*Francis Polo
Este foi um ano especial para o Brasil no que diz respeito à energia fotovoltaica. Com a marca histórica de 20 gigawatts (GW) de potência instalada atingida em setembro, essa fonte, que já é a terceira maior geradora do país, está prestes a se tornar a segunda, atrás apenas da matriz hídrica. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) estima que fechemos 2022 com aproximadamente de 23 GW de potência total instalada.
Dados da entidade indicam que atualmente há cerca de 1,2 milhão de sistemas23 solares residenciais instalados. Somando as usinas de grande porte e os sistemas de geração própria de energia elétrica em telhados, fachadas e pequenos terrenos, o número é o equivalente a 9,6% da matriz elétrica do país.
Vale lembrar que, desde 2012, a fonte solar trouxe investimentos de R$ 93,7 bilhões para o Brasil e R$ 25,4 bilhões em arrecadação para os cofres públicos. Mais de 540 mil empregos foram gerados no setor, no período, e foram evitadas 26,5 milhões de toneladas de emissão CO2 na geração de eletricidade, segundo a Absolar.
Outra informação relevante relativa a 2022 é que, de acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) e da Agência Internacional de Energia (IEA), com a marca de 20 gigawatts (GW) o país entrou na lista dos dez maiores mercados globais de energia solar.
Muito desse desempenho foi resultado da Lei nº 14.300/2022 (Marco Legal da Geração Distribuída), que definiu prazo até 6 de janeiro de 2023, para que consumidores homologuem projetos e não paguem alguns impostos até 2045. Agora, o Projeto de Lei (PL) 2.703/2022, de autoria do deputado Celso Russomano (vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara), está sendo debatido praticamente todos dias neste final de ano, e votado inclusive. Ele estabelece a restituição dos prazos para o cumprimento das regras inicialmente previstas visando ampliar o prazo em mais um ano para as novas regras da compensação de energia definidas na Lei 14.300.
Fato é que, por uma razão ou outra, a velocidade de desenvolvimento da energia fotovoltaica no Brasil está em um patamar mais elevado. De acordo com projeções da Absolar, a fonte deverá gerar mais de 300 mil novos empregos em 2023 no país. Informações divulgadas no Encontro Nacional Absolar, neste mês, apontam que os investimentos gerados pelo setor no período deverão ultrapassar R$ 50 bilhões.
Para o ano que vem é esperado o incremento de mais 10 gigawatts (GW) de potência instalada, alcançando um acumulado de mais de 33 GW. Esse dado representa crescimento de mais de 52% sobre a potência solar atual do Brasil. E olha que as projeções foram feitas com base em um cenário conservador, considerando fatores macroeconômicos, mudanças de governos federal e estaduais, efeitos de políticas energéticas e possíveis consequências da modernização do setor elétrico, entre outros.
A utilização cada vez maior de uma fonte de energia limpa e renovável é um caminho sem volta, para o bem da nossa economia, de todos nós e do nosso planeta. Agradeçamos ao sol pelo futuro que nos aguarda.
*Francis Polo é empresário do setor de energias renováveis

