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A NOTA DE DUZENTÃO

Rodrigo Andolfato

Escrevo este artigo como desabafo pessoal sobre questões econômicas que venho trazendo a baila há muito tempo. O assunto da semana, pós polêmica de dia dos pais, foi o pronunciamento do governo sobre o lançamento da nota de 200 reais. E tal fato demonstrou um problema que há décadas vem sendo sentido, mas nunca ficou tão clara a problemática inflacionista ao público geral, como acontece neste momento.

Desde a criação do plano real nunca tínhamos nos perguntado tanto a nós mesmos, o que acontece com a riqueza de um povo frente a processos inflacionários. Todo assunto da desvalorização da moeda, não saiu da cabeça do povo brasileiro, e contas de padaria começaram a ser feitas. Chamamos de conta de padaria aquelas contas que não apresentam nada de diferente das quatro operações básicas da álgebra. Mas que em economia de verdade valem muito mais que qualquer cálculo diferencial de alta complexidade.

Tomemos como exemplo uma pessoa que em 1994 tinha 10 mil reais na poupança. Naquela época o salario mínimo era de 70 reais (perdurou de setembro de 1994 até maio de 1995). Supondo para todos os fins que se sobrevive com um salário mínimo, essa pessoa teria hoje exatos 142,85 meses de vida, o que equivale dizer, que teria quase 12 anos de reserva, caso o valor do dinheiro não lhe fosse roubado via desvalorização da moeda. Trazendo a problemática para os dias de hoje, em que o salario mínimo encontra-se em R$ 1.045,00, para se ter os mesmos doze anos de reserva, nosso brasileiro precisaria ter algo em torno de 150 mil reais. Isso significa dizer que a moeda, de algum modo perdeu tanto valor quanto algo aproximado a 15 vezes o que valia em 1994. Isso significa dizer que a riqueza de um homem foi roubada de algum modo em 15 vezes. É claro que cada “econometrista” irá dispor de métricas diferentes para essa análise, mas em suma todos concordarão que o real perdeu muito do seu valor.

E como essa desvalorização acontece? Todo economista austríaco sabe efetivamente que a moeda é um fator de produção que a pessoa recebe para trocar no futuro por algo que ela de fato quer como bem de consumo. Se todo mundo tem grande quantidade de moeda para gastar, essa perde seu valor frente aos bens de consumo que se tem a disposição no mercado. Por isso, toda perda de valor da moeda é ato de responsabilidade daquele que detém sua emissão, ou seja, a quadrilha estatal.

Chamamos de roubo todo tipo de imposto, e a inflação, trata-se de um imposto disfarçado. Por essa razão que dizemos que “economistas” da escola de Chicago, tal qual o Ministro Paulo Guedes, não representa os Liberais de verdade. Isto, por que, mesmo que ele defenda quase que 100% das teses liberais, tem aquele 1% vagabundo, que faz com que ele defenda a moeda de curso forçado. E o que é moeda de curso forçado, Rodrigo? Significa que todo mundo só pode usar forçadamente a moeda estatal, e com isso, deixa nas mãos da máfia, o direito de “imprimir” tanto quanto se queira, roubando a riqueza de um povo tanto quanto convenha ao governo.

Quem tinha em 1994, a nota de 100 reais, era um cara que hoje, pela nossa métrica de salário mínimo, tinha 1500 reais nas mãos. Ou então, para ficar mais claro, a nota de “cenzão” daquela época, não valeria mais que 7 reais hoje. Como disse anteriormente, métricas podem ser discutidas, mas o que importa é que, quem investiu num terreno naquela época, gastou em média algo em torno de R$ 1000,00, num bairro classe média, onde tal terreno hoje não seria vendido por menos de 80 mil. Isso significa dizer que se uma pessoa usasse os 10 mil comprando 10 terrenos, este teria 800 mil reais hoje, os quais valeriam exatos 53,3 mil reais no dinheiro daquela época.

O que significa tudo isso? Significa que o Estado, dono da moeda, não quer saber se ela vai valer muito ou pouco, pois ele pode produzir a mesma indiscriminadamente. Já você, que quer ter a segurança de um futuro independente de promessas estatais, deve urgentemente trocar dinheiro por investimentos em bens tangíveis, ou ter a certeza que no futuro será um miserável nas mãos do estado. Os “duzentão”, nada mais são, que o sinal de alerta na vida de todos nós.

Rodrigo Andolfato é empresário da Construção Civil, membro do ilan – Instituto Liberal da Alta Noroeste


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