DESCASO - Entidades observam que, com a pandemia, abandono cresceu em todo o Brasil

Em um ano, 700 denúncias de abandono e maus-tratos de animais

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Em um ano, Araçatuba registrou 701 denúncias de descaso contra animais. O número consta em levantamento da Secretaria Municipal de Saúde encaminhado à Câmara na última terça-feira como resposta a requerimento do vereador Boatto (MDB) sobre reclamações de abandono e maus-tratos de cães e gatos na cidade.

Conforme o balanço, do total de queixas, 309 foram relacionadas a maus-tratos e 299, de abandono. Apesar da estatística, no documento oficial, a Prefeitura diz que todos os casos foram “averiguados e resolvidos”.

No entanto, a administração municipal não explica como estas ocorrências foram solucionadas.

O teor de cada uma das denúncias deverá ser conhecido em breve. Ainda na resposta encaminhada ao Legislativo, a gestão do prefeito Dilador Borges Damasceno (PSDB) informa que, em breve, encaminhará ao parlamentar autor do requerimento e-mail com a digitalização de todos os episódios referentes aos períodos solicitados, “haja vista que cada reclamação possui várias folhas inclusive com fotos”.

Mesmo com o município tendo informado que os episódios relatados em 2020 foram resolvidos, não há sinais de que, no município, a prática esteja diminuido. Em 2021, até o momento, foram registradas 134 reclamações.

Esse total dá uma média de 67 casos por mês, quantidade superior ao volume médio mensal registrado em 2020, que foi de 58,4. Segundo a administração municipal, de todas as queixas já realizadas, 20 de maus tratos e 29 de abandono de animais foram resolvidas.

PROJETOS

Os números sobre abandono de animais vêm à tona no momento em que a proteção e a defesa animal são objetos de várias proposituras na Câmara Municipal. A reportagem apurou que, desde o início da atual legislatura, em janeiro deste ano, dez projetos voltados aos animais foram protocolados.

O montante se deve ao fato de, na atual composição do legislativo araçatubense, ter aumentado a presença de parlamentares atuantes na causa animal. Se, até o ano passado, era apenas Arlindo Araújo (MDB) quem exercia esse papel, agora, há mais dois: além de Boatto, Cristina Munhoz (PSL) também.

Dentre as matérias, uma, de autoria de Boatto, propõe a colocação dos dizeres “Maltratar e abandonar animais é crime – Lei federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e Lei Municipal nº 7.772, de 19 de outubro de 2015 ” nos carnês de pagamento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

Em outro projeto, a colocação desses mesmos dizeres é proposta em cartazes nas repartições públicas, devendo ficar em locais de fácil visibilidade. Boatto também propôs o atendimento de animais abandonados ou pertencentes a pessoas carentes através de convênio entre o município e hospitais veterinários mantidos por estabelecimentos de ensino superior. Por fim, o emedebista sugere a divulgação, no site da Prefeitura, dos animais disponíveis para adoção no Centro de Controle de Zoonoses do município.

 

 

Em todo o País, situação se agravou com a pandemia

 

Segundo órgãos veterinários, a pandemia do novo coronavírus fez aumentar o número de animais domésticos abandonados. Dentre as razões, estão a crise econômica que aumentou o desemprego, fazendo com que as pessoas não tenham condições financeiras de manter um animal e a mudança de vida causada pela atual situação.

Estas constatações são confirmadas por organizações não governamentais, pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária e até mesmo pela SaferNet Brasil, entidade que monitora conteúdos que violam direitos na internet.

Em nível nacional, a ONG Cão Sem Dono informa que, desde o agravamento da pandemia no Brasil, tem recebido cerca de 200 e-mails por dia. Em geral, de gente interessada em encontrar novos donos para seus pets.

Outra ONG de nível nacional, chamada Cão Sem Fome, aponta um número de cinco vezes maior de abandonos de cães do que o normal. É uma realidade diferente da observada no começo da pandemia, quando as pessoas até procuraram adotar mais, “pensando em ter uma companhia” no período de isolamento.

Há ainda relatos de casos de animais de estimação cujos donos morreram de covid-19. Com a perda do ente querido, famílias descartaram os animais. Os especialistas, no entanto, alertam que é mentirosa a notícia de que cães transmitiam a covid-19.

 

 

 

 


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