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DA REDAÇÃO – Araçatuba

Há dois anos, o prefeito de Araçatuba, Dilador Borges Damasceno (PSDB), decidiu com sua equipe da Secretaria de Saúde que mudaria o Pronto-Socorro Municipal – principal equipamento de saúde da Prefeitura – até então instalado no bairro Aviação, para uma construção velha, dos tempos da já inexistente NOB (Estrada de Ferro Noroeste do Brasil), na região central da cidade. A “brincadeira” do tucano, que tem o feito como uma grande ação de sua administração, representou ao município uma despesa calculada, até hoje, conforme o Portal da Transparência do Executivo, uma despesa de R$ 39.415.836,37.

Um gasto que poderia não ser questionado se a mudança tivesse, de fato, resolvido os problemas da população que depende do serviço municipal de saúde. O que não aconteceu, uma vez que as reclamações sobre os atendimentos prestados continuam. E mais, além de gerar à Prefeitura um gasto milionário, acabou criando na cidade um novo elefante branco: o prédio onde até então funcionava Pronto-Socorro Municipal, que não foi reformado como prometido por Dilador e há dois anos apodrece com as intempéries do tempo. Num claro e avançado processo de sucateamento com sinais de quem pede “salvação” para si próprio.

O antigo PS Municipal, cravado no meio do que foi no passado um complexo de saúde pública no bairro Aviação – onde também está o Hospital da Mulher, fechado por Dilador Borges Damasceno para realização de serviços de obstetrícia; o Hemocentro e outros serviços como o Caica (Centro de Atenção Integral à Criança e Adolescente – hoje está completamente abandonado e sem nenhum tipo de uso.

A mudança dos serviços de saúde para o prédio do onde um dia o Hospital Santana, prestador de serviço particular na área de ortopedia e pertencente a um grupo de médicos, gerou ao município uma despesa que atualmente está acumulada em R$ 598.211,28, conforme mostra o Portal da Transparência da Prefeitura, somente com alugueis pagos ao longo dos últimos dois anos. No primeiro ano de contrato essa despesa mensal era de R$ 24 mil e atualmente está em R$ 25.057,68.

A transação para troca de endereço foi tão contundente por parte da administração municipal que o “novo” PS na área central da cidade deixou no nome “Hospital Santana” de lado e passou a ser denominado Aida Vanzo Dolce, nome de “batismo” do Pronto-Socorro do bairro Aviação que, além da funcionalidade, perdeu a própria identidade.

Além das despesas com aluguel do prédio, a administração de Dilador Borges Damasceno, que optou por contratar uma OSS (Organização Social em Saúde) para fazer a administração do “novo” Pronto-Socorro, gastou em dois anos, com os serviços prestados à população de forma terceirizada, a quantia de R$ 38.817.625,09.

Pelos dados contidos no Portal da Transparência, se observa que a OSS foi contratada em abril de 2018, inicialmente, pelo valor de R$ 17.463.636,66. No entanto, desde então, a parceria sofreu cinco aditamentos de valores. Três deles com montantes expressivos: R$ 585.384,34 e R$ 1.352.960,81 no primeiro ano de contratação e mais R$ 1.658.816,24 nos 12 meses seguintes de prestação de serviços.

Enquanto o dinheiro público escoa pelo ralo do antigo prédio por meio de aluguel e do contrato de prestação de serviço, o antigo pronto-socorro pede socorro. Mais um prédio público abandonado, enquanto o município aumenta a relação de prédios locados para uso próprio, para serviços terceirizados e até mesmo para uso do estado.


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