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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Duas cidades da região terão as portas de seus estabelecimentos comerciais fechadas a partir da próxima semana. As Prefeituras de Andradina e Lins decretaram o fechamento dos seus respectivos comércios a partir de segunda-feira, dia 23 de março.
As medidas fazem parte do combate das duas cidades à pandemia do novo coronavírus.
Em Andradina, decreto assinado pela Prefeita Tamiko Inoue (PSDB), proíbe a abertura das lojas do comércio da cidade por duas semanas, entre os dias 23 de março e 5 de abril. Estão liberadas apenas as vendas que foram realizadas pela internet, serviço de delivery ou por telefone neste período.
Estabelecimentos como galerias comerciais, shoppings, clubes, academias, salões de beleza, não poderão se manter em funcionamento.
Proibido o consumo de alimentos em lanchonetes
O decreto não se aplica a estabelecimentos considerados de primeira necessidade ao consumo, como supermercados, farmácias, lojas de conveniência, e todos os estabelecimentos especializados em venda de alimentos, locais de venda de alimentação para animais, distribuidoras de gás e água mineral, postos de combustível, padarias, lanchonetes e restaurantes.
A nova lei ainda proíbe as padarias, lanchonetes, restaurantes e lojas de conveniência, de permitirem o consumo no local, deixando livre apenas o atendimento em balcão ou serviço de entrega, retirando mesas e cadeiras do estabelecimento.
Os locais abertos ainda terão de fornecer álcool em gel para a higienização de seus clientes e funcionários, além de intensificar as ações de limpeza e divulgar informações sobre as medidas de prevenção da Covid-19.
Lins pode cassar alvará de estabelecimentos
Em Lins, decreto semelhante foi divulgado pela Prefeitura nesta sexta-feira. A medida de fechamento do comércio também durará entre 23 de março e 5 de abril, e exclui estabelecimentos que vendem alimentos para humanos e animais e remédios. Os espaços que ficarem abertos terão de disponibilizar álcool em gel para os clientes.
Segundo nota enviada pela assessoria de imprensa, os estabelecimentos que não cumprirem medidas de higiene, ou que não atenderem ao decreto de fecharem suas portas, poderão sofrer punições que podem chegar até à cassação do alvará de funcionamento do estabelecimento.
Abertura de lojas será facultativa em Araçatuba
Uma reunião ocorrida no final da manhã de ontem na Prefeitura Municipal de Araçatuba definiu que a abertura do comércio na cidade neste período de pandemia do novo coronavírus será facultativa.
Participaram da reunião o Prefeito Dilador Borges; os secretários de governo, Manoel Afonso de Almeida Filho; de Desenvolvimento Econômico e Relações do Trabalho e Turismo, Marcelo Mazzei; o Chefe de Gabinete, Deocleciano Borella Júnior; além do Diretor da ACIA, a Associação Comercial e Industrial de Araçatuba, Ney Ferracioli; e do presidente da ALCA, Associação dos Lojistas do Calçadão, César Braga.
De acordo com a decisão, os comerciantes que quiserem fechar as suas lojas contarão com o apoio das entidades ligadas ao comércio do município. Enquanto isso, os lojistas que quiserem manter as portas abertas terão de cumprir uma série de requisitos que, segundo a Prefeitura, serão publicados em decreto hoje.
Dentre estes requisitos está a higienização, a cada 3 horas, de superfícies de toque como balcões, corrimão de escadas rolantes, maçanetas, portas, etc, além de pisos, paredes e banheiro. A limpeza deverá ser feita com álcool em gel 70% ou com água sanitária.
Será obrigatório também que o estabelecimento disponibilize álcool em gel para utilização dos clientes e funcionários do local.
O fluxo de pessoas na loja também deverá ser controlado para evitar aglomerações, não podendo passar de 50% da capacidade máxima do estabelecimento constada em alvará de funcionamento. Locais como playgrounds, brinquedotecas, espaço kids de jogos estão proibido de funcionar.
A nossa reportagem conversou com César Braga, presidente da ALCA, que demonstrou muita preocupação com o momento vivido no mundo todo por conta da pandemia. “A coisa está tão abalada que não reflete somente no calçadão, reflete geral, é extremamente preocupante”, afirmou Braga.
Segundo ele, além da questão de saúde pública ser preocupante, o cenário para os lojistas também passa a ser incerto com este momento. “O vírus é preocupante, ver as pessoas da forma como estão é preocupante, o cenário comercial é preocupante. Eu percebi que as pessoas estão com medo de sair às ruas, não sabemos o que tudo isso vai causar no futuro, momento de incertezas”, analisou preocupado.
César Braga ainda falou em prevenção contra a Covid-19 e na fé para superar o momento de dificuldade. “Temos que nos prevenir ao máximo e pedir a Deus que tudo isso passe o quanto antes para que todos voltem à vida normal, da forma que está infelizmente não está legal. Vamos ter fé e acreditar em dias melhores”, concluiu.
Movimento na área central cai drasticamente
De fato, como afirmou o presidente da ALCA, o cenário no comércio de Araçatuba nesta sexta-feira era muito diferente do habitual: algumas portas de lojas fechadas, a maioria delas abertas, porém com movimento baixo, e poucas pessoas se aventurando a andar pelo calçadão e pelas ruas do entorno, que compõe o grande centro comercial da cidade. Um centro de compras, localizado na mesma região, também recebia baixo movimento no momento em que nossa reportagem esteve no local, na manhã de ontem.
Em conversa com uma atendente de loja, que não quis ser identificada, ela afirmou que no comércio onde trabalha o público diminuiu drasticamente nesta semana, após o estouro da crise de saúde pública no país. Ela afirmou que o último dia “normal” no calçadão foi no sábado, quando o movimento ainda não tinha sofrido nenhum tipo de impacto.
O estabelecimento onde a atendente trabalha, que fica bem localizado em uma das esquinas do calçadão, teve uma queda de pelo menos 75% no movimento normal em pouco tempo. Ela ainda afirmou que o fluxo de pessoas no calçadão só tem aumentado próximo da hora do almoço, quando parte dos funcionários deixam os seus postos de trabalho rumo às suas casas, ou ainda para lanchonetes e restaurantes próximos.
Muitas lojas já foram encontradas de portas fechadas nesta sexta-feira.

Um estabelecimento especializado em artigos esportivos localizado na Rua Duque de Caixas deixou um comunicado aos clientes avisando da paralisação do local por tempo indeterminado.
O mesmo ocorre com uma loja de roupas localizada na esquina das Ruas Anita Garibaldi e Princesa Isabel, no início do Calçadão, que fechou as suas portas e deixou um comunicado na porta avisando o motivo.
Nossa reportagem conversou com o proprietário do estabelecimento comercial, que faz parte do grupo de risco para o coronavírus. José Olívio Sertório tem 69 anos e disse que está fechando as portas por sua segurança e de sua esposa. “A partir de hoje estamos fechados. Só vim aqui para arrumar algumas coisas na loja e já estou voltando para casa”, disse rapidamente por telefone.

 


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