora tenha conseguido protelar a suspensão da operação da hidrovia agora, Luizio Rocha disse que é necessário que todos os setores que podem ser atingidos se manifestem e cobrem ação política. Para ele, o problema não é apenas das empresas de navegação. Os produtores rurais, como no passado, poderão ser prejudicados com com o encarecimento do transporte da produção. “Vamos manter os contatos em Brasília para que possamos continuar trabalhando”, reafirmou o presidente do Sindasp.

Na avaliação de Luizio Rocha, com larga experiência na área, a suspensão das operações da hidrovia é ruim para a sociedade. “Para escoar a produção por outros modais, o custo vai elevar e quem paga é sempre o consumidor final”, disse ele.

 

INTERESSES CONTRARIADOS

O engenheiro naval Joaquim Carlos Teixeira Riva, que foi diretor de Hidrovias e Desenvolvimento Regional da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e hoje atua como consultor, é um profundo conhecedor de hidrovias. Ele defende esse modal de transporte. Para Riva, a água não pode ser usada somente para a geração de energia elétrica. “É preciso que haja o remanejamento do sistema para que tenhamos o uso múltiplo das águas”, disse ele em 2015, durante a suspensão da operação da hidrovia. “Não podem deixar que a navegação morra em prol da geração de energia elétrica”, enfatizou na época.

Outros estudiosos vão na mesma direção e apontam que as empresas de geração de energia atuam para aumentar a produção, já que preço está muito elevado. Muito dinheiro em jogo e a pressão aumenta. Os especialistas não descartam também a pressão de outros modais de transporte para desestimular a hidrovia, reconhecidamente a de menor custo.

 

APOIO – Ministro Tarciso Freitas recebeu representantes do Sindasp para discutir o assunto
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Obra necessária está paralisada desde 2019, segundo o Tribunal de Contas

 

O derrocamento (aumento do canal) a jusante da Usina de Nova Avanhandava é considerada prioritária para operação da hidrovia. No entanto, segundo o portal do Tribunal de Conta dos Estado, está parada desde agosto de 2019. O portal indica que o valor total do contrato é de R$ 181.498.267,59 e que até o momento foram pagos R$ 51.809.970,89.

Em maio, após questionamento da reportagem, o Departamento Hidroviário, responsável pela gestão da hidrovia, enviou nota justificando o atraso na obra. “O DH aguarda recursos do DNIT, conforme termo de compromisso firmado, para a realização das obras de derrocamento do canal de Nova Avanhandava”, justificou.

“Além disso, o Departamento ressalta que está investindo em obras de desassoreamento, derrocamento, ampliação de vãos de pontes, manutenção e implantação da sinalização náutica. Estão em andamento, por exemplo, as obras para implantação do canal de montante da eclusa de Ibitinga com investimento de quase R$ 10 milhões”, acrescentou.

De acordo com os operadores da hidrovia, sem a obra a jusante de Nova Avanhandava, a hidrovia sempre tera insegurança nos momentos de crise hídrica.

“A gente parando, o produtor vai pagar um frete maior, o consumidor vai pagar um preço maior, o que vai pressionar o preço da carne e de tudo que depende do farelo da soja, do milho. E isso acaba aumentando pra gente também. Somos nós que vamos pagar essa conta na nossa mesa”, alerta Rocha.

 

PARALISADA -Em novembro de 2018 a obra estava em execução e foi paralisada em agosto de 2019

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