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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

A Região de Araçatuba se mantém no topo da geração de emprego com carteira assinada em 2020, conforme divulgou ontem a Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).
De janeiro a julho, o território compreendido por Araçatuba e mais 42 municípios terminou com saldo de 1.506 empregos formais criados, permanecendo na primeira posição estadual.
O número é resultante da diferença no número de trabalhadores admitidos e demitidos e foi calculado a partir de dados obtidos junto ao Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia.
Atrás de Araçatuba, aparece a Região de Barretos. Ambas foram as únicas a terminar os primeiros sete meses com saldo positivo na criação de postos de trabalho em todo o Estado. Ao todo, foram pesquisadas 17 regiões administrativas em todo o território paulista.
A posição regional na pesquisa foi mantida mesmo com o modesto crescimento observado em julho, mês em que a região foi a décima-primeira a gerar mais empregos no Estado.
Pelo menos desde maio, a região apresenta tendência a liderar a abertura de oportunidades de ocupação. Conforme reportagem publicada por O LIBERAL REGIONAL em 10 de julho, até o quinto mês de 2020, a Região de Araçatuba era a única em São Paulo a ter contratado mais do que demitido neste ano.
SETORES
Conforme os dados apresentados na pesquisa, apenas dois setores produtivos terminaram com saldo positivo acumulado no ano (janeiro a julho): construção civil e o da agropecuária.
“Todavia, o grande destaque foi o setor da agricultura, pecuária e pesca que tem grande presença na Região Administrativa de Araçatuba. Dessa forma, a presença de importantes empresas do segmento do agronegócio e de elos de sua cadeia produtiva na região foram importantes para o destaque estadual alcançado pela cidade que aparece na primeira posição do ranking estadual em relação ao saldo de empregos”, analisa o economista Marco Aurélio Barbosa, professor da FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional Araçatuba).
Apesar da crise econômica ocasionada pela pandemia de covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, empresas sediadas na região foram duplamente beneficiadas, na avaliação do docente. Primeiro porque houve aumento da demanda de alimentos no mercado interno; segundo por causa da ampliação das exportações e da conquista de novos mercados em um contexto de taxa de câmbio favorável. “Essas duas frentes de oportunidades aceleraram as vendas, a produção e, consequentemente, a geração de empregos na região”, diz Barbosa.
ANDRADINA
Especializado em economia regional, o professor destaca o aumento das exportações para a China ao longo do período de janeiro a julho como consequência da ampliação das vendas externas das commodities agrícolas produzidas na região.
Ele destaca Andradina como exemplo de ampliação das exportações de cidades estratégicas da região no setor do agronegócio e das exportações de commodities. Segundo ele, as vendas de Andradina para a China aumentaram 49,7% entre janeiro e agosto deste ano em comparação com o mesmo período de 2019. Esse aumento representa um acréscimo de US$ 42,8 milhões de dólares nas exportações locais ante o mesmo período do ano passado.
“Essas vendas externas geram efeitos de encadeamento positivos nos municípios em que essas empresas estão instaladas gerando reflexos também para outros setores econômicos como comércio, serviços e indústria”, complementa o economista.
Diante desse contexto, Barbosa acredita que são boas as perspectivas para o desempenho regional em relação à empregabilidade até o fechamento do ano.
Isso, segundo ele, vai depender da gradual retomada do crescimento de outros setores produtivos (indústria, comércio, serviços e construção) e da manutenção do desempenho do setor do agronegócio.

 

No Estado, abertura de vagas mantém ritmo estável

Em nível estadual, a pesquisa mostra que, entre junho e julho, o número de empregos permaneceu relativamente estável no Estado de São Paulo e no Brasil.
As 301 mil demissões ocorridas no estado foram mais do que compensadas pelas 324 mil admissões, o que resultou na geração de 23 mil empregos (0,2%).
De janeiro a julho, houve decréscimo de 350 mil empregos no estado, o que corresponde a 32% da redução de postos de trabalho formais no Brasil (-1,1 milhão, ou -2,8%).
Segundo a Fundação Seade, esse resultado se deveu, principalmente, à utilização do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda que alcançou, desde abril, 5,1 milhões de empregos no Estado. Desses, 1,1 milhão de novos acordos ocorreram em julho. “Note-se que, nesse período, 2,2 milhões dos acordos (42%) corresponderam à suspensão do contrato de trabalho”, diz a fundação, em nota distribuída à imprensa.
“No ano, exceto pelas regiões de Araçatuba e Barretos, todas as regiões apresentaram redução do nível de emprego, destacando-se o município de São Paulo (-126 mil), demais municípios da Região Metropolitana de São Paulo (-84 mil) e a região de Campinas (-54 mil)”, completa.

A5 Info


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