Home Cidades Araçatuba Políticos ‘das antigas’ tentam bater recorde de mandatos em cidades da região

Políticos ‘das antigas’ tentam bater recorde de mandatos em cidades da região

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

As eleições municipais de 2020 já registraram um recorde antes mesmo de terminar. Atingiram a marca de 517.786 candidatos, entre postulantes a prefeituras e vagas nas câmaras municipais. Em meio a esse universo, repleto de gente que se lançou à disputa pela primeira vez com discurso de ruptura com a chamada “velha política”, há nomes tradicionais que, se forem eleitos neste ano, farão história em seus municípios, chegando ao quarto ou quinto mandato. Para observadores da política regional, tal situação revela a falta do surgimento de novas lideranças ou o domínio de antigos grupos políticos em determinadas cidades.

Neste ano, Tarek Dargham (PTB) e Euclásio Garruti (DEM) concorrem à reeleição em Guararapes e Piacatu, respetivamente. Uma eventual vitória nas urnas levará ambos à quinta gestão como prefeitos de seus municípios. Concluindo um possível novo mandato em 2024, eles terão atingido marca de 20 anos de governo, sendo os prefeitos que mais tempo ficaram nos cargos nessas localidades.

O petebista e o democrata têm idades próximas e governaram suas cidades em épocas praticamente idênticas. Aos 67 anos, Dagham foi prefeito de Guararapes entre 1993 96, de 2001 a 2008 e termina em dezembro o atual mandato, iniciado em 2017. Um pouco mais velho que o guararapense, com 71 anos, Garruti governou Piacatu quase nos mesmos períodos que Dargham – a única diferença é que a primeira gestão do democrata foi de 1989 a 92.

Já em Glicério, o ex-prefeito Enéas Xavier da Cunha (PTB) tentará, neste ano, chegar ao quarto mandato. Ele governou a cidade natal do presidente Jair Bolsonaro entre 1993 e 96 e de 2005 a 2012. Desta vez, sua candidatura representa o que se pode chamar de uma coalizão de ex-prefeitos. Cunha é candidato, tendo o também ex-prefeito Itamar Chiderolli. Por ironia, foi justamente Chiderolli quem substituiu Cunha após a última gestão do petebista.

Longe do posto máximo da hierarquia municipal há 12 anos, o tucano Salvador Matsunaka também quer chegar ao quarto mandato em Lavínia. Apesar de não governar a cidade, nesse período, era nítida a influência do político do PSDB. Como exceção do atual governante, Clovis Izidio (PV), que tentará a reeleição, todos os prefeitos eram ligados a Matsunaka.

Em Clementina e Braúna, políticos das antigas também tentam retomar o poder que exerceram entre a segunda metade da década passada e o começo da atual. Agora, eles querem o terceiro mandato. Aos 71 anos de idade, Nelson Casula é o candidato do PSDB em Clementina. Já Heitor Verdu, 76, tenta voltar à cena política por um partido novo, o Podemos. Ambos foram prefeitos de seus municípios no mesmo intervalo de tempo, entre 2005 e 2012.

EX CONTRA O ATUAL

A situação observada nesses munícipios mostra que a corrida eleitoral envolve quem já foi prefeito e quem está prefeito em muitos casos. Além de Lavínia, em Glicério e em Braúna também, os políticos tradicionais tentarão voltar ao Executivo, tendo os atuais mandatários como adversários. A briga só não fica polarizada porque, justamente acompanhando tendência nacional de muitos candidatos em 2020, até mesmo nas cidades de pequeno porte, desta vez, o leque de candidaturas se abriu com mais intensidade. Na pequena Clementina, por exemplo, são quatro concorrentes.

Cenários como esses podem ser observados não só nos municípios pequenos. Em Araçatuba, maior cidade da região, um dos sete adversários do prefeito Dilador Borges (PSDB) na disputa pela reeleição é o ex-prefeito Domingos Andorfato (PTB). Aos 80 anos idade, ele é o candidato mais velho a prefeito de toda a região neste ano. Foi prefeito da cidade de 1993 a 96. No entanto, a atual campanha começou conturbada para o decano dos prefeituráveis. O MPE (Ministério Público Eleitoral) pediu a impugnação de sua candidatura, sob a alegação de que ele está inelegível pelo fato de ter “quebrado” suas empresas. O caso ainda será julgado.

Das maiores cidades da região, a única que, neste ano, não terá prefeito contra ex-prefeito na corrida municipal é Penápolis. Lá, os seis candidatos tentam se eleger pela primeira vez.

BOM E MAU

Entre os observadores política regional, um partido, ao apostar em figuras conhecidas, tem uma vantagem e uma desvantagem. A primeira é que pode ser um facilitador, considerando o tempo curto de campanha, o que é uma desvantagem para os novatos. Por outro lado, em um momento no qual o desejo é grande por renovação, escolher um nome tradicional pode prejudicar. Sendo assim, só mesmo o pleito de 15 de novembro irá responder.

 

Crédito: Otávio Manhani/Jornal Comunicativo

: TEMPO – Se reeleito, Euclásio Garruti chegará ao quinto mandato à frente da Prefeitura de Piacatu
Otávio Manhani/Jornal Comunicativo

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