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DA REDAÇÃO –  ARAÇATUBA

Em um novo mundo no qual máscaras passam a ser peças fundamentais do vestuário, assim como a utilização de álcool em gel, cancelas especiais, tapetes sanitizantes, câmeras com infravermelho, distanciamento seguro entre as pessoas e olhares enviesados para quem espirra de forma exagerada, os projetos arquitetônicos de construção civil também foram impactados. Com mais tempo em casa e em home office, espaços foram adequados para o trabalho e o lazer, e, a partir de agora, isso interfere diretamente nos projetos de casas e apartamentos.

De acordo com o diretor do Sinduscon OESP (Sindicato das Indústrias da Construção Civil da Região Oeste do Estado de São Paulo), Reinaldo Roberto Dainese, as mudanças de valores e mentalidades redefiniram hábitos, influenciaram comportamentos, e isso naturalmente chegou à arquitetura, afinal de contas os ambientes no qual vivemos deve ser ajustado ao novo normal. “O novo consumidor já consome de maneira diferenciada produtos, serviços, notícias, conteúdos etc. Está mais criterioso, cuidadoso, digital, coerente, questionador, econômico, voltado para a família. Nesse sentido, a construção civil já está se preparando para os desafios mercadológicos para atender uma sociedade em transformação”, comenta Dainese.

O empresário diz que, na prática e de forma geral, as plantas dos imóveis deverão incluir um sistema que privilegie a ventilação natural para entrada dos raios de sol. Além disso, o paisagismo será crucial para a decisão de compra. As transformações vão ao encontro de uma população mais distante socialmente, mas que usufrui dos espaços de uma forma mais consciente e intensa. De forma semelhante, em relação aos edifícios residenciais, o consumidor tende a ser mais cauteloso com a saúde e terá novos hábitos. Haverá necessidade de espaços adaptados para receber compras de supermercados e demais entregas, além do coworking integrado.

“Acredito que os projetos passarão por releitura, com conceitos de valor agregado. As pessoas vão repensar a moradia, e a planta da casa ou do apartamento exigirá mudanças. E, no caso dos edifícios residenciais, penso que existe uma tendência ao fortalecimento do senso de comunidade, no qual as pessoas irão proteger umas às outras, estabelecendo rotinas para uso dos espaços coletivos”, aponta.

 

Home office

Fabio Zeppelini, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Armando Alvares Penteado (FAAP), aponta que a quarentena evidenciou a importância que é ter um ambiente de home office nas residências. “As empresas estão mudando e perceberam que os funcionários podem trabalhar efetivamente de casa. Agora, as pessoas precisarão ter um espaço adequado para isso”, diz. Assim, ele acredita que a demanda por projetos com escritórios dentro de casa irá aumentar.

Além do home office, a necessidade do isolamento social fez com que as pessoas fizessem mais refeições em casa, o que se tornou um incentivo para as pessoas passarem mais tempo na cozinha. Desta forma, Dainese crê que esses espaços também precisarão ser mais amplos, iluminados e ventilados. As novas demandas incluem também sistema de refrigeração mais seguro, itens como energias alternativas, estações próprias de tratamento de água e esgoto e a mão de obra local para incentivar a economia regional.

“Grande parte das construtoras da região de Araçatuba já vinha seguindo padrões internacionais de construções sustentáveis. Há tempos, os projetos contam com sistema termossolar e fotovoltaico, por exemplo, reuso de águas, otimização dos elevadores para a economia de energia elétrica, entre outras coisas. Para além disso, fato é que cabe ao mercado da construção civil questionar-se sobre como gerar valor para o novo consumidor. Quem pensa e age em padrões pré-pandêmicos tende a pagar um preço alto. Inovar e se reinventar são premissas básicas para não sucumbir”, conclui Dainese.


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