Home Cidades Araçatuba Falta de matérias-primas afeta comerciantes e setor industrial da região de Araçatuba

Falta de matérias-primas afeta comerciantes e setor industrial da região de Araçatuba

11 minutos de leitura
Compartilhe esta notícia!

DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

 

Na retomada econômica, que se intensificou com o avanço da região de Araçatuba para a fase amarela do Plano São Paulo, tanto as lojas que vendem os produtos ao consumidor final, quanto às indústrias que os fabricam, estão sofrendo com a falta de matéria-prima.

E o efeito “cascata” ocorre: falta insumos para a produção, causa atraso na fabricação e a consequente falta de alguns produtos nas lojas.

Em pesquisa feita pela reportagem ao longo da semana, foi constatado que em diversos setores está havendo falta de materiais.

Tecidos e materiais de construção

Na última sexta-feira, por exemplo, algumas malharias de Araçatuba estavam com falta de máscaras para venda final, isto porque os materiais utilizados para confeccioná-las estão em falta no mercado, o que atrasou a produção e desabasteceu estes estabelecimentos.

O setor de material de construção é outro que está sentindo a falta de materiais como cimento, aço, PVC e MDF. Esta parte da economia foi uma das que manteve bons rendimentos, mesmo com a pandemia. Segundo dados da Anamaco, associação do varejo de construção em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, no último mês de julho, ainda durante a fase mais restrita, mais de 54% dos lojistas haviam registrado alta nas vendas em relação a maio.

“Nosso setor não estava esperando esse crescimento. O que tem nos surpreendido nos últimos meses foi uma procura muito grande por materiais básicos para construção e reforma. Há, inclusive, falta de cimento no mercado, o que tem trazido um desafio para nós e para as construtoras e clientes no geral”, disse Juliano Ohta, que é CEO da Telhanorte, uma das empresas fortes do setor no país, em entrevista concedida há algumas semanas no canal CNN, confirmando a falta de materiais.

Leite

Em matéria publicada na edição deste sábado (3) do jornal O LIBERAL REGIONAL, ao falar sobre o crescimento no setor de fabricação de sorvetes e vendas do produto, por causa do forte calor, Onassir Leal, também havia registrado a falta de leite, dando inclusive o motivo, já que o gado leiteiro está em retração no mercado devido à seca.

“A única coisa que está faltando, a gente não está tendo como achar é o leite, por causa desta seca, mas de vez em quando chega um pouquinho aqui e a gente está dividindo bem para os clientes para ninguém ficar sem trabalhar”, disse.

Fato este confirmado também por Alexandre Souza, que é jornalista e dono de sorveteria em Araçatuba e afirma que está com problemas para conseguir leite para fabricação de seus sorvetes.

“Está faltando, tem falta de leite, você tem que correr atrás, está meio problemático, e você pega um leite caro, está f***”, disse.

Matérias-primas para indústria

Um dos principais prejudicados é o polo calçadista de Birigui, que também está sofrendo com a falta de insumos. A indústria também tem sofrido com a falta de matérias-primas, principalmente àquelas derivadas do petróleo.

De acordo com Samir Nakad, que é dirigente do SINBI, o Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui, materiais que estão faltando na área da construção civil, como o PVC, além de resinas advindas do petróleo, estão causando dor de cabeça aos empresários da cidade que produzem calçados em grande quantidade.

“Tudo que é derivado de resina, resina advinda do petróleo, principalmente, realmente nós estamos em falta. Além disso, outras matérias-primas que são derivadas do petróleo, como por exemplo os laminados, que são utilizados na fabricação dos cabidais de calçados, outro exemplo, as matérias-primas das quais são feitos os solados dos calçados, o PVC e outros componentes plásticos”, afirmou Samir Nakad.

Ele ainda seguiu citando outros materiais em falta na produção, como linhas de costura e insumos para a fabricação de embalagens.

“As linhas de costura, estes produtos em especial realmente estão faltando e estão atrapalhando o funcionamento das indústrias de Birigui, além de outros, papelão de caixas, por exemplo, também está tendo falta, enfim, são insumos básicos para se construir um sapato. Espumas, também é outra coisa que vem faltando”, elencou.

Um estudo feito pra FIESP, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, apontou que na primeira quinzena do mês de agosto, quase metade das indústrias do estado (47,1%) estavam com dificuldades para a compra de insumos, matérias-primas e mercadorias. 40,9% das empresas não observaram alteração significativa, enquanto 11,3% não sentiram dificuldades para compra. A pesquisa foi feita com 314 empresas do estado entre os dias 2 e 4 de setembro.

Além disso, nesta mesma pesquisa, foi constatado que cerca de 63% das indústrias estavam com o estoque abaixo do nível normal considerando sua expectativa para os próximos quatro meses. O preço também subiu, segundo 92% das empresas. Samir Nakad afirma que esse aumento foi entre 10% e 15% para as indústrias de Birigui.

“Está acontecendo aumento de preços, entre 10% e 15%, além da dificuldade e da falta das matérias-primas, isso está impactando para as empresas porque as mercadorias já estavam vendidas com preços fechados e na hora de comprar as matérias-primas para fabricar os calçados estão enfrentando este aumento”, afirmou Nakad.

Motivo

Para o dirigente do SINBI, a falta de produção dos distribuidores de matérias-primas durante a pandemia é o principal fator que ocasionou a falta de insumos.

“A falta de matéria-prima é porque as empresas que fabricam produtos base, elas ficaram por algum tempo paradas. E muitas delas, para que haja retomada da fabricação e depois da distribuição leva tempo, não é algo instantâneo como a gente gostaria que fosse”, explicou.

Para Samir Nakad, a situação deve se estabilizar nos próximos meses.

“Naturalmente as coisas vão se acomodar em breve, mas enquanto isso não acontece há essa falta que a gente está observando”, concluiu.


Compartilhe esta notícia!