Home Cidades Araçatuba No dia professor, profissionais de Araçatuba elencam desafios do EAD e relatam saudades da sala de aula

No dia professor, profissionais de Araçatuba elencam desafios do EAD e relatam saudades da sala de aula

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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Neste ano de 2020, pela primeira vez os professores de todo o país estão comemorando o seu dia, neste 15 de outubro, de uma maneira diferente. Por causa da pandemia de covid-19, as aulas foram suspensas em todo o país no mês de março e, aqui no estado de São Paulo, só foram liberadas para voltar a acontecer em outubro.

Araçatuba, porém, segue com o ensino presencial letivo proibido, sendo permitidas apenas aulas de reforços escolar ou de cursos complementares, como de idiomas, por exemplo. Esta situação de 8 meses de aulas remotas causou um novo desafio para os professores, que tiveram de se adaptar ao ensino à distância, que ainda era um embrião em algumas escolas da cidade.

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL conversou com alguns profissionais de ensino de Araçatuba, que relataram as dificuldades e desafios apresentados à profissão neste ano.

Desafios

Para a professora Rosângela Fulini Rodrigues, que leciona Língua Portuguesa para alunos do ensino fundamental na escola Seb Thathi, em Araçatuba, afirma que foi necessária uma mudança no planejamento pedagógico para que o ensino seguisse durante a pandemia.

“Tivemos que modificar o nosso planejamento pedagógico e encontrar novas alternativas para envolver nossos alunos, pra motivá-los e propiciar o desenvolvimento destes estudantes, mesmo que à distância. Descobri que fiz muito mais do que eu poderia imaginar, a preparação das aulas eu faço todos os dias, então as ideias elas vão surgindo conforme você vai vendo o conteúdo que você tem ali”, contou Rosângela.

Ela afirma que tem conseguido uma boa resposta de seus alunos com as aulas remotas, o que a deixou emocionada em muitos momentos.

“O feedback que eu tenho tido dos alunos é emocionante, eles têm participado absurdamente. As famílias, nós nunca ficamos tão próximos. Deixar o professor entrar na sua casa, abrir as portas, e ajudar nesse processo de ensino e aprendizagem. Nós tivemos participações muito especiais, eles montaram um jornal. Eles participaram de palestras, fizeram perguntas. Trazer todo esse conhecimento de fora tem sido muito enriquecedor”, afirmou.

Para o professor Cláudio Henrique da Silva Ferreira, que leciona as disciplinas de história, geografia, sociologia e filosofia na rede particular e estadual em Araçatuba, adaptar-se ao novo modo de ensino foi como “trocar o pneu do carro em movimento”.

“Posso resumir pra você que a preparação nesse período foi trocar o pneu do carro com ele em movimento. Nós tínhamos o EAD como futuro e agora temos o ensino à distância como uma realidade que veio muito prematura e nós precisamos aperfeiçoar isso, mas estamos convivendo”, afirmou Ferreira.

Cláudio comenta que precisou passar a utilizar a sua conta no whatsapp como meio de trabalho durante a pandemia, para não perder o contato com os alunos.

“O feedback tem sido desafiador. Os nossos whatsapp viraram mecanismo de trabalho. Telefonamos pro aluno, um esforço muito grande de todos da escola, é uma força tarefa”, conta o professor, que afirma que todos os profissionais da escola tentam manter contato com os alunos para garantir a aprendizagem.

Já para a professora de artes Camila Lemos, que leciona em uma escola particular e também na escola estadual Manoel Bento da Cruz, o I.E., ela conseguiu vencer o desafio e aproveitou o momento para aprender novas técnicas de ensino.

“Eu sou uma professora muito apegada aos meus alunos, gosto de estar perto e remotamente é um pouco mais complicado, mas estamos conseguindo vencer esta etapa. Eu até gostei desses desafios, porque acabei aprendendo novas técnicas de ensinar os alunos, posso dizer que eu venci o desafio”, contou.

Dificuldades

Camila Lemos afirma que seus alunos sentiram dificuldades na fase inicial, mas com o passar do tempo foram se adaptando à nova realidade.

“Assim como os professores tiveram dificuldade, os alunos também tiveram muita dificuldade no início, porém, hoje eles já conseguem, através de envio de atividades, conversas entre as aulas, eles já conseguem passar essa desenvoltura e aprendizado com grande evolução”, explicou

Segundo a professora Rosângela Fulini, a maior dificuldade das aulas remotas é adequar todo o ensino para o modelo remoto.

“Eu acredito que a maior dificuldade é adequar às aulas, os materiais, as atividades, para o outro modelo que não o presencial. A situação ficou mais complicada quando tivemos que dominar as novas ferramentas, metodologias, para adaptar às aulas a um novo formato. Isso exige tempo e é um tempo que não tínhamos”, afirmou.

Para Cláudio Henrique, o problema de aprendizagem ficou mais acentuado. Ele afirma que é ainda mais difícil convencer os alunos da importância do conteúdo estando longe fisicamente.

“Dificuldades são as mesmas do ensino presencial, tínhamos a dificuldade de o aluno ter a ciência da aprendizagem e hoje nós ainda temos muito problemas em relação a isso. Fazer o aluno se interessar pela atividade é o desafio, essa dificuldade tem se acentuado agora”, afirmou.

Saudades

Os três professores consultados pela reportagem afirmam que sentem muita falta do convívio diários com os alunos e não veem a hora de revê-los, principalmente em um ambiente que seja novamente seguro e, se possível, livre de qualquer tipo de contaminação.

“A profissão de professora envolve muita relação interpessoal e acolhimento, talvez aqui esteja a maior perda, a falta do olho no olho, das interações entre os professores e os alunos, não tem sido fácil”, conta Rosângela.

Cláudio Henrique crê que o momento será importante para que os professores e alunos valorizem mais o ensino presencial quando voltarem.

“A sala de aula faz muita falta! Seja para o aluno no sentido de não ter o contato social, quanto para professores. Tem sido dolorido demais. É inegável que a ausência do presencial deixa bastante saudade. É o momento de nós refletirmos. Que possamos usar esse período pra dar muito valor no ensino presencial e aos professores”, explanou Cláudio Henrique.

Camila Lemos acredita que sua profissão foi mais valorizada neste ano, principalmente pela falta que os alunos sentiram destes profissionais para desenvolverem seu aprendizado.

“A sala de aula fez uma falta enorme, porque eu sou uma professora que faço o que amo. Eu amo estar perto deles. Este ano, mais do que nunca, o professor passou a ser cada vez mais valorizado, porque ele pode fazer cada vez mais a diferença na vida do ser humano e do indivíduo que tem interesse no aprendizado”, opinou Camila Lemos.

Foto: Rosângela Fulini

Crédito: Arquivo Pessoal

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Foto: Cláudio Henrique

Crédito: Arquivo Pessoal

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ADAPTAÇÃO – “Tivemos que trocar o pneu com o carro em movimento”, disse Cláudio Henrique, professor de filosofia e geografia
FALTA – “A sala de aula faz uma falta enorme, porque eu sou uma professora que faço o que amo”, disse Camila Lemis, professora de artes

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