Da Redação – Araçatuba
O clima esquentou na sessão ordinária da Câmara nesta semana. O vereador Luciano Perdigão (PSD) não gostou do questionamento da CPI da Saúde quanto ao seu trabalho na saúde municipal, incluindo o serviço prestado durante o período da O.S. Mahatma Gandhi, e pediu para deixar a comissão.
Na última semana, durante a formação da Comissão, foram escolhidos os vereadores João Pedro Pugina (PL) como presidente, Arlindo Araújo (SD) como relator, e Denilson Pichitelli (Republicanos) como membro. Luciano Perdigão (PSD) e Damião Brito (Rede) ficaram como membros suplentes.
Ao formalizar o pedido, em carta lida durante a sessão, o vereador Perdigão criticou o Presidente da CPI, João Pedro Pugina (PL), e o relator Arlindo Araújo (SD), afirmando que eles “não souberam vasculhar de forma correta” falando sobre a presença de seu nome em trabalhos envolvendo a O.S.
No caso, no documento apresentado pelos vereadores à Presidente da Câmara, Edna Flor (Podemos), consta o nome de Perdigão na função de diretor técnico do Hospital da Mulher, o que segundo o vereador ocorreu no período da pandemia, quando foi montado o hospital de campanha no espaço.
“Esse documento foi construído de forma muito equivocada e muito tendenciosa, porque ele assimila o meu nome como diretor de uma instituição vinculada à Mahatma Gandhi. Lá eu era coordenador técnico, são cargos técnicos, a gente está ali apenas para atualizar os profissionais da área da saúde quanto ao manejo clínico das doenças”, disse.
“Fazer um documento assim, coloca por vez, que se você não tem capacidade técnica de avaliar um documento que é o cadastro nacional de estabelecimento público, como você vai avaliar questões envolvendo a saúde e dar respostas técnicas em relação a isso aí?”, questionou Perdigão.
Arlindo e Pugina não perderam a chance de rebater o colega. Inicialmente, Arlindo disse que o questionamento feito à Presidente da Câmara sobre a legitimidade de sua participação foi para manter a lisura da CPI, mas não era para ter sido exposto, como Perdigão o fez.
“Eu sinto que seja bom mesmo que saia, porque ia comprometer a imagem dos resultados dessa CPI, poderia ser questionado pelo Ministério Público inclusive. Como um investigado vai participar da investigação? Eu não sei o que ele fez lá”, disse Arlindo.
O veterano da Câmara ainda disse que achou boa a retirada de Perdigão da comissão, já que ele não teria a “isenção suficiente” para participar das investigações. “Como ele poderia investigar ele mesmo?”, questionou Arlindo Araújo sobre o caso, ainda reafirmando a capacidade técnica da CPI de realizar um bom trabalho.
“A CPI poide arrumar médico para assessorar. Eu não sou médico, nem o Pugina, mas a gente pode fazer perícia contábil, perícia médica, uma série de coisas. Advogados para analisar os contratos. Temos condições de fazer um trabalho bem feito sim”, seguiu.
Já Pugina lembrou que Perdigão foi dispensado pela Zatti Saúde, que atualmente administra as UBSs em parceria com a Secretaria de Saúde, e pediu para que o vereador não utilize uma suposta mágoa de forma política e como forma de interferir nos seus trabalhos como vereador e nos trabalhos da CPI.
“Não vou aceitar lição de moral, tampouco ressentimento atrelado ao trabalho técnico que tem sido feito em cima disso. Acredito muito na premissa de quem não deve não teme. Não envolvi publicamente o vereador nessa CPI. Ninguém está contestando a integridade. Ao mesmo tempo, que o senhor questiona minha capacidade técnica de apurar a CPI, eu peço que o senhor não faça uso político e não capitalize o ressentimento que o senhor tem com a Zatti, que se foi dispensado, acredito que eles tenham motivo para isso”, disse Pugina.
O presidente da CPI ainda afirmou estar aberto para realizar todas as investigações necessárias, mesmo que isso envolva contratos atuais, e sugeriu que vereadores que tiverem denúncias que as levem até à Comissão para que sejam incluídas na investigação.

