As coisas permanentes

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José Renato Nalini

O famoso T.S.Eliot, Thomas Stearns Eliot (1888-1965), foi um poeta, dramaturgo, filósofo e ensaísta norte-americano, falava em “coisas permanentes”, aquelas que merecem preservação.
O mundo atual parece ter-se esquecido dos ensinamentos do ganhador do Nobel de Literatura em 1948, cujo poema “Waste Land” é ainda hoje fonte de inspiração para os amantes da literatura.
A modernidade é prenhe de erros ideológicos. De fanatismos e de excessos que repudiam o recado grego: “nada em excesso”. Por isso é que pensadores como Arnold J. Toynbee (1889-1975), o grande estudioso das cidades, chamavam seu tempo de “período de desordem”. Aquilo que se considerou o “breve século 20”, que teria iniciado com a Primeira Guerra Mundial, em 18 de julho de 1914 e a dissolução da União Soviética, em 9 de dezembro de 1991. O historiador Eric Hobsbawn (1917-2012) chamou esse lapso secular de “Era dos Extremos”, enquanto o historiador católico Paul Johnson (1928), ainda vivo e em atividade, atribui a turbulência do século passado ao declínio dos valores tradicionais cristãos, substituídos por ideologias seculares de esquerda ou de direita.
Entretanto, o que seriam essas “coisas permanentes”, que não poderiam ser esquecidas?
Coisas singelas, que em geral as mães, responsáveis pelo precioso “currículo oculto”, desde cedo transmitem a seus filhos. Cumprimentar as pessoas. Não se apossar do que é do outro. Não desperdiçar. Manter asseio pessoal e o do ambiente em que você circula. Não jogar lixo no chão. Respeitar as pessoas.
Será que tudo isso é muito difícil de ser assimilado? Não é. Parecem regras de bom senso, embora essa lógica espontânea e natural parece também estar em perigo em alguns espaços, notadamente no Brasil.
Se as “coisas permanentes” tivessem merecido atenção e empenho por parte de todos os educadores – e educadores somos todos nós, pois a educação é dever da família, do Estado e da sociedade – o país não estaria nessa situação de fragilidade dos elos sociais.
Olvidou-se, esta Pátria, de fortalecer os laços que nos unem a todos, habitantes de um abençoado território, “onde se plantando tudo dá”, para incentivar atitudes hostis, belicosas, desrespeitosas e indignas de um ser civilizado.
Ainda há tempo de remediar a situação. Mas é preciso muito esforço e predeterminação. Infelizmente, não há vacina para a falta de valores.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.


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