Home Cidades Araçatuba Sem apoio oficial, lojistas lançam movimento para abertura espontânea do comércio

Sem apoio oficial, lojistas lançam movimento para abertura espontânea do comércio

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DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

Na manhã dessa terça-feira, várias entidades representativas e veículos de imprensa receberam um comunicado em um envelope. O comunicado, assinado apenas como lojistas e comerciantes de Araçatuba, informa às autoridades que “decidimos por conta própria que iremos reabrir o comércio de quarta a sexta-feira das 12 às 18 horas e de sábado das 9 às 13 horas”. O ato, se efetivado, mostra o nível de desespero que está chegando a classe empresarial, notadamente dos pequenos e médios comerciantes. Da mesma forma mostra o descaso da administração Dilador Borges com a situação. A Prefeitura se posicionou sobre o comunicado por meio de nota.
“Nós, empresários de Araçatuba, entendemos a gravidade da pandemia de convid-19 que se instalou no país, entretanto através deste, Comunicar a Prefeitura Municipal, o Ministério Público, a Associação Comercial e Industrial, o Sindicato do Comércio, o Condomínio do Calçadão e imprensas que nós, empresários locais, decidimos, por contra própria, que iremos reabrir o nosso comércio”, diz o trecho inicial do comunicado, explicando que segunda e ter-feira o comércio permanecerá fechado. “O motivo desta reabertura é para que se evite assim mais falência das empresas e o enorme índice de desemprego no município. Entendemos que o comércio nunca foi o fator de aumento dos casos de covid-19 em nosso município. Estamos há mais de 114 dias com nossas lojas fechadas. Contamos com a colaboração e o atendimento de nossas necessidades”, encerra o comunicado.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Gener Silva, disse que entende a posição dos lojistas, que “têm o meu apoio moral”. Gener disse que já viu muitos empresários chorarem diante da situação. “Estivemos em reunião com o prefeito, que limitou-se a dizer que é legalista e seguia os decretos”, disse Gener, que teve colapso social com o fechamento demorado do comércio. “Estão preocupados com a saúde das pessoas. Porém, a saúde das empresas é a questão econômica. Está provado os pequenos e micros empresários geral a maioria dos empregos e o fechamento do comércio atinge basicamente os pequenos lojistas. As grandes redes de supermercados e de farmácias são os beneficiados”, disse Gener Silva, reafirmando que não recebeu o comunicado, mas que daria o seu apoio à iniciativa.
A direção da Associação Comercial de Araçatuba confirmou o recebimento do comunicado e emitiu um documento oficial sobre o assunto, assinado pelo presidente Wilson Marinho. “Somos favoráveis à reabertura do comércio, mas dentro da legalidade, evitando multas e autuações. E o momento é de todos se unirem inclusive da Prefeitura Municipal de Araçatuba dar apoio ao comércio e estar em parceria com o mesmo. E os lojistas respeitando criteriosamente as normas e orientações da saúde”, diz o comunicado assinado por Wilson Marinho.
A Prefeitura emitiu uma nota abordando a questão do comunicado dos lojistas.
“Em razão de carta divulgada com o título “MOVIMENTO ESPONTÂNEO DE REABERTURA DO COMÉRCIO” Prefeitura Municipal de Araçatuba vem informar.
Araçatuba e outras 39 cidades que integram a área de atuação do Departamento Regional de Saúde (DRS-II) encontram-se na fase I (vermelha), a mais restritiva do Plano São Paulo de retomada da economia, e por determinação do Governo Estadual somente atividades consideradas essenciais podem funcionar.
A par disso, a cidade de Araçatuba tem apresentado índices elevados de contaminação pelo coronavírus, contando atualmente (dados de 13/07/2020) com 1.526 casos registrados, 933 pessoas em tratamento domiciliar, 47 óbitos e outros 9 suspeitos, além de 63 pacientes internados nos hospitais da cidade exclusivamente pelo COVID.
O comunicado apócrifo sobre a reabertura do comércio não menciona quais seriam esses “empresários” e por isso a Administração Municipal não acredita na idoneidade desse anúncio, pois sempre esteve aberta a ouvir os anseios da classe empresarial, notadamente comerciantes, tendo realizado inúmeras reuniões ao longo do período da pandemia e mesmo antes da decretação desse estado”, diz trecho da nota.


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