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Araçatuba
quarta-feira, agosto 10, 2022

Imóveis do Minha Casa Minha Vida apresentam problemas sérios

Quase 11 mil famílias de Araçatuba foram beneficiadas pelo programa Minha Casa Minha Vida, realizado pelo Governo Federal em parceria com a Caixa e com construtoras em todo o país.

O programa, que beneficia famílias de acordo com suas faixas de renda, teve investimentos de mais de R$ 955 milhões em Araçatuba, de acordo com a assessoria de imprensa do banco. Na faixa 1, destinada a famílias com renda de até R$ 1.800,00 por mês, foram entregues 3.933 casas.

Um total de 6.760 moradias foram para famílias que integram a faixa 2, com renda de até R$ 4 mil; e outras 240 para quem tem renda mensal de até R$ 9 mil.

Apesar de todas essas pessoas terem realizado o sonho da casa própria, muitas vivem transtornos com problemas estruturais e vazamentos.

A Caixa tem um canal de atendimento exclusivo para os beneficiários do programa, onde é possível registrar reclamações sobre problemas e danos físicos nos imóveis. Porém, mesmo que receba as reclamações, o banco direciona as providências para as construtoras responsáveis pelas obras.

E é aí que os problemas dos moradores aumentam, pois nem sempre as empresas atendem às solicitações.

Segundo a Caixa, as construtoras que não solucionarem os problemas, bem como seus sócios, dirigentes e responsáveis técnicos, ficam impedidas de efetuar novas operações de crédito com o banco e são acionadas na justiça para ressarcimento dos custos.

FALHAS NA EXECUÇÃO

Problemas com os imóveis são comuns em todo o país, embora um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) aponte que 80,3% dos entrevistados possui alto ou médio grau de satisfação em relação às unidades entregues pelo Minha Casa Minha Vida.

Uma fiscalização recente do Ministério da Transparência indicou falhas em 48,9% dos imóveis da faixa 1 do programa de habitação.

O relatório aponta que, de um total de 688 empreendimentos, foram identificadas falhas na execução de 336, que concentram quase 93 mil unidades. Os principais problemas são trincas e fissuras, infiltração, vazamentos e cobertura.

Um mesmo imóvel pode ter mais de uma determinada situação e, a grande maioria delas, está ligada a falhas ou deficiências por causa da incidência de água.

ÁGUAS CLARAS

Um exemplo dessa situação é família de Juliana e Tiago Haberman, que tem sérios problemas com o imóvel adquirido pelo MCMV no bairro Águas Claras. Eles se mudaram com os dois filhos para lá em abril de 2014 e, já no mês de maio, começaram a sofrer com o imóvel.

“Vieram as chuvas em maio e ai começou nossa luta com a nossa casa”, desabafa Juliana. Segundo a moradora, a casa é mais baixa do que a rua e, por isso, quando chove, a água invade os cômodos. Devido às inundações que já ocorreram, a família já perdeu móveis e utensílios domésticos.

“Em uma das vezes, quando a chuva começou não estávamos em casa. Ao chegarmos, a água já tinha invadido tudo e perdemos guarda-roupa, as camas dos nossos filhos e material escolar deles”, relembra.

Juliana e o esposo procuraram a Caixa para reportar o problema da casa, mas foram orientados a levar o caso para a construtora responsável pela obra. A empreiteira, de Araçatuba, demorou muito tempo para tomar providências.

“Depois de muita insistência nossa, a construtora cimentou o quintal, instalou uma válvula de retenção e alguns ralos. Mas eles são pequenos e, com a pressão da água que vem da rua na chuva, os ralos não conseguem escoar”, explica Tiago.

Para conseguir medidas mais efetivas, a família entrou na justiça contra a construtora. Após um ano e meio de tramitação do processo, foi instalado um bueiro na frente da casa.

“O bueiro ajuda mais do que os ralos, mas, mesmo assim, quando chove, não podemos lavar roupa e nem usar o banheiro, senão a água volta”.

DE OLHO NA QUALIDADE

Segundo a Caixa, todas as medidas adotadas por meio do programa De Olho na Qualidade têm objetivo de garantir aos seus clientes que seus imóveis tenham a qualidade exigida pelo banco, que é o gestor do MCMV.

Dados da Caixa informam que o total de demandas recebidas no programa sobre possíveis danos físicos foram concluídas com 83% de solução, sendo que 6% estão em atendimento e 10% resultaram em apontamento para o construtor.

Juliana e Tiago seguem, como muitas outras famílias brasileiras, aguardando a conclusão do processo que tramita na justiça para que a construtora resolva em definitivo seu caso.

“Nosso processo está aguardando sentença e nós seguimos tentando nos adaptar a cada chuva, sempre assustados com o que pode acontecer com nossa casa”, afirma Juliana.

Karen Mendes

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