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DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

O Centro Especializado em Reabilitação III (CER) Ritinha Prates, de Araçatuba, deu início em julho deste ano a um programa de reabilitação voltado a pacientes que tiveram a Covid-19. O atendimento é feito à pacientes graves pós-hospitalização, que além da infecção pelo vírus SARS-CoV-2 e as sequelas que a doença ocasiona, necessitaram de tempo prolongado em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde a maioria faz uso de Ventilação Mecânica Invasiva, com uso de oxigênio suplementar e medicações como bloqueadores neuromusculares e corticoides, desenvolvendo uma síndrome pós-terapia intensiva.

O coordenador do setor de fisioterapia da entidade, Marcos Adriano Mantovan, explica que as comorbidades pré-existentes, as sequelas pós Covid-19 e os efeitos colaterais da internação prolongada levam a perda de função pulmonar, assim como perda significativa de força muscular respiratória e periférica, gerando grande comprometimento funcional dos pacientes.

“Nós fazemos uma avaliação fisioterapêutica para identificar o status funcional do indivíduo e desenvolver os objetivos terapêuticos específicos para cada paciente. Utilizamos recursos para promover expansão pulmonar, higiene brônquica, ajudamos no fortalecimento da musculatura respiratória e periférica, fazemos recondicionamento cardiovascular. Também contamos com laser terapia em pacientes mais graves, com ulceras por pressão, por exemplo, para promover aceleração da cicatrização da ferida, com objetivo de promover ganho funcional e melhora da qualidade de vida do paciente”, detalha Mantovan.

 

 

 

Estágio grave

Após 25 dias internada, sendo 15 na UTI da Santa Casa de Araçatuba, a aposentada Vera Lúcia Sanches, de 63 anos, precisou de atendimento especializado após receber alta. Ela ficou com sequelas graves, e acabou perdendo toda a movimentação muscular. A filha dela, Gislaine Sanches dos Santos Soares, que é dona de casa, contou que a mãe pegou a Covid-19 em meados de julho, e em questão de dias o seu quadro evoluiu rapidamente para um estágio grave.

Gislaine relata que a mãe começou a sentir sintomas de coriza e garganta raspando, e no dia seguinte já estava com febre alta, acima dos 39 graus, e muita dor de cabeça. “Nós não imaginávamos que fosse o novo coronavírus até então, porque minha mãe não saia de casa, e ninguém nos fazia visitas. Quando os exames deram positivo para a doença, foi um grande susto. O quadro clínico dela ficou muito grave, antes de ser intubada, os exames de raios-x constataram que o pulmão esquerdo dela estava 100% comprometido, enquanto o direito já estava 80%”, diz Gislaine sobre os motivos da intubação.

Durante todos os dias que esteve internada, a família, por questão de segurança, não podia realizar visitas no hospital, e era informada através de ligações diárias da equipe médica sobre o estado de saúde de Vera. Quando recebeu alta e saiu da Santa Casa, a aposentada não tinha forças para se levantar ou fazer ações consideradas simples, como tomar um copo d’água sozinha. “Minha mãe sempre precisou de cuidados especiais, pois possui esquizofrenia, mas sempre se movimentou sozinha, sem precisar de ajuda. Ela sempre foi uma mulher muito ativa, nunca gostou de ficar parada, e de repente, perdeu tudo isso”, afirma a filha.

Orientada pelos profissionais da Saúde da Família de seu bairro, Gislaine conseguiu que a mãe fosse encaminhada para atendimento no Ritinha Prates. As atividades começaram na semana passada e ela garante que já notou uma boa melhora no quadro da mãe. “Ela já está ficando em pé sozinha, com o andador, e andando um pouquinho, também com andador. Além disso, ela já consegue se alimentar sozinha o que até alguns dias atrás não era possível. Acreditamos que em breve ela consiga recuperar boa parte dos movimentos graças ao trabalho desenvolvido pelo CER”, finaliza.


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