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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus teve um impacto menor do que o esperado no mercado de trabalho de Araçatuba durante o primeiro semestre. A conclusão aparece em estudo divulgado ontem pelo Observatório da Economia Regional, da FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional Araçatuba).

O coordenador do grupo de pesquisa, economista Marco Aurélio Barbosa, credita o desempenho a pelo menos dois fatores.

O primeiro é ligado ao saldo positivo nas contratações dos setores da agricultura e da construção civil, que encerraram o período de janeiro a junho com mais contratações do que demissões. Na primeira metade de 2020, o agronegócio criou 12 postos de trabalho formais, resultado da admissão de 116 empregados e demissão de 104. Na construção, foram 88 vagas criadas, consequência da contratação de 740 e dispensa de 652 trabalhadores.

Conforme Barbosa, crédito barato, ou seja, taxa básica de juros (Selic) e recursos sendo injetados na economia local com o programa de auxílio do governo explicam o bom desempenho do setor, que vinha passando por uma grave desaceleração nos anos anteriores.

O segundo a fator citado por Barbosa foram as medidas de preservação de empregos adotadas pelo governo federal, como as reduções de jornada e de salário. Conforme reportagem recente do jornal O LIBERAL, essas estratégias foram adotadas por mais de cinco mil empresas em toda região, atingido cerca de 43 mil trabalhadores.

“Com certeza há méritos nas medidas adotadas pelo governo federal, como o auxílio emergencial, que fez a renda circular e manteve o consumo de forma aquecido, e a suspensão e redução do contrato de trabalho. Essas medidas preservaram empregos, dando tempo para uma retomada gradual da economia”, analisa o professor universitário.

Diante desses fatores, o estudioso conclui que os números apresentados mostram que a crise não desencadeou um elevado fechamento de postos de trabalho como se imaginava no início da pandemia. “Isso demonstra certa resistência da economia local em absorver o choque econômico”, avalia o representante da instituição de ensino superior.

Conforme o levantamento da FAC-FEA, feito com base no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia, no primeiro semestre, Araçatuba terminou com saldo de -1.045 postos de trabalho com carteira assinada. Nesse intervalo, foram feitos 9.761 desligamentos e 8.716 admissões de profissionais com registro em carteira.

Em relação aos setores produtivo, o impacto foi maior nos setores de serviços, seguido pelo comércio. Ambos foram atingidos por determinações governamentais para suspensão das atividades presenciais a fim de combater a disseminação do novo coronavírus. O setor comercial encerrou 543 vagas de trabalho, enquanto o de serviços, 474.

IDADE

A pesquisa divulgada pela FAC-FEA revela que, em todas as faixas etárias, apenas o grupo de pessoas trabalhadoras até os 17 anos de idade registro saldo positivo de contratações.

Somente entre pessoas com 30 a 39 anos de idade, as demissões superaram as contratações em 304 empregos.

O levantamento apontou também saldo negativo para todos os graus de instrução, de analfabetos a portadores de curso superior.

PROJEÇÕES

Apesar dos números desanimadores, o coordenador do observatório destaca que institutos de pesquisa projetam uma “queda mais suave” do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e um crescimento “mais vigoroso” em 2021.

Maior banco privado do Brasil, o Bradesco avaliou que “os dados da atividade seguem surpreendendo positivamente, sugerindo um recuo menos intenso do PIB neste ano”.

Sendo assim, Barbosa concluiu: “Esse cenário traz boas perspectivas para a economia local”.

 

 


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