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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Para quem frequenta mensalmente ou semanalmente os supermercados, é notória uma alta nos preços de muitos produtos. Na edição da última sexta-feira (4), o jornal O LIBERAL REGIONAL publicou matéria sobre o aumento do preço da carne vermelha, isso por conta do privilégio à exportação e pela menor oferta do boi neste período, onde apenas os pecuaristas que possuem confinamento é que negociam o gado de corte.

Entretanto, além da carne, outros itens estão com os preços bem mais altos. É o caso, por exemplo, do arroz branco, um dos itens mais comuns na mesa da população brasileira.

O crescimento nos preços virou até motivo de justificativa para um supermercado, que já alerta ao publico sobre o crescimento nos valores e explica os motivos. Desde o início desta semana, um supermercado localizado na esquina das avenidas Saudade e Joaquim Pompeu de Toledo, colocou um cartaz junto às prateleiras de arroz do estabelecimento, explicando para os consumidores o motivo do preço mais alto e dizendo que está se esforçando para manter o valor do produto o mais baixo possível.

Na manhã desta quarta-feira, a reportagem esteve no local e constatou a presença do comunicado, colocado bem em cima de uma das marcas menos caras do produto presentes na loja. “Alguns alimentos vêm sofrendo aumento de preço, dentre eles o arroz, em virtude da elevação do consumo e da exportação à América Central e China”, explica o comunicado.

O texto escrito pela direção da empresa ainda afirma que o local está se esforçando para manter os preços e para aumentar a oferta do produto. “Estamos trabalhando para reduzir o impacto desse aumento e para ampliar a oferta de itens”, diz o texto, que ainda termina agradecendo a compreensão dos clientes.

Neste supermercado, uma das marcas mais famosas e consumidas de arroz estava custando, ontem, R$ 21,99, sendo que o mesmo arroz, da mesma marca, custava R$ 19,29 no último dia 21 de agosto, um aumento de 14% em menos de 20 dias. Em fevereiro, era possível encontrar o produto por até R$ 14,90, neste caso, a alta foi de quase 48% em 7 meses.

Associação supermercadista dialoga com governo federal

Na última semana, a Associação Brasileira dos Supermercados já havia emitido um comunicado alertando sobre o aumento de preços de itens da cesta básica, como o arroz.

A associação já havia dado a mesma explicação que o supermercado visitado por nossa reportagem, de que as exportações, principalmente em função da alta do dólar, que tornou o produto brasileiro muito competitivo no mercado externo, fizeram diminuir a oferta do produto internamente. Também houve diminuição da importação. O Japão, por exemplo, é um país do qual o Brasil importa arroz e houve uma diminuição na oferta de arroz asiático nas prateleiras.

A ABRAS ainda soltou em seu comunicado que a política fiscal de incentivo às exportações e o aumento na demanda interna por conta da quarentena também refletiram no aumento do preço do arroz e de outros itens presentes na cesta básica como o feijão, o leite e o óleo de soja.

O comunicado ainda deixou claro que a entidade é contra o aumento de preços “abusivo” e garantiu que tem dialogado com representantes do Ministério da Agricultura e pessoas responsáveis pelo abastecimento do produto.

Outros itens em alta

Não é só o arroz que teve aumento no preço. O ramo da alimentação foi um dos que mais teve crescimento em agosto. A informação está presente em um estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o aumento do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

O IPCA teve alta de 0,24% no mês de agosto, o que corresponde à terceira alta seguida, já que havia subido 0,26% em junho e 0,36% em julho. De acordo com o IBGE, os alimentos registraram uma alta de 0,78%, o que prejudica as famílias de menor renda.

Além do arroz, que subiu 3,08% segundo os dados, foram registradas altas ainda maiores em itens como carnes (3,33%), frutas (3,37%), leite longa vida (4,84%), óleo de soja (9,48%) e tomate (12,98%).

Segundo o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, o arroz já acumula uma alta de 19,25% no ano, sendo que dependendo da região do país, o produto chega até aos 30% de alta desde o início do ano. O feijão carioca, bastante consumido na região de Araçatuba, também acumula uma alta no ano de 12,12%.

Além do arroz e do feijão, frutas como manga (61,63%) e limão (36,56%), e legumes como cebola (50,4%) e abobrinha (46,87%) acumulam uma valorização de preço ainda maior ao longo de 2020.

 


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