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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Araçatuba ultrapassou com folga a marca de mais de 2 mil casos positivos de covid-19 e tem batido recordes de casos em 24 horas de forma constante nas últimas semanas. A maior disseminação do vírus contrasta com o fechamento do comércio, shoppings e serviços no município, proibidos de funcionar, ao menos até o fim desta semana, por conta da região do DRS 2, de Araçatuba, estar na fase 1 (vermelha) da flexibilização da economia imposta pelo Plano São Paulo do governo estadual.

O comércio está fechado justamente por conta do aumento de casos e do número de internações na região de Araçatuba. Porém, com as lojas fechadas novamente desde 29 de junho, já se passaram mais de três semanas e meia, tempo maior do que o considerado pelos especialistas para o aparecimento de sintomas e detecção da presença do vírus, que é de duas semanas. Mesmo assim os casos seguem aumentando, ainda que as lojas do serviço não essencial estejam impedidas de abrirem suas portas.

A pergunta que fica é: Qual é o grande “vilão” do aumento de casos em Araçatuba?

Dois líderes de comércio e um parlamentar araçatubense falaram com a reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL sobre o tema e foram unânimes: o comércio não tem culpa do crescimento dos casos.

Vereador critica atuação de governador e prefeito na questão

Lucas Zanatta

O vereador Lucas Zanatta (PV) afirma que o vírus em si já é o vilão e que o ciclo da doença foi mal compreendido pelo governo do estado. Para ele, a medida de fechar o comércio de Araçatuba e das cidades do interior junto com o da Capital Paulista foi equivocada, já que só agora o ciclo da doença chegou à região.

O parlamentar criticou o despreparo das autoridades estaduais e do prefeito Dilador Borges (PSDB) em defender os comerciantes da região. “Sempre fui contrário ao fechamento, que foi extremamente precipitado por parte do governador, em um momento que a região tinha cidades sem casos e um número baixo e uma ocupação baixa dos hospitais. Isso nós podemos calcular quase 100 dias com a cidade fechada sem a necessidade. Agora que o ciclo chegou na região, o cidadão está desgastado, mais adoecido devido ao isolamento”, explicou.

Para Zanatta, o fechamento do comércio no final de março foi absurdo e criticou o prefeito Dilador. “O vírus é real, o problema é que a medida foi extremamente absurda e demonstrando total despreparo do senhor governador. Faltou um posicionamento mais firme da prefeitura em relação a isso, em defender a cidade na sua realidade, nas suas questões locais. Agora a Capital está voltando a abrir, Araçatuba foi fechada junto com a Capital e por quanto tempo mais nós vamos estar fechados?”, questionou.

Na mesma linha do diretor da ACIA, Lucas Zanatta também criticou a abertura por quase um mês do comércio em Araçatuba com horário reduzido. Segundo ele, as aglomerações causadas pelo tempo menor de abertura das lojas também foram prejudiciais. “Uma situação que favoreceu demais a proliferação do vírus em Araçatuba foi aquela abertura absurda de apenas 4 horas no comércio que todo mundo sabia que ia gerar aglomeração. Não precisava fazer estudo científico ou social nenhum”, criticou.

Por fim, o parlamento criticou o governador João Dória (PSDB) e afirma que faltou humildade ao chefe do executivo estadual ao não regionalizar o controle da pandemia desde o início, ignorando os apelos do interior do estado. “O vírus foi muito mal compreendido e houve uma precipitação e um afobamento muito grande do governo do estado. Além do problema médico outros problemas foram criados por falta de capacidade e de humildade de ouvir que as realidades eram diferentes dentro do estado”, concluiu.

 

Comércio mais seguro que encontros familiares

Bruna Evangelista

Para a gerente de marketing do Shopping Praça Nova, de Araçatuba, Bruna Evangelista, o grande problema tem sido os encontros e “festinhas” que estão ocorrendo no período noturno, principalmente aos finais de semana.

Segundo ela, o comércio em si é um ambiente seguro para as pessoas por conta da obrigatoriedade das medidas sanitárias, o que não ocorre em encontros familiares, por exemplo. “No comércio aberto, a pessoa sabe que não pode ir sem máscara, não pode entrar na loja sem máscara, ela tem acesso ao álcool em gel o tempo inteiro. Não é o grande vilão da história. Eles fecham o lugar errado e as pessoas cansam de ficar em casa, porque não pode ter acesso ao comércio, e aí é onde fica criando festinha, formas de se encontrar, reunião entre amigos, então é por isso que está acontecendo esse grande aumento”, opinou Bruna.

A gerente de marketing coloca as reuniões e festinhas como grandes “vilões” da história, já que os cuidados com distanciamento e higienização praticamente não existem nestes casos. “Com certeza o maior vilão acontece nas reuniões em família, que ninguém usa máscara, nos almoços, nas festinhas, porque ninguém vai de máscara e ninguém fica com o álcool em gel o tempo todo”, explanou.

Bruna Evangelista acredita que tem faltado fiscalização nestas festas e encontros. “Falta fiscalização e até cobrança da própria polícia, a gente vê que muitas denúncias são feitas e nada é resolvido. Até a gente vê casos que têm acontecido em ambientes fechados e que a polícia não chega”, completou.

Fiscalização rígida apenas para comerciantes

Nei Ferracioli

O diretor da Associação Comercial e Industrial de Araçatuba, Nei Ferracioli, afirma que a fiscalização só tem sido rigorosa com os comerciantes. A prefeitura de Araçatuba divulgou na última terça-feira que seis estabelecimentos foram multados e outros sete receberam a determinação para fechar, durante a Operação Covid.

Para Ferracioli, o rigor tem que ser aplicado nas festas clandestinas. “Algumas pessoas, uma parte da população, não está respeitando o distanciamento, estão se aglomerando, estão tendo festas clandestinas. Essas festas sim precisam de uma fiscalização séria, pesada, para não continuar acontecendo. Mas a fiscalização pesada só está em cima do comerciante. O comerciante está sofrendo, esta carga está muito pesada”, opinou.

O diretor da ACIA crê que há incoerência por parte do poder público em fechar o comércio, tratando o empresário como culpado pelo aumento da disseminação da covid-19. “Não pode mais ficar culpando o comércio de Araçatuba pelos casos e aumentos, está sendo incoerente. Estão jogando muito a responsabilidade no comércio, sendo que 80% do comércio está fechado. Se o comércio está fechado e os casos não param de aumentar alguma coisa está errada”, disse.

Na esperança que a região de Araçatuba volte para a fase laranja da flexibilização nesta sexta-feira, Nei Ferracioli afirma que abrir o comércio por pouco tempo vai causar aglomerações, um dos grandes vilões da contaminação pelo coronavírus. “Provavelmente se semana que vem o nosso comércio voltar a abrir e eu espero que sim, não pode funcionar só 4 horas. 4 horas é muito pouco! Vai haver aglomeração! Teria que ser, no mínimo, abrir às 10h e fechar às 17h”, completou.


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