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SÓ O CAPITALISMO “INCLUSIVO” SALVA
Tive a honra e o privilégio de participar do Ilan – Instituto Liberal da Alta Noroeste de Araçatuba como membro e diretor, por quase dois anos. Instituto esse idealizado e fundado pelo jovem brilhante e visionário Rodrigo Andolfato. Com o objetivo nobre, a missão do Ilan é propor, debater, fomentar e divulgar a corrente filosófica sobre o pensamento econômico liberal austríaco; um ambiente fértil de ideias, uma usina de pensamentos e de reflexões. Arguto, Andolfato é possuidor de uma sapiência indescritível. Suas aulas e reflexões eram excepcionais. Porém, democraticamente e costumeiramente, quase sempre divergíamos de algumas reflexões.
Para não perder o costume, li e não pude deixar de discordar das reflexões expressas em seu artigo “Só o capitalismo salva”, publicado nesse periódico no último dia 6 de setembro. Não há sombra de dúvidas que o capitalismo; um sistema político econômico, foi muito eficaz em proporcionar desenvolvimento e conforto a humanidade. Exemplos não faltam: geração de riquezas, avanço tecnológico acessível à quase todos, entre outras várias benesses usufruídas por nós. Porém, todo o sistema político e econômico que não se adapta a realidade do seu tempo, está sujeito à fadiga de material (em Engenharia Mecânica, é o fenômeno de ruptura progressiva de materiais sujeitos a ciclos repetidos de tensão ou deformação).
Explico: A partir de 2008, economistas de várias matizes, inclusive liberais, começaram a colocar em dúvidas a eficácia do capitalismo. 2008 foi o ano em que ocorreu uma crise econômica que abalou o mercado financeiro mundial. Apesar de não ter atingido profundamente o Brasil, essa crise acarretou sérias consequências tanto aos Estados Unidos quanto à Europa. Os setores mais prejudicados foram os financeiros. Esse evento contribuiu sobremaneira na suspeição de que o capitalismo na sua essência tornara-se insustentável. A busca frenética ao lucro revelara um sistema desregulado que corrói ás bases econômicas, sociais e políticas das democracias.
No Brasil, a persistência de políticas econômicas erráticas e as famosas pedaladas fiscais ocorridas em 2014 deixou milhões de desempregados, inflação com viés de alta, insegurança na economia e na politica, resultando no impeachment de uma Presidente da República. Para piorar, com uma economia que rastejava a beira de uma recessão, fomos surpreendidos no início deste ano pela Covid-19. Todas as previsões macroeconômicas foram revistas; crescimento negativo do PIB, estimado em torno de -6%, déficit fiscal que em 2019 foi 0,9% do PIB, hoje está em 9,9% e o aumento da extrema pobreza, com aproximadamente 15 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza.
Uma tempestade perfeita que fez com que vários gestores públicos e CEOs revissem a necessidade de um novo modelo de capitalismo. Hoje, mais do que nunca é necessário políticas públicas para reduzir as desigualdades a fim de permitir mais prosperidade econômica e mais crescimento. Ignorar ou postergar o custo social, em saúde, habitação, educação e em uma renda mínima aos cidadãos em situação de vulnerabilidade é temeroso tanto na boa governança privada quanto na estatal. O lucro não deve ser o único objetivo e motivação da humanidade. Enfim, trata-se de grande equívoco exaltar o capitalismo em sua essência como salvação da humanidade. Urgente se faz em aplicar um novo modelo: O capitalismo inclusivo.

Evandro Everson dos Santos é policial militar aposentado e bacharel em economia

 


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