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TRÍADE INSPIRADORA

José Renato Nalini

O desinteresse da juventude pela política partidária é dado irrefutável. Embora aos dezesseis anos já se possa votar, a abstenção tem sido considerável. Justamente a parcela que mais tem a perder é a que não se anima a mudar os rumos tétricos da Democracia Representativa.
É óbvio que os exemplos não ajudam a reforçar a crença no sistema. Porém, se não encontramos no presente alguém capaz de suscitar nosso patriotismo, nossa intenção de nos sacrificar pela Pátria, a História do Brasil tem vultos consistentes, cujo protagonismo encantaria os desiludidos e os faria reiniciar a jornada rumo ao aprimoramento do convívio.
Falo de três brasileiros cuja história de vida merece revisita. Joaquim Nabuco, pai e filho, Visconde de Taunay, igualmente e André Rebouças. Por incrível que pareça, duas gerações esplêndidas, coexistência hígida a mudar o Brasil, então já habitado pela raça de víboras dos exploradores do povo.
Numa carta escrita por André Rebouças a Joaquim Nabuco, em 20.7.1894, a quem o missivista chama de “Grande Amigo da Raça Africana”, Rebouças agradece o carinho que Nabuco devota à figura do velho Rebouças: “Muito grato pela lembrança de ter Você sempre presente o retrato de meu Santo Pai. Todas as manhãs, a todos os momentos, sempre que elevo o coração até Deus, agradeço-lhe ser filho do Defensor de D. Pedro I e do advogado e perpétuo amigo do Tutor de D. Pedro II. Como é bom ter o nosso Triângulo Pitagórico pois perfeitamente homogêneo: Nabuco Pai, Taunay Pai, e Rebouças Pai, no amor ao progresso do Brasil sem guerras nem revoluções?! Imagine quanto seria horrível se tivéssemos de ocultar a vida e os atos de nossos pais, se, por desgraça fatal, eles tivessem sido jacobinos sanhudos e revolucionários atrozes… É agora que podemos devidamente apreciar a Sabedoria e Modéstia de nossos Pais, que previram tudo e tudo sacrificaram ao ideal do Brasil unido, pacífico, tranquilo, evoluindo naturalmente para as altas culminâncias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.
André Rebouças termina por agradecer a Deus, haver concedido aos três, “muito antes de nascermos”, pais que foram grandes Operários da Independência, da Liberdade e do Progresso do Brasil.
Vale a pena recobrar o que estas seis personalidades brasileiras fizeram por sua Pátria. E verificar o que se pode fazer nesta era de perplexidade, em que até a peste sugere recolhimento, contenção, espaço forçado para a meditação que foi tão desprestigiada na volúpia do “aproveitar a vida”.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020


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