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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Com as lojas do comércio, os shoppings, centro de compras, restaurantes, academias, dentre outros seguimentos, sem poder funcionar, a cidade de Araçatuba vive um momento difícil quanto à manutenção de empregos. A exigência do governo estadual, através do governador João Dória (PSDB), de manter o município na fase 1 (vermelha) da flexibilização da economia com o Plano São Paulo, aliada a falta de ação da prefeitura, tem agravado a crise econômica na cidade. O comércio de Araçatuba está fechado desde o dia 24 de março. São 118 dias. Neste período, funcionou parcialmente de 1º a 27 de junho. Já no dia 29 voltou a ser fechado.

Na última semana, lojistas do Shopping Praça Nova, por exemplo, entregaram manifesto ao prefeito Dilador Borges (PSDB), pedindo intercessão junto ao estado pela abertura do local. O documento foi assinado por Gustavo Dinamarco, empresário da cidade, presidente da associação dos lojistas do centro de compras, e que demonstra, além da preocupação coletiva, a preocupação com o seu empreendimento pessoal.

Dono da Sucos S/A, estabelecimento que fica na praça de alimentação do shopping, Dinamarco está pessimista quanto à volta ao funcionamento de seu estabelecimento, já que mesmo que Araçatuba avance de fase na flexibilização na próxima sexta-feira, a fase 2 (laranja) ainda estaria longe de garantir a reabertura de seu estabelecimento. “A praça de alimentação a minha preocupação é muito maior, a praça não funciona no laranja (fase 2 do Plano São Paulo). Ela está correndo risco de ficar pra outubro, tem ideia do que é isso? Ficar mais de meio ano fechado?”, disse em conversa com a reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL na última semana.

O empresário afirma que não fez desligamento de funcionários, mas está tendo muito prejuízo, já que seu estabelecimento não está funcionando e mesmo assim está tendo que arcar com salários. “Eu tive que suspender meus funcionários por dois meses e depois disso mantive a redução salarial, mas estou tendo que pagar 30% sem funcionar”, disse.

No texto do manifesto assinado por Gustavo Dinamarco consta que 30% a 50% dos funcionários de todo o shopping foram ou serão desligados até o final do mês, caso o centro de compras não reabra. Segundo ele, grandes marcas como Pizza Hut e Ri Happy já fecharam as suas portas no local.

Atividades encerradas

Nas academias, a pressão tem sido ainda maior. Tendo funcionado apenas 1 dia desde o final de março, quando começou a pandemia, alguns empreendimentos já fecharam as suas portas e outros já desligaram seus funcionários.

Foi o caso por exemplo da academia Corpo Tottal, localizada na rua Coelho Neto. Aberto em Araçatuba desde 1997, o centro esportivo anunciou seu fechamento no começo do mês de junho.

No comunicado divulgado nas redes sociais, a direção da academia agradeceu a todos os colaboradores e clientes por terem feito parte da história do local e agradeceu a compreensão de todos.

Segundo o empresário Valdecir Montresol, que era proprietário do local, não haveria mais condições de reiniciar o trabalho, já que academias só podem funcionar na fase 3 (amarela), uma realidade que parece distante da região de Araçatuba atualmente. Além disso, boa parte de sua clientela é formada por idosos, considerados grupos de risco. “Foi difícil a decisão, mas decidimos fechar porque nossa estrutura é muito grande e a demanda não vai ser suficiente para manter os custos operacionais. Mesmo após a reabertura a demanda vai ser baixa e 30% da minha clientela tem mais de 60 anos”, disse na época em que anunciou o fechamento.

Levantamento

A Associação Comercial e Industrial de Araçatuba afirmou à nossa reportagem que está fazendo um levantamento de dados sobre lojas do comércio que precisaram fechar as suas portas ou demitir funcionários por conta do fechamento obrigatório.

A intenção é mostrar os dados ao poder público em uma tentativa de sensibilização ao grave problema enfrentado, principalmente pelos pequenos e médios comerciantes.

Mais de 500 mil empresas fechadas no país

Dados de uma pesquisa nacional feita pelo IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a pandemia do novo coronavírus provocou o fechamento de 522,7 mil empresas de um total de 1,3 milhão que encerraram as suas atividades, temporária ou definitivamente, na primeira quinzena de julho.

Os dados foram os primeiros resultados da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas empresas. O número representa 39,4% do total e a maioria, mais de 518 mil, eram de pequeno porte, que são as que possuem até 49 empregados. Mais de 4 mil são de porte médio, que possuíam entre 50 e 499 empregados. E 110 era de grande porte, que tinham mais de 500 empregados.

Segundo a pesquisa, o setor de serviços foi o mais atingido, tendo mais de 258 mil empresas fechadas por conta da pandemia, seguido pelo comércio com 192 mil, construção com mais de 38 mil, e indústria com mais de 33 mil portas fechadas no país.

Representante do comércio fala em colapso social

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Araçatuba e Região (Sincomercio) e vice-presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), Gener Silva, tem revelado em todas as oportunidades a sua preocupação com a situação econômica. Ele admite que muitas empresas podem fechar e outras vão ficar endividadas por conta do longo período de inatividade. Gener Silva fala em risco de colapso social, com quebradeira de empresas e crescente desemprego.

Há poucos dias, acompanhado de outros empresários e representante da Associação Comercial e Industrial de Araçatuba, Gener Silva reuniu-se com o prefeito Dilador Borges. O grupo foi mostrar a dramática situação do comércio. Porém, os representantes do comércio ouviram apenas que o prefeito é legalista. Integrantes do grupo saíram desapontados do encontro.

Segundo Gener Silva, empresários do pequeno varejo são os mais prejudicados. Na sua avaliação esses estabelecimentos não representam risco pois não ficam lotados, mas mesmo assim estão impedidos de trabalho. “Já vi empresário chorando. A situação é dramática”, disse Gener Silva


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