Home Cidades Araçatuba Forte calor leva agentes de saúde a pedirem suspensão das atividades

Forte calor leva agentes de saúde a pedirem suspensão das atividades

8 minutos de leitura
Compartilhe esta notícia!

ARNON GOMES – ARAÇATUBVA

As altas temperaturas e a baixa umidade relativa do ar nos últimos dias tornaram impraticável a atividades dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias e controle de vetor, que realizam seus serviços a céu aberto.

Por causa disso, o Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias do Estado de São Paulo a formalizar, na última sexta-feira, na Prefeitura de Araçatuba, pedido para suspensão das visitas domiciliares nos horários de pico de calor e umidade baixa.

A reportagem apurou que o requerimento tem base em uma série de fundamentos jurídicos relacionadas às condições do tempo, juntando toda a questão insalubre destas atividades em período de calor intenso. Caberá ao município decidir se acata ou não.

Na sexta, assim como ao longo da semana passada, os termômetros na cidade registraram temperaturas acima dos 40 graus. O horário de pico se deu das 14h às 18h, quando atingiram 42 graus. Às 8h, estavam em 36 graus e às 20h, 30. Já a umidade do ar ficou entre 10% e 15%.

Hoje, em Araçatuba, há aproximadamente 250 agentes de saúde. Caso o pedido seja acatado, eles deixarão de fazer as visitas domiciliares quando estiver muito quente.

 

AMPARO LEGAL

Segundo o pedido, assinado pelo presidente do sindicato, Paulo Alexandre Lopes, Norma Regulamentadora de nº 15 (NR 15 – Portaria 3214/78) obriga a avaliação das condições do local de trabalho a partir do Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG), capaz de identificar a exposição do trabalhador ao calor local.

“Todos os trabalhadores da categoria exercem suas atividades laborais expostos ao calor intenso e, por isso, se faz necessário que o empregador avalie tais condições, de modo a evitar que o calor excessivo cause dano à saúde do profissional flexibilizando e/ou adequando sua jornada de trabalho”, diz o representante do sindicato, no documento.

Ele ressalta que a maior preocupação que se deve ter com esses profissionais, em épocas de condições climáticas tão adversas, é com os efeitos do estresse térmico. Isso pode levar à exaustão, ao esgotamento físico e mental, a câimbras, conjuntivites, insolação, desmaios e à desidratação que são comuns em locais com muita incidência de calor. “Problemas como tais prejudicam a saúde do profissional e comprometem sua capacidade de produção; ademais, o excesso de calor pode desencadear, inclusive, doenças mais sérias, como câncer de pele e problemas respiratórios graves”, enfatiza Lopes.

O sindicalista explica ainda que NR 15 define a necessidade de se fazer uma análise qualitativa do calor, verificando os índices da temperatura a que os trabalhadores estão expostos, sendo que a medição deve ser feita no local de trabalho. Isso, inclusive acompanhando todo o procedimento que o trabalhador executa para identificar a temperatura e em que parte do corpo o calor pode atingir mais.

Por isso, a expectativa é conseguir junto à Secretaria Municipal de Saúde a flexibilização do horário de trabalho no período de forte calor, em especial quando tiver alerta da Defesa Civil sobre calor excessivo e umidade do ar inferior a 25%, para que se possa contribuir e evitar danos à saúde do trabalhador. Agentes de saúde ouvidos por O LIBERAL REGIONAL defendem, nesses dias, o trabalho externo das 7h30 às 13h30, e no restante da tarde, com home-office, fazendo serviços administrativos em suas casas. Um abaixo-assinado foi feito com esse pedido.

DESGASTE

Em conversa com a reportagem, uma agente de saúde relatou ter tido sangramento nasal nesta semana. Outra funcionária afirmou ter parado em muros muito quentes enquanto fazia visitas domiciliares. Tais situações ocorreram, segundo elas, no período da tarde. Elas afirmam ainda que, com o uso obrigatório da máscara em virtude da pandemia do novo coronavírus, “tem sido praticamente impossível respirar”.

Mesmo com o calor constante e em plena pandemia, são perceptíveis os trabalhos de profissionais de rua em Araçatuba. São os casos dos carteiros, que trabalham de bicicleta na entrega de correspondências, e dos pedreiros. Um deles, que trabalha em obra externa, afirmou que, nesta semana, não voltou ao serviço no período da tarde.

“Como uma pessoa que trabalha com saúde vai trabalhar sem condições de saúde?”, questionou uma servidora, que preferiu não se identificar.

 


Compartilhe esta notícia!