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Após agressão, professor de Lins não voltará mais à sala de aulas

DA REDAÇÃO – Lins

O professor da rede pública de ensino do estado de São Paulo, Paulo Rafael Procópio, 62, afirmou durante entrevista que não voltará a dar mais aulas após ter sido agredido com um soco no rosto por um aluno de 14 anos de idade na Escola Estadual Otacílio Santana, no último dia 22 de fevereiro.
De acordo com informações apuradas pela reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL, o professor de Geografia e História contou que o aluno de 14 anos, de outra turma, tentou entrar na sala de aula para conversar com uma menina.
Diante da negativa do professor, que desenvolvia uma atividade, o menor teria forçado a entrada, e foi novamente impedido. Segundo o boletim de ocorrência, o menino jogou um caderno no professor e o agrediu com vários socos.
À polícia, o estudante contou que foi até a sala pra conversar com uma prima dele. O menor disse também que o professor teria negado e o pegou pelo braço para colocar fora da sala. Entretanto, o menor confirmou que jogou o caderno e deu um soco no professor. O educador foi levado à Santa Casa de Lins e recebeu oito pontos nos cortes, sendo seis no rosto e dois no supercílio.
O agressor foi apreendido e hoje está internado em uma unidade da Fundação Casa do município. Já o professor ainda tem as cicatrizes da agressão no rosto e ‘ na alma’ , como mesmo revelou durante a entrevista.
“Eu estou muito chateado. Há 20 anos trabalho como professor e nunca imaginava que algo assim pudesse acontecer. Ainda encontro muitos alunos na rua, que pedem para que eu volte, mas já decidir que não vou voltar”, disse.
O professor está licenciado da escola por dois meses, por conta de uma licença prêmio que tinha direito. Ele já deu entrada na aposentadoria e aguarda a finalização. Quando se aposentar, Paulo Rafael pensa em fazer trabalhos voluntários ligados à educação. Desde o dia da agressão, nenhum familiar do aluno o procurou.
O que deixa o professor feliz, diante de uma situação como essa, é receber o carinho de alunos que o apoiam. Ele já possui uma coleção de cartas, aproximadamente 150, após o ocorrido. São palavras e mensagens de apoio por tudo o que ocorreu. O professor recebe de todos os lugares do Brasil, de norte a sul.
“São muito solidários, falam do ocorrido, desejam melhoras e pedem para que eu não pare. Eu agradeço às mensagens, mas não vou voltar. Eu deixo uma mensagem aos alunos para que dê valor ao seu professor. Pense bem, não dê trabalho ao seu professor, pois queremos passar aprendizagem”, revelou. (William Abdalla/Joaõ Bento)

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