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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

A bicicleta passou a ser a companheira de muitas pessoas que ficaram órfãs de outras atividades físicas durante a pandemia do novo coronavírus. Com o fechamento de academias, centros esportivos, e a recomendação da Organização Mundial da Saúde para que não houvesse aglomerações, andar de bicicleta passou a ser uma opção para se socializar e exercitar o corpo.

Quem é de Araçatuba e acompanha a programação da Clube FM 96,3 todas as manhãs, ou quem é da região e acompanha o programa “Pega Leve” na hora do almoço, conhece a locutora Andreia Halibozek. Mas o que muitos não sabem é de sua paixão por andar de bicicleta. Ela conta que sempre gostou da atividade, mas durante a quarentena comprou equipamentos próprios para a atividade e passou a andar de bicicleta praticamente todos os dias.

“Eu já andava antes, mas esse ano voltei com tudo por causa da quarentena, não dava pra ir à academia, e eu tive que me reinventar na quarentena, sempre amei andar de bike, é um esporte ao ar livre, eu sou apaixonada por bike”, afirmou.

A apresentadora da Clube FM afirma que este esporte é uma terapia e a sua prática a faz se sentir melhor fisicamente e psicologicamente. Além disso, Andreia afirma gostar de encarar desafios. “Com a bike você respira um ar fresco, pra mim é uma terapia, fora o desafio de pedalar um pouco mais todos os dias”, contou Andreia, que já chegou a andar até 80km em um só dia.

Melhor resultado de vendas em mais de 30 anos

Assim como Andreia, muito mais gente procurou na bicicleta uma forma de se exercitar durante a pandemia. Tanto que grande parte das lojas do setor está comemorando o aumento “explosivo” nas vendas a partir de março desde ano.

De acordo com Marco Antônio de Oliveira Coelho, proprietário da Araçá Bike, localizada na rua do Fico, em Araçatuba, o volume de vendas dos últimos meses foi o maior que já viu em mais de três décadas atuando neste ramo. “Nossa, aumentou demais as vendas, inclusive está até faltando bicicleta no mercado, principalmente do modelo Aro 29, que dá um rendimento maior, essas já estão faltando”, comentou.

O jornal O LIBERAL esteve no estabelecimento de Marco na tarde desta segunda-feira e, em 15 minutos, o fluxo de clientes do estabelecimento foi grande. Segundo o proprietário, alguns clientes estão tendo que esperar até 5 meses para receber suas bicicletas. “A gente trabalha com várias marcas aqui, mas o pedido deles, a previsão é para entrega em 4 ou 5 meses”, explicou.

O modelo Aro 29, o mais procurado até o momento em sua loja, não sai por menos de R$ 1.500 e 90% de suas peças são chinesas, o que aumenta a dificuldade de compra por conta da alta demanda.

Mas não foi só a venda de bicicletas que aumentou. O conserto de modelos antigos que estavam encostados nas casas dos consumidores também aumentou. “Aumentou demais, cara que tinha bike lá parada 2 ou 3 anos na casa dele, que não estava pedalando, hoje ele traz aqui na loja pra fazer a manutenção, ou as vezes a gente vai buscar e ele traz e quer pra ontem”, afirmou Marco que também afirmou que o prazo para entrega de um serviço de lubrificação, um dos mais simples a serem feitos na restauração de bicicletas, aumentou em pelo menos 10 vezes. “Se você trazer uma bicicleta para lubrificar aqui eu vou te passar no mínimo o prazo de 10 dias para te entregar, porque aumentou demais. Antes o cara vinha aqui em um dia e eu já entregava pra ele no dia seguinte”, contou.

O crescimento nas vendas também atingiu acessórios como roupas especiais, capacetes, squeezes, dentre outros equipamentos utilizados para a prática do ciclismo.

“Explosão” de mais de 100%

O proprietário da Bike Shop Mazotti, de Andradina, Carlos Mazotti, compartilhou do mesmo discurso empolgado do seu colega de ramo em Araçatuba. Dono de um estabelecimento especializado em venda de bicicletas no Jardim Alvorada, Mazotti afirmou que suas vendas cresceram em mais de 100% no período da pandemia.

“Posso te garantir que passou de 100% o aumento de vendas. Houve inclusive falta de bicicletas, de peças, porque as fábricas não estão conseguindo atender à demanda, o consumo está muito grande”, afirmou por telefone à reportagem.

Mazotti inclusive utilizou a expressão “explosão” para classificar o enorme crescimento nas vendas do produto. “A gente não estava esperando essa explosão de vendas. Nem a gente e nem as fábricas. As bicicletas de baixo, médio e alto valor, todas tiveram altíssima procura”, disse.

O empresário afirmou que muitas pessoas idosas passaram a procurar a sua bicicletaria, porém 50% de suas vendas foram para jovens abaixo dos 30 anos. Mazotti acredita que a falta de opções de atividades físicas fez crescer a procura. “Eu acho que fechou as academias, o povo ficou querendo fazer algum exercício, e a bicicleta ficou sendo uma das únicas opções, já que andando com cuidado, mantendo o distanciamento, não há problema com relação ao contágio”, opinou.

Aumento no país

Um levantamento da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas mostra que, entre junho e julho, as vendas mais que dobraram, em todo país, em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo a mesma associação, as vendas cresceram em todo o país, o levantamento mostra que as bicicletas de até R$ 3 mil são as mais compradas.

Pedido por mais ciclovias

Em Araçatuba, a reclamação dos ciclistas é por conta da falta de ciclovias na cidade, que proporcionariam uma maior segurança à população na prática do exercício. O empresário Marco Coelho afirma que muitos de seus clientes reclamam desta falha no sistema viário araçatubense.

“Aqui não há ciclovias, seria interessante que os responsáveis pudesse olhar para esta necessidade, porque bicicleta é um exercício saudável, é importante pensar no bem estar da população”, afirmou o empresário.

Uma das ciclovias prometidas pela atual administração seria no prolongamento da avenida Pompeu de Toledo. Mas como a obra está atrasada, o projeto não será concluído até o final do atual mandato do prefeito Dilador Borges Damasceno (PSDB).

Dia do Ciclista

Nesta quarta-feira, dia 19 de agosto, é comemorado o dia nacional do ciclista. A data foi estipulada em memória do ciclista brasiliense Pedro Davison, que faleceu aos 25 anos nesta mesma data no ano de 2006, enquanto pedalava no Eixo Sul, na Capital Federal. Ele foi atropelado por um motorista que estava embriagado.


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